Trump quer descontar “milhões de votos ilegais” para ganhar mesmo a Hillary

Gage Skidmore / Flickr

O milionário e candidato republicano às eleições norte-americanas Donald Trump

O presidente eleito dos EUA Donald Trump afirmou este domingo que, além de ter garantido em 8 de novembro a maioria dos grandes eleitores, também venceu o sufrágio popular face à rival Hillary Clinton, referindo-se a “milhões de votos ilegais” sem, no entanto, apresentar provas.

Eleições nos EUA

Nos últimos dias, e em plena celebração do dia Ação de Graças, acentuou-se a polémica quando a ex-candidata ecologista à Casa Branca, Jill Stein, decidiu exigir a recontagem dos votos nos estados de Wisconsin, Pensilvânia e Michigan.

Estes estados decisivos foram ganhos por uma curta margem pelo republicano Donald Trump. O campo de Hillary Clinton já anunciou que vai participar na recontagem dos votos em Wisconsin. E Trump não ficou nada satisfeito com as novidades.

“Além de uma vitória esmagadora no colégio eleitoral, ganhei o voto popular se anularem os milhões de pessoas que votaram ilegalmente”, acusou no Twitter o futuro 45ª presidente dos Estados Unidos, que em 20 de janeiro se tornará o novo inquilino da Casa Branca.

Segundo o sistema de escrutínio universal indireto, Donald Trump venceu as presidenciais com 290 grandes eleitores contra 232 para Hillary Clinton, num total de 538 para os 50 estados norte-americanos e a capital Washington. Os 16 grandes eleitores do Michigan que deverão ser atribuídos à candidatura de Trump ainda não foram oficialmente anunciados.

No sufrágio popular, o resultado eleitoral indicou que a democrata Clinton obteve mais dois milhões de votos que o republicano Trump.

Nos três estados onde a votação foi contestada, o presidente eleito garantiu 100 mil votos de avanço: 20 mil votos no Wisconsin, 70 mil na Pensilvânia e 10 mil no Michigan.

Entretanto, o Presidente eleito voltou ao ataque no Twitter e acusou “graves fraudes eleitorais em Virgínia, New Hampshire e Califórnia – porque é que os media não noticiam isto? Enviesamento sério – grande problema!”.

Vários especialistas e jornalistas políticos alertam para a falsidade das alegações de Trump, sublinhando as suas implicações futuras. Ezra Klein, fundador do portal Vox.com e cronista do Washington Post, comentou que “o mais assustador não é o facto do tweet de Trump ser falso. É o facto de que ele provavelmente pensa que é verdade”. Já David Frum, editor da revista The Atlantic, comenta que os tweets de Trump sobre as votações “podem ser um alerta para o facto de que o direito de voto pode estar prestes a tornar-se mais difícil para milhões de pessoas“.

Recontagens

Ainda ontem, Trump e os seus conselheiros censuraram vivamente a equipa de Clinton por pretender participar na recontagem dos votos no Wisconsin. No Twitter, o milionário recordou à sua rival o momento da campanha em que Clinton o exortou a respeitar o resultado caso a democrata vencesse o escrutínio.

“Tanto tempo e tanto dinheiro que estão a despender, para um mesmo resultado!”, escreveu o homem de negócios.

“O povo exprimiu-se e esta eleição está terminada”, tinha referido no sábado, ao considerar “ridícula” a iniciativa da ecologista Jill Stein, que recolheu milhões de dólares para financiar o seu pedido. Apesar de pretender participar na iniciativa, a equipa de Clinton já esclareceu que não detetou irregularidades em Wisconsin.

Kellyanne Conway, uma conselheira de Trump, aproveitou para denunciar uma “desconcertante recontagem” e apelou aos democratas para não serem “maus perdedores”.

Na cadeia televisiva NBC, Conway revelou que o presidente eleito e o seu antecessor, Barack Obama, mantiveram no sábado uma conversa telefónica de 45 minutos.

“Da parte do presidente eleito Trump, posso dizer-vos que gosta muito de falar com o Presidente Barack Obama, evocar as questões graves com que se confronta este país e o mundo”, afirmou. “Eles entendem-se bem. Estão em desacordo sobre vários pontos, e isso não vai mudar. Mas respeitam-se e respeitam o processo e a transição sem sobressaltos do poder”.

Donald Trump passou o fim de semana prolongado do dia de Ação de Graças no seu luxuoso complexo de golfe na Flórida, para acertar a elaboração do seu governo, aguardando-se em particular a escolha do nome para a estratégica pasta da diplomacia.

No sábado, o New York Times publicou uma reportagem sobre os potenciais conflitos de interesses do futuro Presidente Trump, devido às suas parcerias comerciais – muitas vezes conturbadas – por todo o mundo.

ZAP / Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. O polícia do mundo a demonstrar níveis de infantilidade para encobrir o poder de sombra dos poderosos.
    Marx diria que a Democracia é uma expressão fraudulenta. Ao que chamam democracia é a ditadura do poder, seja ele qual for, legitimado como for. Os mecanismos são os mesmos, mas sofisticados, porque têm uma economia que deixa pingar migalhas saborosas para comprar a dignidade do povo e subjugá-lo a seu belo prazer.
    Não é isto a verdade do mundo global?
    As cimeiras dos países ricos? Os interesses de minorias de poder, fuga aos impostos nos mecanismo de off shores, autênticos bordéis de escorrimento de dinheiro que sob a forma de impostos deveriam servir as populações.
    Mas são estas mesmas populações que legitimam tão bem estes abusos, por já terem sido sofisticadamente seduzidas e espoliadas da sua dignidade humana.

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