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Número de mortos por coronavírus continua a aumentar. Pico do surto deverá acontecer em 10 dias

O mais recente balanço de infetados com coronavírus na China continental aproxima-se dos seis mil, enquanto o vírus SARS infetou 5.237 pessoas. Número de mortos continua a subir e está nos 132.

Só na China continental, há quase seis mil infetados e nove mil casos suspeitos, Esta quarta-feira, o número de infeções confirmadas com o novo coronavírus (2019-nCov) já ultrapassou os valores da epidemia do vírus SARS (também um coronavírus) que, entre 2002 e 2003, infetou 5.237 pessoas em território continental chinês.

Nas últimas 24 horas, o balanço das autoridades chinesas deram conta de 1.459 novos casos confirmados, enquanto que o número de vítimas mortais volta a subir, estando agora nos 132. Segundo os dados da Comissão Nacional de Saúde da China, há ainda 9.239 casos suspeitos.

As autoridades de saúde alemãs confirmaram mais três casos de contágio pelo coronavírus, aumentando para quatro o número de contagiados naquele país. A Alemanha é o segundo país na Europa afetado pelo surto, depois de França.

Esta quarta-feira foi detetado o primeiro caso de infeção nos Emirados Árabes. A notícia foi avançada pela agência de notícias estatal WAM dos Emirados Árabes Unidos, citando o Ministério da Saúde.

Segundo um especialista chinês em doenças respiratórias, o pico do surto deverá acontecer em 10 dias. Em declarações à Xinhua, agência estatal de notícias chinesas, Zhong Nanshan, que lidera a equipa de especialistas da China para controle e prevenção do vírus, sublinhou que não é possível precisar com exatidão o pico, mas acredita que não deve haver “aumentos em larga escala” após uma semana ou, no máximo, 10 dias.

Entretanto, a British Airways anunciou esta quarta-feira a suspensão de todos os voos para a China continental, seguindo ordens do Reino Unido, para evitar viagens para o país por causa do novo coronavírus. Anúncios semelhantes já tinham sido feito também pela United Airlines, Air Seoul, pela China Airlines, Eva Airways, Air Canada, Lufthansa e Cathay Pacific. Estas companhias já suspenderam os voos ou estão prestes a fazê-lo.

Vários países já começaram o repatriamento de cidadãos de Wuhan, cidade que foi colocada sob quarentena, com saídas e entradas interditadas pelas autoridades durante um período indefinido.

Um avião fretado pelo Governo japonês transportando 216 pessoas retiradas da cidade já chegou a Tóquio. Um avião com pessoal diplomático dos Estados Unidos e outros cidadãos norte-americanos também saiu de Wuhan, sendo esperado que chegue ao aeroporto internacional de Ontário, na Califórnia, esta quarta-feira.

O Canadá está a estudar todas as opções para repatriar os 126 canadianos que vivem na região. Já no Brasil, Jair Bolsonaro disse que “não é oportuno” retirar cidadãos brasileiros de Wuhan. Bolsonaro disse que não vai colocar em risco as pessoas no Brasil “por uma família apenas”, numa alusão a um casal e filho que foram infetados com o vírus.

O Governo australiano anunciou que vai retirar os seus cidadãos da cidade chinesa de Wuhan para a Ilha Christmas, no Oceano Índico, onde permanecerão em quarentena obrigatória de 14 dias.

A União Europeia vai enviar dois aviões entre quarta e sexta-feira e que deverão repatriar 250 franceses e outros 100 cidadãos europeus. Os cidadãos portugueses que vivem em Wuhan vão regressar a Portugal no segundo voo disponibilizado pelo Mecanismo Europeu de Proteção Civil. De acordo com o jornal Público, cinco dos 15 portugueses optaram por permanecer na cidade.

Em Portugal, a ministra da Saúde, Marta Temido, assegurou que os hospitais de Portugal estão preparados para lidar com uma eventual epidemia e que a situação está a ser tratada de forma “tranquila, mas rigorosa”.

O novo vírus, que causa pneumonia, foi detetado na China no final de 2019. Os sintomas associados à infeção causada são mais intensos do que uma gripe e incluem febre, dor, mal-estar geral e dificuldades respiratórias, incluindo falta de ar.

A ansiedade em torno da doença aumentou depois de um especialista do Governo chinês ter assumido que o novo tipo de coronavírus, uma espécie de vírus que causa infeções respiratórias em seres humanos e animais, é transmissível entre seres humanos. Até à data, as autoridades diziam que não havia evidências nesse sentido. A nova estirpe de coronavírus pode ter surgido em morcegos ou cobras.

Na sexta-feira, a China alargou a quarentena a 33 milhões de pessoas e, na quinta-feira, estavam três cidades em isolamento: Wuhan, o epicentro do surto, Huanggang, a cerca de 70 quilómetros de distância e Ezhou. As cidades foram fechadas aos transportes e os seus habitantes fecharam-se em casa em quarentena.

O cientista Xu Wenbo, do Centro de Prevenção e Controlo de Doenças, disse que este centro já se encontra desenvolver uma vacina contra o novo coronavírus “depois de isolar com sucesso a primeira estripe do vírus”.

Em Portugal, foi detetado o primeiro caso suspeito de infeção pelo novo coronavírus este sábado, que, após análises, deu negativo.

O Centro Europeu de Controlo de Doenças (CECD) considerou moderada a probabilidade de a nova pneumonia chegar ao espaço europeu. Por outro lado, a Organização Mundial de Saúde (OMS) optou por não declarar uma emergência internacional face ao surto de coronavírus.

  ZAP // Lusa

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