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Portugal vai receber 22 milhões de doses de vacina. Idosos e lares no topo das prioridades

Carlos Barroso / Lusa

Luís Marques Mendes falou este domingo no seu habitual espaço de comentário da SIC sobre o processo de vacinação em Portugal, anunciando que o país vai receber “cerca de 22 milhões” de doses de vacinas.

Segundo o comentador político, estão no plano do Governo seis vacinas: BioNTech/Pfizer, Astrazeneca/Universidade de Oxford, Moderna, Johnson & Johnson-Janssen, Sanofi-GSK, Curevac. Três destas poderão ser aprovadas pela Agência Europeia do Medicamento (EMA) já em dezembro e as primeiras doses podem estar disponíveis a partir de janeiro (Pfizer) e fevereiro (Moderna).

“São, no fundo, todas aquelas com quem a União Europeia fez contratos e, quando começarem a ser distribuídas, chegarão a Portugal exatamente ao mesmo tempo que qualquer outro país da União Europeia”, disse.

Marques Mendes adiantou também que a vacinação deverá ser gratuita, universal e, mesmo que não obrigatória, será organizada uma campanha de sensibilização.

Portugal deverá receber, segundo o ex-líder do PSD, cerca de 22 milhões de doses de vacinas e será o SNS a fazer a sua gestão e administração, inicialmente, em centros de saúde.

As vacinas da Pfizer, Astrazeneca e Moderna exigem duas doses por pessoa, com um intervalo entre 3 a 4 semanas, e a da Johnson&Johnson-Janssen só deverá precisar de uma toma.

“São diferentes no tipo de vacina, no preço e nas condições de armazenamento, mas têm de um modo geral um grau de eficácia muito acentuado, na ordem de 90%”, referiu Marques Mendes.

Algumas das vacinas exigem temperaturas muito baixas e está previsto um armazenamento central único cuja localização não será conhecida.

Marques Mendes avançou também que os idosos, residentes e funcionários de lares deverão ser o primeiros com acesso às vacinas, seguindo-se os profissionais de saúde, segurança e proteção civil.

Questionado sobre documentos de trabalho que excluíam pessoas acima dos 75 anos, o comentador não deu a certeza, apesar de justificar esta prioridade com a preocupação de reduzir a pressão sobre os hospitais e os cuidados intensivos.

O processo de vacinação deverá arrancar em janeiro e prolongar-se até ao verão.

No OE2021, PCP foi “vitorioso” e Bloco “derrotado”

Para Marques Mendes, a semana da discussão e aprovação do Orçamento do Estado para 2021 (OE2021) foi “talvez a pior semana do ponto de vista político” para o Governo.

Segundo o comentador, foi o fim da “geringonça” do ponto de vista formal. O Governo “saiu muito fragilizado, muito encurralado, muito desautorizado”, disse o ex-líder do PSD.

Sobre os partidos à esquerda, Marques Mendes considera que o PCP foi muito inteligente na viabilização do OE2021, “ao contrário do Bloco. O PCP foi o grande vitorioso, o Bloco foi o grande derrotado”, apesar de ter feito passar o chumbo da transferência do Fundo de Resolução para o Novo Banco. Isto porque chumbar um Orçamento nesta ocasião é muito impopular e porque o PCP conseguiu um “conjunto grande de ganhos de causa.”

Em relação ao caso Novo Banco, Marques Mendes considera que todos saem mal da fotografia. “Quem sai pior no exercício da contradição e da hipocrisia é o Bloco de Esquerda, porque no passado aprovou orçamentos com injeções maiores para o Novo Banco. Agora é menos, mas não era dinheiro do Estado e o Bloco rejeita agora o que aprovou antes. Merecia o Óscar da hipocrisia. Mas não é o único”.

PSD e CDS também não estiveram bem, porque deviam dizer que não bloqueavam o contrato, porque, apesar de péssimo, deve cumprir-se, disse Marques Mendes.

Já o Chega também “foi extraordinário, teve as três posições possíveis diferentes em menos de 24 horas. Um catavento”, concluiu.

Para Marques Mendes, o problema não se resolve no Constitucional. Pode ir ao Tribunal Administrativo e se este emitir uma ordem para cumprir, o Governo pode recorrer à dotação provisional ou a um orçamento retificativo.

  ZAP //

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