Task force já propôs quem vai receber a vacina primeiro. Idosos com mais de 75 anos excluídos

A comissão técnica independente de vacinação nomeada pela Direção-Geral da Saúde (DGS) já concluiu o documento que define os grupos prioritários para a vacina da covid-19.

A SIC avançou na quinta-feira à noite que, de acordo com o documento elaborado pela task force responsável pelo “Plano de vacinação contra a Covid-19 em Portugal”, no primeiro grupo a ser vacinado estão incluídas as pessoas que têm entre 50 e 75 anos e que têm doença grave (como insuficiência cardíaca ou respiratória), os utentes e funcionários dos lares de terceira idade e os profissionais de saúde de primeira linha que trabalham em cuidados intensivos e enfermarias com doentes infetados.

O jornal Público adianta que, no total, o primeiro grupo inclui cerca de 750 mil pessoas a ser vacinadas – são cerca de 250 mil em cada um dos subgrupos.

O segundo grupo a ser vacinado inclui pessoas que tem entre 50 e 75 anos com doenças de risco de menor gravidade ou doenças crónicas, como cancro e diabetes, os restantes profissionais de saúde e outras pessoas que estão institucionalizadas. Além disso, serão vacinados 45 mil elementos das forças de seguranças e da proteção civil.

Assim, segundo a SIC, a task force exclui dos grupos prioritários as pessoas com mais de 75 anos porque não foi provada a eficácia das vacinas nesta faixa etária. Por outro lado, os idosos residentes em lares fazem parte dos grupos prioritários, dado que são especialmente suscetíveis devido à idade e às doenças associadas e tendo em conta a gravidade que os surtos têm provocado nestas instituições.

Esta sexta-feira, o primeiro-ministro António Costa veio a público rejeitar a possibilidade de todos os maiores de 75 anos sem doenças graves não terem acesso prioritário às vacinas, alegando que “há critérios técnicos que nunca poderão ser aceites pelos responsáveis políticos”.

Não é admissível desistir de proteger a vida em função da idade. As vidas não têm prazo de validade”, declarou António Costa à agência Lusa, depois de questionado sobre a possibilidade “Há critérios técnicos que nunca poderão ser aceites pelos responsáveis políticos”.

Em relação aos locais onde a vacina vai ser administrada, o Público avança que os utentes serão vacinados nos centros de saúde.

A DGS decidiu dividir a vacinação em grupos para facilitar a logística da distribuição da vacina, dado que os países vão ter disponíveis os tratamentos por tranches. O documento que define os grupos prioritários para a vacina de covid-19 já foi entregue ao Ministério da Saúde.

A task force, que volta a reunir-se esta sexta-feira, baseou-se na análise dos internamentos em cuidados intensivos e nos estudos que existem que apontam as doenças pré-existentes associadas a casos mais graves da doença. Nos cuidados intensivos, a maior parte dos internados têm entre 50 e 79 anos. Nas doenças associadas a casos mais graves de covid-19, destacam-se as insuficiências renais e cardíacas e a doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC).

DGS propôs vacinar idosos em quinto lugar

O semanário Expresso avança esta sexta-feira que o plano preliminar da DGS, apresentado por Graça Freitas ao Conselho Nacional de Saúde Pública na semana passada, propunha vacinar as pessoas com mais de 65 anos depois de quatro grupos na primeira linha, incluindo as pessoas saudáveis e com uma idade menos avançada, entre os 60 e os 64 anos.

Segundo o mesmo jornal, alguns dos 22 peritos presentes na reunião pediram que o plano preliminar fosse ignorado de imediato.

“Jamais deveria ter sido apresentado, ali ou em parte alguma. É chocante que o grupo de risco mais referido surja no último lugar”, afirmou um dos presentes sob anonimato, em declarações ao Expresso.

Segundo o plano apresentado pela Diretora-Geral da Saúde, na dianteira estavam os profissionais de saúde mais expostos ao vírus, seguidos pelos funcionários dos lares. Depois, surgia a população dos 50 aos 59 anos com fatores de risco, como os doen­tes crónicos; de seguida, as pessoas dos 60 aos 64 sem comorbilidades, e, por fim, os idosos a partir dos 65 anos.

“A vacina pretende no imediato prevenir as formas graves e a mortalidade por covid, e são os mais idosos que mais correm esse risco, pelo que têm de estar entre os primeiros a vacinar”, defendeu um dos especialistas.

Segundo o Expresso, alguns peritos presentes deixaram claro que vão ceder a sua dose a idosos caso a proposta fosse avante.

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1.422.951 mortos resultantes de mais de 60,4 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa de notícias AFP. Em Portugal, morreram 4.209 pessoas dos 280.394 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da DGS.

ZAP //

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8 COMENTÁRIOS

  1. Os que têm mais de 75 anos, mais conhecidos coo peste grisalha, que só recebem reformas, já o bloco que esquerda queria matar há muito.

    • Caro leitor,
      Obrigado pela sugestão.
      Se sentíssemos necessidade de traduzir o termo “task force” por uma expressão portuguesa, provavelmente escolheríamos a expressão “grupo de trabalho”.

  2. Concordo. Também acho que “grupo de trabalho” ficaria melhor. Na altura só me lembrei da expressão que costumo ler noutros locais. Provavelmente, são sites que usam o português do Brasil. De qualquer modo, eu defendo que não se deve usar estrangeirismos quando existem as versões portuguesas, a não ser, infelizmente, em casos já assumidamente correntes, como, por exemplo, “site”, palavra derivada do latino “situs” (sítio).

  3. Há que investigar se os membros dessa “comissão técnica independente” não serão proprietários de agências funerárias ou com elas colaboram.

  4. Os trogloditas do poder atracaram de novo: com a sabedoria da rola, meia dúzia de iluminados tomo decisões que põem em risco a vida das pessoas, porque sim…!
    Estamos entregues aos bichos.

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