Juncker diz que Portugal recusou discutir dívida grega antes das eleições. Passos nega

Carlos Barroso / Lusa

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, revelou, numa entrevista ao diário belga Le Soir, publicada esta quarta-feira, que Portugal se opôs a que um alívio da dívida pública grega fosse discutido antes das eleições legislativas. Passos Coelho diz que deve ter havido alguma confusão.

Numa entrevista focada nas longas negociações com a Grécia, que segundo o presidente do executivo comunitário só terminaram com um acordo devido ao “medo”, Juncker, questionado sobre a questão da (in)sustentabilidade da dívida grega, revelou que, pessoalmente, pretendia que uma discussão sobre a questão tivesse ficado desde já agendada para outubro, ideia que mereceu a oposição de Irlanda, Espanha e Portugal.

“Eu disse há vários meses a Alexis Tsipras que a questão da dívida iria ser levantada, que iriamos resolvê-la, a partir do momento em que ele tivesse aplicado as primeiras medidas de fundo. Nas conclusões do Conselho, há uma frase que diz ‘após a primeira avaliação’. Eu, no primeiro texto que os gregos recusaram, disse outubro, para que Tsipras tivesse uma conquista. Mas essa data acabou por ser rejeitada, porque alguns países, Irlanda, Portugal, Espanha, não o desejavam antes das eleições”, disse.

“Deve haver alguma confusão”

O primeiro-ministro português considerou que “deve haver alguma confusão do presidente da Comissão Europeia” ao ter afirmado que Portugal se opôs a que um alívio da dívida pública grega fosse discutido antes das eleições legislativas.

Pedro Passos Coelho disse que o que estava previsto era que as negociações ocorressem no final de outubro: “Essas negociações aconteceriam sempre depois das eleições em Portugal“.

A elevada dívida pública da Grécia, que representa cerca de 180% do PIB, ou seja, quase o dobro da riqueza produzida, foi uma das questões mais polémicas ao longo das longas negociações entre Atenas e os credores internacionais, dividindo mesmo as instituições, com o Fundo Monetário Internacional a reclamar um alívio ou mesmo perdão parcial da dívida, que classifica da insustentável, algo que é rejeitado por países como a Alemanha.

No compromisso finalmente acordado a 13 de junho, na cimeira da zona euro, sobre um terceiro programa de assistência à Grécia, ficou consagrado que a questão da dívida — que poderá vir a ser aliviada através de um prolongamento dos prazos de pagamento e redução dos juros aplicados — será analisada apenas depois da primeira avaliação ao terceiro programa de assistência, se esta for satisfatória.

Portugal e Espanha têm eleições legislativas este ano, sendo que, no caso português, a data do sufrágio (27 de setembro ou 04 de outubro) será hoje anunciada pelo Presidente da República.

/Lusa

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13 COMENTÁRIOS

  1. Antes de mais gostaria de lembrar que já se perdoou parte da dívida aos gregos. Se a UE quer discutir a dívida grega ou um eventual novo perdão aos gregos, tem primeiro de discutir a dívida portuguesa, a espanhola, a Irlandesa, a Cipriota que tem sido honestos e cumpridores e só depois a dívida grega que não têm feito nada para sair da situação em que eles próprios se meteram. Acho muito bem a posição do governo português e acho que ainda deve endurecer mais a sua posição em relação à dívida grega. Porque é bom que alguns portugueses, que tanto falam dos gregos e nem uma palavra para os sacrifícios dos portugueses, se lembrem que nós estamos e vamos estar a pagar por muitos anos a nossa dívida que nós a criamos, porque é a nossa obrigação como povo honesto e credível pagarmos o que nos emprestaram. E o mesmo se aplica aos gregos e a qualquer outro povo, ou seja, assumir as responsabilidades pelas asneiras que fizeram e deixarem de se lamentar.

    • Obviamente… Com a diferença de antes de haver outro novo perdão a Grécia deve primeiro dar alguns passos no sentido das reformas acordadas no novo programa… É o que o Parlamento grego está a fazer, a correr, para que possa receber os 85 Mil Milhões do 3º resgate… Também era melhor que portugueses com um rendimento per capita inferior aos dos grego, saído de um resgate, tenham que perdoar reembolsos por incumprimentos dos “srs e srªs, gregos!

  2. Por princípio é de acreditar no Junckers, uma vez que o Coelho já mentiu tanto aos Portugueses, que esta será mais uma…

  3. Mais uma mentira do Passos Coelho. Nada a que ele não nos tenha habituado.
    Quanto às dívidas da Grécia, quanto se deve a juros especulativos e empréstimos aos ladrões do povo grego.
    Pensem no que se passa em Portugal e ponham os olhos no que é um povo a querer defender os seus interesses, contra os senhores da Europa e os seus sabujos que, mais tarde ou mais cedo vão ganhar dinheiro como funcionários europeus.

  4. Foste apanhado, rapaz! Tsipras já tinha afirmado isto mesmo, antes do referendo, referindo-se às eleições em Portugal e Espanha. Hás de morrer a mentir, Passos!!

    • Concordo consigo ANA B. Quanto ao ”nosso amigo” Passos, não é nada a que não estejamos já habituados. Lembra-se de ele recentemente ter afirmado que foi dele a ”ideia” sobre o recurso ao Fundo Europeu de Resgate para desbloquear o financiamento à Grécia??? !!! . . . Eheheheheheh

  5. Eu acredito no mentiroso compulsivo. Ele é o maior vigarista da história de Portugal. E o pessoal que nele votar obterá o que merece.

  6. Coitadito deste AC e de outros A C”S que estão aqui entretidos a dizer asneiras.
    FORÇA GRECIA meninos do coro ae alunos bonzinhos temos cá muitos.
    Bonzinhos é igual a lambe botas.

  7. É só mais uma mentirazinha!…
    Aliás, essa posição em relação à divida grega já era do conhecimento publico…
    E, o pior é que o “esquentador” luxemburguês, não é melhor que o Passos..

  8. Do que aqui se “debita” é mais “boys” à deriva… Lá fora confirma-se que os de Coimbra já foram e os do Porto ao “intervalo” da contenda verifica-se um 40 x 37 ganham os BoysGALOS ao BoysGARNIZÉS

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