Hospitais não vacinaram durante três dias. Ordem dos Enfermeiros aponta o dedo ao desperdício de doses

Os hospitais portugueses não administraram vacinas contra a covid-19 nos primeiros três dias do ano por falta de doses. A Ordem dos Enfermeiros denunciou desperdício.

De acordo com o Correio da Manhã, o número de doses administradas a 31 de dezembro foi “residual” e o processo parou por completo em todo o país no dia 1, 2 e 3 de janeiro por falta de doses de vacinas.

Nos dias 26 e 28 de dezembro, tinham chegado a Portugal 9.750 doses destinadas a cinco centros hospitalares e 80.200 doses destinadas a hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Porém, todas as unidades que receberam as vacinas nestes dias conseguiram esgotá-las passadas entre 48 a 72 horas.

Por sua vez, segundo o CM, a Ordem dos Enfermeiros (OE) garante que houve desperdício. “Os enfermeiros, assim como os farmacêuticos, que são quem mais lida com vacinas, seguem sempre as recomendações dos fornecedores. A Pfizer diz que cada frasquinho dá para seis doses. Qual a razão para a maioria dos hospitais ter extraído apenas cinco?”, questionou a bastonária Ana Rita Cavaco, alertando que “se a sexta tivesse sido aproveitada não tinham ido para o lixo milhares de doses”.

Na semana passada, o semanário Expresso revelou que a falta de uma norma da Direção-Geral da Saúde (DGS) que permitisse preparar seis doses por cada frasco da vacina da Pfizer obrigou a desperdiçar seis mil doses, mas o Governo negou a notícia.

“Conforme Nota do INFARMED de 30 de dezembro, a possibilidade de extrair 6 doses foi confirmada, permitindo a administração de 6 doses por frasco, desde que fosse sempre verificado e assegurado o volume de 0,3 ml previamente a cada administração. As doses devem ser retiradas em condições assépticas e utilizando agulhas e seringas apropriadas. Esta Nota foi divulgada e disseminada estando a ser praticada na administração desta vacina”, pode ler-se numa nota enviada às redações pelo gabinete da Ministra da Saúde.

Desta forma, “é, portanto, falso que Portugal tenha desperdiçado a 6.ª dose, conforme o Expresso noticia. Ainda assim, importa afirmar que a utilização da 6.ª dose cumpriu com todas as regras de segurança e qualidade aplicáveis à reconstituição e administração de fórmulas medicamentosas”, é referido.

Na madrugada de 4 de janeiro, chegaram cerca de 80 mil vacinas ao aeroporto do Porto, que foram rapidamente distribuídas nas unidades hospitalares e nos lares de idosos, que também iniciaram o processo com utentes e trabalhadores.

Somando as várias tranches que já chegaram, Portugal já recebeu cerca de 160 mil doses. Deste total, pelo menos 70 mil já foram administradas e outras 70 mil estarão reservadas para segunda toma de quem já recebeu a primeira.

Assim, sobraram cerca de 20 mil que estarão a ser administradas nas residências de idosos, uma vez que a grande maioria dos hospitais voltou a parar a vacinação no dia 7 por ter esgotado o stock, à exceção de hospitais como o Amadora-Sintra, Beatriz Ângelo e Garcia de Orta, que não receberam vacinas no dia 4 de janeiro e, por isso, o processo de vacinação parou em 2020.

Mais 80 mil vacinas chegaram a Portugal

Em declarações à Renascença, o coordenador do Plano de Vacinação contra a covid-19, Francisco Ramos, confirmou que chegaram esta manhã mais 80 mil vacinas a Portugal. Francisco Ramos confirmou ainda que esta semana chegam as primeiras 8.400 doses da vacina da Moderna.

O avião com o terceiro lote de vacinas da Pfizer-BioNTech aterrou no aeroporto do Porto.

Em Portugal, a campanha de vacinação contra a covid-19 iniciou-se a 27 de dezembro nos hospitais, abrangendo os profissionais de saúde e, entretanto, já se estendeu aos lares de idosos. A primeira fase do plano de vacinação, até final de março, abrange também profissionais das forças armadas, forças de segurança e serviços críticos.

Nesta fase serão igualmente vacinadas, a partir de fevereiro, pessoas de idade igual ou superior a 50 anos com pelo menos uma das seguintes patologias: insuficiência cardíaca, doença coronária, insuficiência renal ou doença respiratória crónica sob suporte ventilatório e/ou oxigenoterapia de longa duração.

A segunda fase arranca a partir de abril e inclui pessoas de idade igual ou superior a 65 anos e pessoas entre os 50 e os 64 anos de idade, inclusive, com pelo menos uma das seguintes patologias: diabetes, neoplasia maligna ativa, doença renal crónica, insuficiência hepática, hipertensão arterial, obesidade e outras doenças com menor prevalência que poderão ser definidas posteriormente, em função do conhecimento científico.

Na terceira fase, será vacinada a restante população, em data a determinar.

As pessoas a vacinar ao longo do ano serão contactadas pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Maria Campos Maria Campos, ZAP //

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