Governo nega que falta de norma da DGS tenha obrigado a desperdiçar seis mil doses da vacina

Abir Sultan / EPA

O semanário Expresso revelou que a falta de uma norma da Direção-Geral da Saúde (DGS) que permita preparar seis doses por cada frasco da vacina da Pfizer obrigou a desperdiçar uma quantidade que daria para vacinar seis mil portugueses. O Governo nega a notícia.

Segundo o jornal Expresso, o desperdício “é generalizado entre os países europeus e deve-se à inércia da Agência Europeia de Medicamentos em aprovar o pedido do primeiro laboratório fornecedor, Pfizer, para que sejam preparadas seis e não cinco doses por frasco”.

O pedido de alteração das doses foi entregue ao regulador europeu no dia 30 de dezembro, mas continua sem resposta, segundo o jornal.

O Infarmed encontrou uma solução interna e já autorizou a preparação de seis doses por frasco, um procedimento que ainda não está em prática por falta uma norma da Direção-Geral da Saúde (DGS).

Em declarações ao Expresso, o coordenador do Plano Nacional de Vacinação contra a covid-19, Francisco Ramos, confirmou a necessidade de haver uma norma para permitir o fim do desperdício de uma dose por frasco, mas garantiu que a orientação “está pronta para ser publicada”.

Segundo o Expresso, até terça-feira, “tinham sido administradas 32 mil vacinas, ou seja, foram abertos seis mil frascos, e de cada um foi deitada fora uma dose“.

Em resposta à notícia do Expresso, o Governo emitiu um comunicado, negando que tenha havido desperdício.

“Conforme Nota do INFARMED de 30 de dezembro, a possibilidade de extrair 6 doses foi confirmada, permitindo a administração de 6 doses por frasco, desde que fosse sempre verificado e assegurado o volume de 0,3 ml previamente a cada administração. As doses devem ser retiradas em condições assépticas e utilizando agulhas e seringas apropriadas. Esta Nota foi divulgada e disseminada estando a ser praticada na administração desta vacina”, pode ler-se numa nota enviada às redações pelo gabinete da Ministra da Saúde.

Desta forma, “é, portanto, falso que Portugal tenha desperdiçado a 6.ª dose, conforme o Expresso noticia. Ainda assim, importa afirmar que a utilização da 6.ª dose cumpriu com todas as regras de segurança e qualidade aplicáveis à reconstituição e administração de fórmulas medicamentosas”, é referido.

A vacina da Pfizer foi a primeira a ser autorizada e a chegar a Portugal. A da Moderna, que também implica duas administrações, começa a ser entregue na próxima semana (260 mil unidades até março) e está pronta a usar. “Vai chegar em embalagens de cinco ou dez unidades (doses) e não requer reconstituição”, adianta Francisco Ramos.

 

Em Portugal, a campanha de vacinação contra a covid-19 iniciou-se em 27 de dezembro nos hospitais, abrangendo os profissionais de saúde, e já se estendeu-se aos lares de idosos. A primeira fase do plano de vacinação, até final de março, abrange também profissionais das forças armadas, forças de segurança e serviços críticos.

Nesta fase serão igualmente vacinadas, a partir de fevereiro, pessoas de idade igual ou superior a 50 anos com pelo menos uma das seguintes patologias: insuficiência cardíaca, doença coronária, insuficiência renal ou doença respiratória crónica sob suporte ventilatório e/ou oxigenoterapia de longa duração.

A segunda fase arranca a partir de abril e inclui pessoas de idade igual ou superior a 65 anos e pessoas entre os 50 e os 64 anos de idade, inclusive, com pelo menos uma das seguintes patologias: diabetes, neoplasia maligna ativa, doença renal crónica, insuficiência hepática, hipertensão arterial, obesidade e outras doenças com menor prevalência que poderão ser definidas posteriormente, em função do conhecimento científico.

Na terceira fase, será vacinada a restante população, em data a determinar.

As pessoas a vacinar ao longo do ano serão contactadas pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Maria Campos ZAP // Lusa

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