“Não estamos às escuras”. Graça Freitas rejeita inação no caso do lar de Reguengos

José Sena Goulão / Lusa

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, na Comissão de Saúde

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, foi esta quarta-feira ouvida numa audição conjunta entre a Comissão da Saúde e a Comissão de Trabalho e Segurança Social.

Em resposta ao CDS, que questionou a diretora-Geral da Saúde sobre a existência ou não de um plano de contingência no lar de Reguengos de Monsaraz — onde morreram 18 pessoas — e que lições tirou relativamente aos casos de covid-19 em lares de idosos, Graça Freitas sublinhou a importância da existirem planos de contingência nos lares de idosos, indicando que têm “duas vertentes fundamentais”: as medidas preventivas e indicações para o que fazer quando surge um casos suspeito.

Por outro lado, a diretora-geral da Saúde sublinhou que “o papel” não serve para nada se as medidas previstas nesse plano não estiverem interiorizadas. “Ter um plano de contingência, mas que não está sabido, nem interiorizado, nem treinado, é inútil”, afirmou Graça Freitas.

A diretora-Geral de Saúde referiu que uma das lições aprendidas “é estar atento ao mínimo sinal de alerta” para se perceber se existe um caso suspeito. “A rapidez da intervenção é fundamental, quer para quem dá o alerta, quer para quem tem de intervir.”

Graça Freitas assumiu que foram encontradas “bastantes deficiências” e “constrangimentos”, mas indicou que houve “um grande esforço” para que isto fosse ultrapassado. “Eu não enjeito nenhuma responsabilidade, mas não atiro responsabilidade para ninguém”, afirmou.

Graça Freitas garantiu ainda que “não houve inação” no caso do lar de Reguengos, indicando que os problemas foram “sucessivamente corrigidos”. “Não houve inação. Todos os intervenientes foram colmatando as dificuldades que foram encontrando.”

Aliás, no lar de Reguengos, “a intervenção em termos de testagem foi muito rápida”. Graça Freitas referiu que “provavelmente” antes de ser detetado o primeiro caso no lar, “houve pessoas” com sintomas ligeiros que “se calhar” passaram despercebidos e considerou que a intervenção no lar de Reguengos foi “bastante precoce” e com uma política de testagem intensiva.

Há 51 surtos ativos em lares e 12 em escolas

Graça Freitas adiantou que existem atualmente 51 surtos ativos em lares de idosos e que é expectável que ocorram mais casos. A doença, por norma, entra nos lares de idosos através da comunidade e que “quantos mais casos uma comunidade tiver maior a probabilidade” de entrar num lar.

Além disso, às 0h de dia 28 de setembro, havia 12 surtos ativos em escolas que envolveram 78 pessoas. Destes surtos, 5 foram detetados na região Norte, 1 na região Centro, 6 em Lisboa e Vale do Tejo.

Graça Freitas afirmou ainda que “o país não vai ser igual no próximo inverno”, referindo que é necessário ter “uma preocupação acrescida” nos locais onde o vírus está mais ativo e que está a ser feito um contacto regular com as autoridades de saúde para se fazer “uma estratificação do risco”.

A diretora-geral afirmou ainda que a taxa de letalidade em Portugal “compara muito bem” com a de outros países e indicou que a taxa de letalidade para pessoas com mais de 80 anos é de 17,42. Comparando com os outros países, Portugal ocupa a 13ª posição, ainda que essa posição vá variando “conforme as alturas”.

“Nós não estamos tão às escuras como se poderá pensar”, afirmou Graça Freitas. Segundo a diretora-geral, Portugal foi provavelmente “o único país” da Europa em que não houve interrupção na transmissão diária dos dados, argumentando ainda que o sistema de informação do país “não é perfeito, mas é robusto”.

Em relação aos testes rápidos, Graça Freitas referiu que o Infarmed tem “quatro testes em fase de licenciamento que cumprem critérios de sensibilidade que são aceitáveis”.

Relativamente às vacinas contra a gripe, Graça Freitas indicou que a campanha de vacinação é algo que tem de ser feito “gradualmente”. Os enfermeiros farão a vacina e, no caso dos lares, se as instituições tiverem profissionais de enfermagem suficientes para fazerem a vacinação, serão os centros de saúde a fornecer as vacinas e estes profissionais a aplicarem-nas.

Para a primeira fase da vacinação contra a gripe, existem 335 mil doses e serão suficientes para os grupos de risco.

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