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Entre risco e recompensa, direita mantém-se incerta perante chumbo do Orçamento

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Estela Silva / Lusa

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A esquerda arrisca perder votos caso suceda um cenário de eleições antecipadas com um eventual chumbo do OE. À direita, por sua vez, paira a incerteza.

O cenário tem sido equacionado frequentemente nos últimos tempos. Anda sem um consenso quanto ao Orçamento do Estado para 2022, abre-se a porta uma crise política e a eleições antecipadas. Os partidos de esquerda podem ser penalizados pelo eleitorado.

“O PCP não pode senão temer eleições”, avisa Marina Costa Lobo, investigadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, que salienta ainda que o Bloco de Esquerda também se enquadra neste grupo.

Pode-se repetir até o cenário de 2011, ano em que os bloquistas chumbaram o PEC IV, levando à queda do Governo de José Sócrates. O Bloco acabaria por ser “responsabilizado nas urnas”, sublinha a investigadora em declarações ao Expresso.

Se, por um lado, poderemos ver a esquerda a cair, por outro, a direita política pode-se continuar a erguer. Os ventos das últimas eleições autárquicas trouxeram um bom resultado para os partidos de direita, que ambicionam agora palcos maiores.

“O eleitorado de esquerda não deixaria de punir quem pensar que foi responsável — e isto remete para o PCP e para o BE”, diz o politólogo António Costa Pinto ao semanário.

Aproximam-se eleições internas no PSD e no CDS e a vitória na câmara de Lisboa é vista como sinal de “novo ciclo”. O resultado na capital pode-se repetir em eleições antecipadas — em que haverá “algum desalento” do eleitorado de esquerda e um “reforço da abstenção”, prevê Paula Espírito Santo, professora do Instituto de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP).

Ainda assim, mesmo que esteja num ímpeto, este pode não ser o momento ideal para a direita ir a eleições, considera António Costa Pinto.

“O PSD ganha com o tempo. Não apenas ele, mas também o CDS, na construção de um modelo de coligação pré-eleitoral entre os dois”, adianta, uma vez que “não há dinâmica de acordos sem a clarificação e a reunificação do PSD”.

  Daniel Costa, ZAP //

4 Comments

  1. E por que razão só culpar PCP e Bloco quando o senhor Costa excluiu negociar com os partidos mais à sua direita? Portanto, terá que ser ele o principal responsável por qualquer crise que aconteça, foi a opção que tomou terá que assumir as consequências e não sacudir a água do capote como tanto gosta de fazer!

    • Muito bem observado. Mas como sempre, atira as culpas dos seus desmandos para cima de outros que estejam mais a jeito…

    • Bem visto, até porque o PS e o PSD são quase a mesma coisa e, portanto, o Costa excluiu negociar o orçamento com o partido que é mais parecido com o seu…

    • Como alguém muito conhecido já disse uma vez ou duas,
      “em política o que parece É!”
      Por isso, basta parecer que o culpado é X, não interessa (ao povinho) se tem razões ou não. B+A = BA

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