Ameaças, “bluffs” negociais, recados e um aviso sério de Marcelo. As contas do OE2022 nos bastidores

Manuel de Almeida / Lusa

Catarina Martins, Jerónimo de Sousa, António Costa

PCP e Bloco de Esquerda ameaçam chumbar a proposta do Governo do Orçamento de Estado para 2022 (OE2022), mas pode ser só um “bluff” negocial. Enquanto isso, vários ministros pressionam os aliados da esquerda, com recados, e Marcelo Rebelo de Sousa já deixou um aviso sério.

Os bastidores do Parlamento andam ao rubro com as negociações em torno da proposta de OE2022 que o Governo apresentou nesta semana. PCP e Bloco de Esquerda assumiram, de forma frontal e inédita, que podem chumbar o documento, manifestando a insatisfação com as medidas apresentadas.

Nos últimos anos, as negociações do OE decorreram sempre até à última hora. Mas, de forma algo imprevista, Bloco e PCP resolveram, desta vez, adiantar-se com a ideia de um chumbo à proposta para 2022.

Só o tempo dirá se esta ameaça é para ser levada a sério, ou se será apenas um “bluff” negocial, com o intuito de pressionar o Governo a aceitar as suas exigências.

O facto de o Governo ter alguma margem para “esticar a corda”, neste Orçamento, poderá justificar a atitude de comunistas e bloquistas. E é seguro que o Governo conta com eles para a aprovação do documento.

Ministros pressionam Bloco e PCP

O ministro de Estado e da Economia, Pedro Siza Vieira, reforçou, em declarações à RTP1, que o Governo não conta com o PSD para a aprovação do OE2022, pressionando, ao mesmo tempo, o Bloco e o PCP.

Siza Vieira referiu ter a “absoluta convicção de que os eleitores destes partidos não perceberiam que, depois de termos ultrapassado uma crise tão significativa e tão dramática, não fossem capazes de viabilizar esta proposta de Orçamento“.

O ministro da Economia também elogiou a proposta do Governo, notando que “aumenta o investimento público, apoia o investimento privado, melhora os rendimentos das famílias, aposta nos mais jovens, melhora os serviços públicos e o Serviço Nacional de Saúde”.

Contudo, Siza Vieira abriu a porta à negociação, notando que se pode “fazer mais algum esforço aqui ou ali” e assumir “compromissos”.

“Há um caminho a fazer para o qual estamos completamente disponíveis“, salientou também a ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, em entrevista ao jornal Público e à Rádio Renascença.

“A nossa expectativa é que [o OE2022] possa ser aprovado depois dessa negociação”, vincou ainda a governante, realçando, contudo, que o documento “responde a muitas das preocupações que têm sido sinalizadas” pelo Bloco e pelo PCP.

Assim, Mariana Vieira da Silva entende que o OE2022 “tem uma marca de esquerda bem visível”.

A ministra também alertou que o Governo só pode ir até um certo ponto, defendendo que “um Orçamento do Estado só é bom se for feito num cenário de contas públicas equilibradas”.

O ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, já tinha dito que este é “um grande orçamento para o país” e que “seria muito mau se não fosse aprovado”.

Chumbo pode fazer cair o Governo

Mais dramático na abordagem ao tema da aprovação do OE2022 foi o Presidente da República que trouxe à tona os riscos de uma potencial crise política.

Marcelo Rebelo de Sousa alertou que o chumbo ao OE2022 pode fazer cair o Governo, o que representaria “seis meses de paragem na vida nacional”, conforme notou.

Entretanto, o PSD coloca-se fora das negociações para a aprovação da proposta do Governo. “Tudo é decidido entre o PCP, o Bloco de Esquerda e o PS. Eles é que se encaminham desde 2015 e têm de resolver o problema”, vincou Rui Rio, líder do PSD.

Rio lembra, de resto, que o próprio António Costa “foi o primeiro a dizer, há um ano e tal, ainda antes do OE2021, que as negociações eram todas à esquerda e que no dia em que precisasse de um voto do PSD para passar o Orçamento, o Governo dele acabava“.

“Não temos hipótese nenhuma de resolver nada”, concluiu, assim, o presidente do PSD.

O OE2022 vai ser votado na generalidade, no Parlamento, no próximo dia 27 de Outubro. A votação final global está marcada para 25 de Novembro.

  ZAP //

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3 COMENTÁRIOS

  1. Que cambada… desde o PR ao ao idiota do PNSantos e ao mentiroso do Kostinha do kastelo… juntando os esquerdistas todos a fazerem chantagem à descarada… tudo da mesma raça… nunca mais nos livramos desta gente que nos desgoverna…TRISTEZA

  2. É a sério? O PCP e o BE votarão contra a proposta do OE do Governo com base em fortes motivos políticos. Por exemplo, alguém tem de salvar o SNS. Um facto é que os melhores dos melhores médicos e enfermeiros estão a ir para o setor privado de saúde humana. Não é assim?

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