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Na luta contra a pandemia, Taiwan tinha alguns trunfos na manga (e o conflito com a China era um deles)

A resposta de Taiwan no combate à pandemia de covid-19 tem sido elogiada por profissionais de saúde pública em todo o mundo. Os conflitos geopolíticos com a China, a experiência em doenças respiratórias e a transparência do Governo foram alguns dos trunfos que o país tirou da manga.

Tal como os países vizinhos, como é o caso da Coreia do Sul e de Singapura, Taiwan respondeu à covid-19 de uma forma que pode ser imitada no resto do mundo. O país asiátivo conteve a doença, iniciando uma ação rápido, coordenando a resposta do Governo ao vírus e comunicando abertamente com os seus cidadãos.

Numa sociedade de cerca de 24 milhões de pessoas, Taiwan registou apenas 449 casos de covid-19 e sete mortes. Esses números são notáveis, uma vez que Taiwan se localiza a menos de 160 quilómetros da costa da China continental, onde o surto começou.

Taiwan exportou a sua experiência e suprimentos médicos para todo o mundo. Para os líderes mundiais que procuram imitar a estratégia de Taiwan, há que entender que o país tinha vários trunfos na manga, que lhe permitiram conter com sucesso a covid-19.

De acordo com um artigo de opinião publicado no jornal norte-americano CNN, o primeiro trunfo foi o conflito geopolítico entre Taiwan e o continente, oficialmente a República Popular da China, que considera a ilha autónoma como parte do seu território.

Este conflito alimentou o ceticismo de Taiwan sobre as declarações de Pequim. Quando as notícias sobre um novo coronavírus em Wuhan foram divulgadas em dezembro de 2019, Taiwan não se baseou nas declarações oficiais da China de que o vírus poderia ser controlado e que não poderia ser transmitido entre humanos.

Em vez disso, começou imediatamente a triagem de passageiros nos voos de entrada de Wuhan e movimentou-se rapidamente para identificar e isolar qualquer viajante que apresentasse sintomas da covid-19.

Além disso, Taiwan tem uma experiência significativa em lidar com surtos de doenças respiratórias. A ilha foi fortemente afetada pela Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) em 2003 e respondeu efetivamente à gripe H1N1 em 2009.

As autoridades entenderam a importância de responder rapidamente à doença, garantindo a disponibilidade de equipamentos de proteção, como máscaras, e protocolos para identificar casos do vírus e impedir a disseminação da comunidade.

Depois da SARS, Taiwan criou o National Health Command Center (NHCC), uma entidade encarregada de coordenar a resposta do Governo às crises de saúde. Na sua resposta, as autoridades de Taiwan enfatizaram a transparência e a forte coordenação e ativaram um escritório no NHCC, o Centro Central de Epidemias (CECC), para reunir e disseminar regularmente informações sobre o vírus e os seus efeitos, para que todos os residentes de Taiwan estivessem informados.

O Governo também incentivou uma resposta de toda a sociedade ao vírus, com os setores público e privado a trabalhar juntos para lidar com as crises de saúde.

Assim, Taiwan movimentou-se rapida e eficientemente para implantar medidas apropriadas contra a covid-19. Na ausência de uma vacina ou terapia eficaz, isto significava isolar rapidamente os casos, além de realizar rastreios de contacto completos e testes generalizados à população.

As autoridades de Taiwan incentivaram o uso universal de máscaras. O Governo aumentou a produção e controlou a sua distribuição, particularmente durante a fase inicial da crise, instituindo um rigoroso sistema de racionamento. Além disso, aplicou medidas de distanciamento social para ajudar a retardar a propagação do vírus e estabeleceu restrições de viagem.

Devido à sua forte resposta, a maioria dos casos do covid-19 em Taiwan foram importados – e não o resultado da transmissão na comunidade.

Embora os esforços de Taiwan para combater o covid-19 tenham sido bem-sucedidos, a China continua a restringir a sua capacidade de participar da Organização Mundial da Saúde (OMS), a entidade afiliada à ONU encarregue de responder às crises internacionais de saúde. A OMS foi criticada por não incluir Taiwan.

Taiwan também esteve no centro da polémica quando foi revelado que o país enviou um e-mail à OMS a alertar para a propagação de pessoa para pessoa. No entanto, o país terá sido ignorado.

  ZAP //

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