As quatro balas que mataram Marielle Franco foram compradas pela Polícia Federal

midianinja / Flickr

A vereadora brasileira Marielle Franco

As balas que mataram a vereadora e ativista dos direitos humanos do Rio de Janeiro, na passada quarta-feira, foram compradas pela Polícia Federal, informou a TV Globo esta sexta-feira.

Segundo uma reportagem exibida pelo RJ TV, um telejornal local da Globo, a perícia identificou a origem das munições com base nas cápsulas encontradas na cena do crime, que pertencem a um lote comprado, em dezembro de 2006, a uma empresa privada pela Polícia Federal de Brasília.

A mesma reportagem frisou que a perícia não viu sinais de modificação nas munições e que agora vai iniciar um trabalho de rastreamento deste lote. A Polícia Federal de Brasília e a Polícia Civil do Rio de Janeiro já emitiram um comunicado conjunto no qual afirmam que vão investigar a origem destas munições.

De acordo com o Público, que cita explicações da comunicação social brasileira, é comum organizações criminosas desviarem munições das autoridades ou até o reaproveitamento das cápsulas das balas.

Marielle Franco foi assassinada com quatro tiros de pistola, de calibre 09 milímetros, na cabeça, quando o carro em que viajava foi alvejado. O motorista, Anderson Gomes, também faleceu e a assessora que seguia no veículo, Fernanda Chaves, sofreu apenas ferimentos ligeiros provocados pelos estilhaços.

As autoridades policiais ainda estão a investigar o crime, mas já declararam que há sinais claros de que possa ter sido uma execução porque as vítimas foram seguidas e alvejadas sem que nenhum pertence delas tenha sido roubado.

O assassínio da vereadora do partido de esquerda Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) gerou grande comoção no Brasil e também no exterior. No Rio de Janeiro, centenas de pessoas acompanharam o velório e enterro de Marielle na quinta-feira. A cidade também foi palco de grandes manifestações que reuniram milhares de pessoas. Houve também protestos em São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Salvador e noutras capitais do país.

O caso também gerou comentários de repudio de membros do Governo brasileiro, com o Presidente Michel Temer a dizer que se tratou de um “ato de extrema covardia” e um verdadeiro atentado ao Estado de Direito e à Democracia brasileira. A ONU e organizações ligadas à defesa dos direitos humanos, como a Amnistia Internacional e a Human Rights Watch, também condenaram este assassinato.

Marielle Franco, reconhecida defensora dos direitos humanos, especialmente das mulheres negras, foi a quinta vereadora mais votada no Rio de Janeiro nas eleições municipais de 2016, com mais de 40 mil votos.

Depois de o Governo ter decretado uma intervenção na área de segurança pública do Rio de Janeiro, no passado dia 16 de fevereiro, a vereadora dirigiu várias críticas às abordagens da polícia nas favelas.

Socióloga de 38 anos, batizada de “filha da Maré” por ser originária da favela brasileira com o mesmo nome, uma das áreas mais violentas da cidade, era a relatora da comissão da Câmara de Vereadores do Rio criada para fiscalizar a intervenção militar.

ZAP // Lusa

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