Quem executou Marielle Franco, a Filha da Maré?

midianinja / Flickr

Sessão Solene em Homenagem à memória de Marielle Franco, em Brasilia

O Brasil chora a morte da vereadora do Rio de Janeiro que esta quarta-feira foi assassinada à saída de um evento no bairro da Lapa, na zona centro da cidade.

Esta quinta-feira, várias cidades do Brasil foram inundadas de protestos em homenagem à vereadora Marielle Franco que, durante a noite anterior, foi assassinada com quatro tiros na cabeça, quando seguia no banco traseiro de um automóvel.

Políticos, artistas e membros de várias ONG manifestaram-se contra o crime e a zona da Câmara dos Vereadores, onde a brasileira foi velada, encheu-se de populares que mostravam cartazes em que se lia “Quem matou Marielle Franco?”. Também foram realizadas homenagens em Buenos Aires, Montevidéu, Lisboa, Berlim, Londres, Amsterdão e Nova Iorque.

Juntamente com a vereadora da câmara do Rio de Janeiro, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), que saía de um evento no bairro da Lapa, na zona central da capital carioca, seguia o motorista Anderson Gomes, que também faleceu, e a assessora Fernanda Chaves, que apenas sofreu ferimentos ligeiros.

Para o Presidente Michel Temer, o assassinato da ativista de esquerda, conhecida por fazer duras críticas à atuação da Polícia Militar e da intervenção do Exército na segurança do Rio de Janeiro, foi um “ato de extrema covardia” e um verdadeiro atentado ao Estado de Direito e à Democracia brasileira.

“Trata-se do assassinato de uma representante popular que, ao que sei, fazia manifestações e trabalhos com vistas a preservar a paz e a tranquilidade na cidade. Nós decretamos a intervenção para acabar com este banditismo que se instalou na cidade”.

Marcelo Camargo / Agência Brasil

Sessão de solidariedade à vereadora Marielle Franco e ao motorista Anderson Gomes, assassinados no centro do Rio de Janeiro

O Presidente brasileiro também anunciou que o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, estará no Rio de Janeiro para acompanhar as investigações sobre a morte da vereadora, que tem indícios de ter sido uma execução.

“Quero dizer ao povo carioca, aos familiares da vereadora, aos seus amigos, aqueles que ao lado dela lutavam pelos direitos de todos e de todas, que vamos encontrar e punir os responsáveis por este bárbaro crime. Pelo tempo que for necessário e ao custo que for necessário, mas vamos fazer justiça à vereadora que tombou, fruto de um bárbaro crime e que nós envidaremos todos os esforços para que isso venha acontecer”, afirmou o ministro, durante uma conferência de imprensa no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC).

A Polícia Civil do Rio de Janeiro informou que o ataque foi feito por atiradores que estavam noutro automóvel e que dispararam indiscriminadamente e fugiram sem roubar nada.

Segundo O Globo, polícias da divisão de homicídios que estão a investigar o caso acreditam que os responsáveis pelo crime já sabiam o lugar exato que a parlamentar ocupava dentro do carro, apesar de a viatura ter vidros escurecidos.

Além disso, de acordo com as imagens das câmaras de videovigilância, os agentes concluem que o automóvel foi perseguido durante cerca de quatro quilómetros.

“Filha da Maré”

A ONU já condenou o assassínio da vereadora brasileira e do seu motorista. “Marielle foi uma reconhecida defensora dos direitos humanos que atuava contra a violência policial e pelos direitos das mulheres e das pessoas afrodescendentes, principalmente nas áreas pobres”, lê-se na nota assinada pela porta-voz do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), Liz Throssell.

As Nações Unidas pedem que as investigações “sejam feitas o mais rápido possível” e de forma “completa, transparente e independente”, para que os resultados “possam ser vistos com credibilidade”.

Marielle Franco, reconhecida defensora dos direitos humanos, especialmente das mulheres negras, foi a quinta vereadora mais votada no Rio de Janeiro nas eleições municipais de 2016, com mais de 40 mil votos.

Socióloga de 38 anos, batizada de “filha da Maré” por ser originária da favela brasileira com o mesmo nome, uma das áreas mais violentas da cidade, era a relatora da comissão da Câmara de Vereadores do Rio criada para fiscalizar a intervenção militar.

jeso.carneiro / Flickr

A vereadora brasileira Marielle Franco

Depois de o Governo ter decretado uma intervenção na área de segurança pública do Rio de Janeiro, no passado dia 16 de fevereiro, a vereadora dirigiu várias críticas às abordagens da polícia nas favelas.

Numa das suas últimas publicações, a vereadora denunciou alegadas abordagens indevidas de agentes policiais do 41.° Batalhão, em Acari. “O 41.° Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro está aterrorizando e violentando moradores de Acari. Nessa semana dois jovens foram mortos e jogados em uma vala. Hoje a polícia andou pelas ruas ameaçando os moradores. Acontece desde sempre e com a intervenção ficou ainda pior”.

Segundo o Diário de Notícias, Marielle viajaria amanhã para o Porto, onde era esperada para um encontro sobre feminismo no Consulado do Brasil da cidade. Em Portugal, já estão a ser convocadas várias concentrações em memória da vereadora do PSOL.

ZAP ZAP // Lusa

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11 COMENTÁRIOS

  1. Mas que raio eh isto???? Qual eh duvida de quem a matou??? Ha uma radio no bradil a jovem pan eh que o iluminado de um apresentador diz que foram aqueles que ela defendia, os moradores das favelas. Salta ah vista que foram os militares ou a policia. Mas ha duvidas???

    • Uai, tá de sacanagem só pode!!! Não será mais uma jogada do PT?!!! Sabes com quem ela era casada? Sabes as rivalidades dos gangues das favelas?. A quem interessava a morte dela? Certamente que não à direita e muito menos às FFAA. Sabes quantos milhares de brasileiros e policiais são assassinados anualmente? Se estás assim tão certo de quem a matou, ou desconheces o que se passa no Brasil ou gostas de atirar custo para o ar. Informa-te. morrem mais de 60.000 pessoas assassinada anualmente, e porque este alarido todo?. Não ouves uma única palavra ou manifestação dessa esquerda assassina e defensoras dos direitos dos “manos”. Ela morreu às mãos dos que ela defendia. Acérrima defensora nos bandidos e assassinos, racista extremista e muito mais…
      Provavelmente ouves as notícias da tv esquerdista, comunista, “Globobosta”, cujas notícias são completamente deturpadas da realidade e pior do que 100% falsas!

      • Pois é dá pata entender o seu pensamento. Por agora já se sabe que quem utilizava as munições daquela armas era a policia federal, portanto……
        Mas essa de ela ser morta por aqueles que ela defendia, nao lembra ao diabo.

        • Esquece-se de que existem vários “assaltos” ao armamento na própria policia federal. O Brasil é outro mundo meu caro (principalmente o Rio de Janeiro), existe muita (demasiada) violência e corrupção. Será muito dificil apurar responsabilidades, e tudo o que podemos fazer é especular.

  2. Em 18 de janeiro de 2002, o prefeito da cidade de Santo André do Partido dos Trabalhadores foi cruelmente assassinado, mas não houve a indignação, nem o levante social, que acontece agora com o assassinato da vereadora da cidade do Rio de Janeiro. Por que? Situações parecidas, comportamentos diferentes! O povo está mais reativo 16 anos depois ou é conveniente o levante social talvez para reunir a população “indignada” e induzir a outros movimentos convenientes neste momento, o que parecia não ser em 2002? O crime é sempre chocante e o que acontece no Brasil é lamentável: mata-se por um relógio, por um telemóvel, por um ponto de venda de droga, e muito mais motivos. Que todos estas pessoas assassinadas diariamente descansem em paz, apesar da dor de cada família despedaçada.

    • Nessa altura também houve “indignação”, mas esse também era um bandido corrupto, por isso não tem qualquer comparação com este caso!!!

  3. Infelizmente não sou juiz dos acontecimentos e meu conhecimento dos fatos limita-se ao que leio e avalio em diversos e diferentes canais de informação. Afirmar que o prefeito assassinado era um bandido corrupto é avaliação particular de alguns, movidos talvez pelo desejo de menosprezar o fato e a pessoa. Mas não, não houve movimento de indignação na ocasião do assassinato de Celso Daniel, muito pelo contrário, percebia-se um situação de “cala boca” da imprensa e dos partidos políticos e, em seguida, assassinatos mal explicados de gente envolvida no fato.

  4. Sobre o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco.
    “A vereadora carioca Marielle Franco, assassinada ontem à noite no Rio de Janeiro, era uma ultra esquerdista, com ideias nefastas e totalmente tortas, uma eterna defensora de bandidos, defendia liberação das drogas, era contra a intervenção federal na segurança do estado, defendia a doutrinação de esquerda nas universidades e escolas, pregava o ódio em tempo integral, pregava a divisão entre as pessoas – fosse entre brancos e negros, entre homens e mulheres, entre ricos e pobres.
    Sua última acusação foi através de uma postagem onde acusava a PM – como somente a esquerda e principalmente os psolistas sabem fazer -, mas nunca, em momento algum, se incomodou com a ocupação dos morros pelos traficantes, nunca questionou o absurdo da venda de drogas em mercado aberto nos morros, jamais se escandalizou com o total domínio dos traficantes, que andavam e ainda andam armados com armas de alto calibre pelas ruas de forma petulante, onde as pessoas têm de conviver com isso como se fosse algo natural.
    Não, ela nunca se comoveu quando traficantes invadiam as casas de moradores pobres e os obrigavam a esconder drogas e armas, ou quando estes traficantes expulsavam moradores de suas casas e as ocupavam; quando estes criminosos aplicavam “correções” em moradores, que segundo eles seriam “alcaguetes” ou “X9” na linguagem da malandragem, correções estas onde raspam as cabeças de mulheres, batem nos rostos, queimam com cigarros, espancam, cortam, ou seja, torturam – isso quando não simplesmente matam no micro-ondas (onde a vitima é envolta em pneus, encharcada com gasolina e queimada viva.
    Não, ela não virou santa porque morreu, e muito me decepciona ver pessoas que eu respeito no meio jornalístico louvando-a, se dobrando às patrulhas, demonstrando não terem personalidade. Que se lamente o assassinato, mas que não se enalteça quem em vida não fez por merecer ser enaltecida.
    Eu não sou jornalista, não sou político, não sou famoso, portanto não tenho nenhuma obrigação de bancar o hipócrita demagogo e dizer que sinto muito pela morte desta pessoa tão nociva, com pensamentos tão perturbados, ideias tortas, visão totalmente distorcida da realidade e sem moral alguma…

  5. Porque a ONU só defende esquerdopatas?!!! Houve alguma palavra da ONU sobre o bárbaro assassínio de Oscar Perezos e outros do Maduro na República Bolivariana da Venezuela?!!! São apenas 2 perguntas… quem sabe responder?!!!! Mediante a notícia aqui da ZAP, os “amigos” das ONU, interessaram-se de imediato pelo caso da Marielle!!!!! Dá que pensar… que tipo de organização é essa dita cuja!!!

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