Apoios mantêm-se “custe o que custar” (e TAP pode precisar de mais do que os 500 milhões)

António Pedro Santos / Lusa

O ministro das Finanças, João Leão.

O ministro das Finanças, João Leão, disse, em entrevista ao Jornal de Negócios e Antena1, que os apoios às empresas vão manter-se durante a pandemia e falou das situações da TAP e do Novo Banco.

De acordo com a entrevista publicada pelo Jornal de Negócios, o Governo pretende manter os apoios às empresas enquanto durar a crise sanitária de covid-19.

“[É importante] dar confiança às empresas. Enquanto tivermos a pandemia e a atividade económica estiver condicionada, os apoios mantêm-se. Custe o que custar”, disse João Leão. “É crítico dar essa garantia de que este apoios se vão manter enquanto for necessário.”

Sobre as moratórias, o ministro das Finanças falou da possibilidade de serem apontadas a setores específicos. “Portugal tem neste momento uma moratória geral até setembro, nesse sentido foi um dos países mais flexíveis. A moratória legal que o Governo aprovou abrange todos os setores. A partir de março, as empresas estão vinculadas a passar a suportar os juros, exceto nos setores mais atingidos.”

O ministro admitiu também que o Governo será mais seletivo quanto a moratórias, uma vez que prevê que o segundo semestre de 2021 “seja muito melhor”, com um crescimento “muito robusto”.

O governante aponta para um crescimento do PIB em 2021 idêntico ao anunciado esta semana pela Comissão Europeia, de 4,1%.

Segundo João Leão, que nega que o Governo tenha poupado na execução da despesa, o défice deverá manter-se “em torno dos 6,3%”.

TAP pode precisar de mais do que os 500 milhões

Em relação à TAP, o ministro das Finanças admitiu que a companhia aérea de bandeira portuguesa pode vir a precisar de mais dinheiro do que os 500 milhões inscritos no Orçamento do Estado para 2021 (OE2021).

“Isso está em análise. Admito que o valor possa ter de ser reponderado porque, neste momento, a pandemia está a ter um impacto muito mais forte do que era esperado”, afirmou João Leão. “A situação da TAP é de grande exigência, não só em Portugal, mas em toda a Europa. Em toda a Europa, os governos têm mobilizado apoios massivos para as suas companhias aéreas”.

Além do empréstimo do Estado de 1.200 milhões feito em meados do ano passado, o Ministério das Finanças inscreveu no Orçamento do Estado 500 milhões de euros para a TAP, uma verba inferior à que está prevista no plano de reestruturação apresentado no final do ano passado pelo ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos.

O plano conta com uma despesa global de 3,7 mil milhões de euros até 2025, dos quais 970 milhões a 1,16 milhões já em 2021, o dobro do que ficou inscrito no OE2021.

A empresa viu-se obrigada a suspender quase toda a sua atividade na sequência do novo confinamento, que deverá durar até março, e da proibição de deslocações para fora do país.

Ainda assim, João Leão mostrou-se confiante com o processo negocial que decorre em Bruxelas. “O Governo está a discutir o plano de reestruturação com a Comissão Europeia” e “procuramos que seja concluído o mais rapidamente possível”, disse.

“Vai implicar uma mudança estrutural muito significativa na empresa […] para garantir que a TAP se torna numa empresa rentável e consiga sobreviver a esta crise”.

Questionado sobre o Novo Banco, o ministro disse esperar transferir menos de 480 milhões para o banco, no âmbito da garantia pública negociada com o fundo Lone Star devido aos resultados de 2020, que ainda não foram anunciados. João Leão revelou ainda que Paulo Macedo vai manter-se à frente da CGD e admitiu ir buscar dividendos ao banco público.

Maria Campos, ZAP //

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12 COMENTÁRIOS

  1. Vai custar vai… o custo é menos dinheiro onde é preciso. Como no sns, nas escolas e na economia. Vai é custar ao ze tuga no pelo! Tudo por uma empresa que só se serve a si própria. Deviam era ter deixado cair a tap e fazer uma companhia aérea que servisse todos os portugueses em vez da elite alfacinha.

    • Não é o Frasquilho, é sobretudo o PS que foi metendo lá dentro os boys do partido, durante anos. A TAP chegou a ter mais de 11.000 empregados. É como na função pública: saiu ontem a notícia que Costa já meteu lá para dentro mais de 20.000 empregados (quando o objetivo era reduzir).

  2. TAP um poço sem fundo que o governo teima em manter acenando com pseudomedidas “Duras” que só duram até 2024 e a partir daí volta o regabofe dos salários milionários.

    • A TAP dificilmente terá hipótese de sobrevivência. Só se esfolarem ainda mais o contribuinte e enterrarem lá toneladas de dinheiro. Com aquela estrutura pesadíssima e comidos pela concorrência, só por milagre a TAP subsistirá.

  3. Com o PS é sempre esta história de “custe o que custar”.
    Pudera, já dizia o outro, “as dívidas não são para se pagar”.

    Neste momento, as gerações dos 30 e 20 anos, além de não terem trabalho, já estão empenhados para toda a sua vida e não é para comprarem uma casa, coisa que não vão saber o que é ter.

    • A TAP é um sumidouro de dinheiro dos impostos dos portugueses. Estes gajos só para não mostrarem fraqueza, não se vão importar de injetar milhões e milhões. Por isso é que os nossos impostos não há meio de começarem a baixar.

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