100 mil testes por dia e usar 2 máscaras. Graça Freitas fala dos planos da DGS (e do que teria feito diferente)

Tiago Petinga / Lusa

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, falou, em entrevista ao jornal Público, sobre o alargamento da testagem e da evolução da pandemia de covid-19 em Portugal.

Numa entrevista ao jornal Público, divulgada este sábado, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, disse que esta quinta-feira havia apenas quatro mil inquéritos epidemiológicos por fazer. Em janeiro, recorde-se, eram 56 mil.

Depois das críticas de peritos na última reunião do Infarmed, a testagem em massa com testes rápidos de antigénio vai avançar, mas de uma forma “controlada” e “com regras”, segundo a diretora-geral da Saúde.

“Estima-se que se possam realizar diariamente cerca de 100 mil testes, quer PCR, quer testes rápidos de antigénio. Esta estratégia manter-se-á pelo tempo que for considerado pertinente, em função da evolução da epidemia”, afirmou Graça Freitas.

Questionada sobre um eventual desconfinamento, a responsável disse não saber “exatamente quando será o desconfinamento e se será gradual ou não”. “Ainda temos bastantes casos diários, ainda temos um número de mortes que, estando a diminuir, é grande e continuamos a ter pressão sobre os serviços de saúde. A primeira coisa que vamos ter de consolidar são estes valores e esta tendência decrescente nos três níveis”, explicou.

Já sobre a recomendação de utilização de duas máscaras simultaneamente, Graça Freitas disse que a Direção-Geral da Saúde (DGS) tem “dois grupos de peritos a estudar essa precaução, pelo medo das novas variantes.”

Em relação à recomendação de não dar a vacina da AstraZeneca aos maiores de 65 anos, que já foi rejeitada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a responsável disse apenas que “a Europa optou pela precaução até ter mais dados”.

Questionada sobre o que faria diferente se tivesse uma “máquina do tempo”, Graça Freitas respondeu que teria “tinha explicado bem a questão das máscaras para não ser citada tantas vezes, até à eternidade”.

Em março, recorde-se, a diretora-geral da Saúde disse que as máscara dão uma “falsa sensação de segurança” e “usar máscara não vale a pena, o distanciamento social é o mais importante” na proteção contra o novo coronavírus.

A responsável disse ainda que, quando disse que Portugal poderia chegar a um milhão de infetados, “era apenas um cenário. Se calhar podia ter dito isso de outra maneira”.

Graça Freitas disse ainda teria mudado o que disse quando afirmou “no início, que este vírus não chegaria” a Portugal. “Era o que estava dito em todos os papers do mundo, o que a OMS dizia, o ECDC e o CDC diziam”, defendeu-se.

“Sei em que dia e em que hora fui infetada”

Na mesma entrevista ao Público, Graça Freitas falou de como foi estar infetada em dezembro passado.

“Sei em que dia e em que hora fui infetada, foi na DGS. Os meus contactos sociais estão reduzidos a 10, não faço mais nada do que o movimento pendular daqui para casa. Estou convencida de que foi uma questão de ventilação, porque estávamos de máscara, a distância suficiente, pusemos álcool nas mãos. A única coisa que consigo intuir é que aquela sala estava fechada e basta ter havido uma pequena saída do vírus”, explicou.

Quanto aos seus sintomas, a responsável disse que sentiu “dores musculares intensas”, “tosse já quase quando estava a ter alta” e ” aquela sensação de fraqueza ao ponto de não se querer fazer nada”.

Sobre eventuais alterações pulmonares, Graça Freitas disse que “continuava a respirar da mesma maneira” e que conseguiu medir os seus níveis de oxigénio em casa com dois oxímetros. “Nunca baixou para valores perigosos, mas o certo é que houve uns dias em que estava a baixar”, rematou.

Maria Campos, ZAP //

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15 COMENTÁRIOS

  1. Só sai asneira..
    Usar duas máscaras mas nem uma usa quando está a falar aos jornalistas.

    É por gente deste calibre que Portugal é o que é e está onde está.. quase no 3º mundo.

      • Visto que ainda se sabe tao pouco do CV-19, especialmente no inicio, poderiamos colocar a hipotese de que as proprias autoridades de saude nacionais e internacionais, assim como todos os medicos que se limitam a seguir as directivas, tambem serem exemplo do efeito Dunning-Kruger. O mesmo se pode dizer sobre o facto de se querer vacinar toda a populaçao mundial saudavel, com estudos de meses, para uma doença que tem uma mortalidade media inferior a 3% no mundo.

      • Caro Manuel, o efeito de Dunning-Kruger não se “segue”, algo que saberia se soubesse que efeito se trata. É o efeito Dunning-Kruger em ação sobre a sua própria definição! Além disso 3% da população mundial são 240 milhões de pessoas, que pelos vistos pouco importam tendo em conta os alegados perigos das vacinas. É verdade que morreram cerca de duas dezenas de pessoas (em duas mil milhões de doses administradas até ao momento) devido a efeitos imprevistos de algumas vacinas, mas parece-me que 20 é um número ligeiramente mais pequeno do que 3.708.246 (mortes por COVID até ao momento), e razoavelmente mais pequeno que 240.000.000 (3% da população mundial). O que se conclui disto é que todos podemos criticar e todos podemos ter a nossa opinião, mas antes de a divulgarmos publicamente, é bom que estejamos informados. Caso contrário só acrescentamos ruído e só dificultamos a vida a quem está a tentar realmente resolver a situação. Cumprimentos.

    • É… E nem sequer penas que, se já é dificil respirar com uma, com duas ainda pior. A soilução continua a passar pelo uso de (uma) máscara, (que não usa) higieniização constante e, a mais importante e totalmente ignorada pela maioria da população… mundial: DISTANCIAMENTE SOCIAL!!! Se ela tivesse seguido essas regras (sim, tenho-as seguido, desde o inicio e tem-me custado muito ver o outros a não faze-lo) muito dificilmente teria ficado infectada! É… houve “uma pequena saída do vírus”. Que azar não foi?

      Nota: Com essa de duas máscaras (que não usarei porque tenho problemas respiratórios que me chegam) vai haver muita gente a precisar de ajuda porque terá dificuldades pulmonares. Essa ideia é absolutamete disparatada!!! Só mesmo dos americanos. Porque é que não copiamos as coisas boas em vez das más?

  2. O que eu sei ser Março de 2020 é que verdade anda sempre a mudar
    Agora parece que o grande problema são as variantes.
    Mas a gripe dita sazonal (aquela do inverno)
    Muda todos os anos. E todos os anos a vacina muda.

  3. Já em maio de 2020, admitiu que poderia ter recomendado anteriormente o uso de máscara em espaços públicos, e até em estabelecimentos comerciais – só a utilizava quem queria. Apenas a partir do terceiro dia é que esta ladra ganhou juízo.
    Que raio estará esta papagaia a fazer na linha de trás?

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