Ronaldo Bonacchi: “O voto não é mais importante do que a saúde”

Actor e comentador italiano repetiu a ideia: é cedo para declarar o fim da pandemia. Jair Rattner avisou: se os infectados votarem, pode surgir um problema.

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Chegamos ao mês das eleições legislativas, mais um acto eleitoral em Portugal durante a pandemia. Mas chegamos também a um mês em que, prevêem os especialistas, o número de casos positivos de COVID-19 vai aumentar substancialmente.

Muitas pessoas estarão isoladas, ou mesmo infectadas, quando chegar o dia do acto eleitoral (30 de Janeiro) e, por isso, supostamente não poderiam votar. Mas surgiu a possibilidade de ser aberta uma excepção.

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, já disse publicamente que poderá haver uma suspensão do isolamento para que todos possam votar no final do mês: “Veremos se é possível exercer o direito de voto em condições de segurança apesar do isolamento, isto é, suspendendo o isolamento para esse efeito”.

“Estão a ponderar se é possível ou não em tempo útil haver retoques legislativos que ajudem a enfrentar a questão”, continuou Marcelo Rebelo de Sousa, antevendo uma ideia que levanta dúvidas.

O assunto chegou ao programa O Esplendor de Portugal, composto por três comentadores – todos imigrantes – que também deixaram as suas questões.

Jair Rattner, depois de analisar os números actuais e de se centrar na variante Ómicron, chegou à questão política. E chegou ao eventual problema: “As pessoas vão poder votar? É um problema porque, se as pessoas que vão estar nas mesas de voto ficam contaminadas, aí vai ser um problema“.

António Costa, primeiro-ministro, anunciou nesta quinta-feira que as pessoas responsáveis pelas mesas de voto vão ter prioridade na dose de reforço da vacina contra o coronavírus.

“É um tema que, mesmo que não seja falado, está sempre presente. A forma como o Governo enfrentou esta situação vai ser julgada nas urnas”, avisou o jornalista brasileiro, no espaço da Antena 1.

Ronaldo Bonacchi, seguindo as ideias da reunião desta semana no Infarmed, repetiu a ideia de que “ainda é cedo para declarar o fim da pandemia” e também se centrou na possibilidade da suspensão de isolamento no dia 30: “Se se considera que os infectados devem continuar isolados, não podem votar em condições normais”.

E quais seriam as alternativas? “O acto eleitoral poderia ser adiado, poderia ser implementado um voto por correspondência ou voto electrónico à distância (não sei como). O facto é que não foi feito quase nada. O direito fundamental numa democracia, o voto, vai ser impedido a muitas pessoas… Mas não se devem abrir excepções. Porque o voto não é mais importante do que a saúde. O voto não é fundamental mas não é mais importante do que a saúde. Não sei… Talvez anular e marcar eleições para outro dia“, sugeriu o actor italiano.

Já Sara de Jesus Baptista concordou que o voto electrónico é uma opção mas avisou: “Não sei até que ponto o Governo, ou o país, estpa preparado para que isso aconteça. Não queremos depois as populações a duvidar do voto electrónico”.

A cientista tem dúvidas à volta do alívio das medidas, pouco antes do dia das eleições legislativas: “Porque repensar estas medidas agora faz sentido, quando noutras alturas não fazia sentido? Sendo, ou não, coincidência com o programa eleitoral. Mas estamos com uma variante menos letal, numa sociedade altamente vacinada. Estamos na altura de começar a pensar viver naturalmente. Mas não devemos ser indiferentes”.

  Nuno Teixeira da Silva, ZAP //

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