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Vacinação e os “batoteiros”. Chega quer explicações de Francisco Ramos, IL acusa-o de “incompetência”

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André Kosters / Lusa

Francisco Ramos, coordenador da task force da vacinação, considera “lamentável” que não tenham sido respeitadas as regras do plano de vacinação, mas insiste que o sistema não está responsável de “procurar batoteiros”.

Em entrevista à SIC Notícias no sábado à noite, Francisco Ramos, coordenador da task force da vacinação, considerou “lamentáveis” as situações em que não são respeitadas as regras do plano de vacinação. Porém, disse,  “este é um sistema que está montado para vacinar as pessoas, não para procurar os batoteiros”.

Em causa está a polémica em torno da vacinação de pessoas não prioritárias.

“Aquilo que foi feito esta semana foi solicitar à Inspeção-Geral das Atividades em Saúde que fizesse auditorias sobre o cumprimento destes critérios”, revelou.

Questionado sobre sequem se vacinou indevidamente vai receber a segunda dose, Francisco Ramos respondeu “claro que sim”. Qualquer outra coisa seria uma “justiça popular que faria pouco sentido”, disse o responsável.

Francisco Ramos sublinhou que e “não cabe a esta estrutura infligir castigos nessa matéria”, acrescentando que colocar em causa a segunda toma seria um “espírito vingativo” que apenas associa “àqueles 11% ou 12%” que votaram na candidatura de André Ventura nas eleições presidenciais do último domingo.

Para o responsável, só essas pessoas considerarão “imoral” que se dê a segunda dose em que levou a primeira sem que devesse ter levado. “Acho que os outros espero que tenham um sentimento de solidariedade prevalente sobre um sentimento de justiça popular que faz muito pouco sentido”.

Sobre o que deve ser feito na situação de sobras, Francisco Ramos explicou: “Vamos imaginar um lar com 94 pessoas para vacinar portanto é muito difícil – ou vai uma dose a mais ou quatro a menos. A orientação é clara: se faltarem doses de vacina em lares devem ser vacinados todos os residentes e alguns profissionais que não seja possível vacinar devem deslocar-se à unidade de saúde. Se sobrarem doses devem ser encontradas pessoas que estejam integradas na fase 1 de prioridade da vacinação”.”

Francisco Ramos revelou que é o número 2424 que irá enviar mensagens escritas por telemóvel relacionadas com o processo de vacinação. A partir da próxima semana será comunicado que esse é o único número “fiável, fidedigno” para receber contactos quanto à vacinação.

Quanto à decisão de não alargar o tempo entre a primeira e a segunda dose resultou de uma “discussão técnica” que não quis que tomasse uma “decisão isolada em Portugal” sobre essa matéria.

Chega pede explicações

O Chega pediu este domingo a audição no Parlamento de Francisco Ramos para dar explicações sobre “a total desorganização” em que diz estar a decorrer.

Na carta que enviou à presidente da comissão parlamentar de Saúde, o deputado André Ventura argumentou que são necessários esclarecimentos sobre os casos de vacinação de pessoas sem estarem na lista de prioridades, como aconteceu com o INEM Porto ou com políticos ligados ao PS, como o autarca de Reguengos de Monsaraz ou a diretora da Segurança Social de Setúbal.

Em vez de assumir responsabilidades, acusou o deputado, o ex-secretário de Estado da Saúde “opta por um discurso de ataque a intervenientes políticos cuja responsabilidade no processo de vacinação é rigorosamente nenhuma”.

Este domingo, também a Juventude Popular (JP) defendeu o afastamento de Francisco Ramo, que acusa de colocar “portugueses contra portugueses” e pede, por isso, a sua substituição pelas Forças Armadas.

“Colocar portugueses uns contra os outros, num momento tão difícil para o país, não só é imoral, como uma aldrabice. É inaceitável que a impunidade continue a imperar”, afirmou o líder da JP, Francisco Mota, em comunicado.

O dirigente da JP e do CDS-PP considera inaceitável que Francisco Ramos vá “rotular os portugueses que se indignam, e não são alguns, são todos, com esta sua falta de competência nos problemas com a vacinação” e com o “aproveitamento que dirigentes políticos fizeram de uma vacina a que ainda não tinham direito”.

Por isso, Francisco Mota quer que o Governo substitua Francisco Ramos por generais das Forças Armadas, que têm “experiência logística e organizacional”, que até permite “libertar centros de saúde e recursos do SNS”, seguindo o exemplo de outros países europeus.

A Iniciativa Liberal (IL) exigiu ao primeiro-ministro que assuma “as suas responsabilidades pela gestão calamitosa do plano de vacinação” contra a covid-19 e que está a “minar a confiança” dos portugueses no “combate à pandemia”.

Em comunicado, a IL exige a António Costa que “abandone definitivamente a abordagem arrogante e propagandística” e que “assuma as suas responsabilidades pela gestão calamitosa”, sem, no entanto, retirar qualquer conclusão.

O deputado do partido Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo

Os liberais também consideram “intolerável” que o coordenador do plano de vacinação, Francisco Ramos, “se permita insultar os portugueses que manifestam preocupação com o rumo do processo, colando-lhes intenções e agendas políticas para esconder a sua evidente incompetência”.

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“Inaceitável” é como a IL qualifica “o planeamento de distribuição das vacinas” por não incluir “uma metodologia de gestão das sobras que permita assegurar que não se desperdiçam doses não utilizadas e que não há aproveitamentos oportunistas ligados a lógicas de proximidade profissional, pessoal, familiar ou partidária”.

No comunicado, os liberais criticam e consideram “incompreensível” que pessoas com mais de 80 anos, só tenham “sido incluídos numa das prioridades mais altas depois de o Governo ter sido pressionado pela Comissão Europeia”.

  Maria Campos, ZAP // Lusa

2 Comments

  1. Tudo isto é muito “porteguesinho”. Define-se um plano de vacinação e, no terreno, surgem os oportunista que se fazem valer do poder que têm em algumas instituições para fazer batota. Isto não é fácil de controlar num país em que todos se manifestam publicamente contra a “cunha”, mas em privado muitos não hesitam em usá-la. Culpar Rancisco Ramos por esses acontecimentos é simplesmente procurar um “bode expiatório” para que tudo fique na mesma.

  2. Muito bom, muito bom mesmo! Ao nível do Tuga espertalhão que passa sempre por entre os pingos da chuva!! “Administrar vacinas ilegalmente, é crime?? Nada disso, quando muito é uma batota!! E é só para aqueles fascizoides do André Ventura! Aqueles 11 ou 12%! Pois está claro, então 12 não é uma dúzia?? O que valem uma dúzia de pessoas?? Batota?? Nada disso, nós somos democratas! Pensam que estão a falar com quem?!”

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