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Escolas e universidades fecham a partir desta sexta-feira. Governo reúne para acertar “detalhes”

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Rodrigo Antunes / Lusa

O Governo vai reunir esta quinta-feira com o Conselho de Ministros a partir das 9h30 e, no final, vai anunciar o encerramento de creches, escolas e universidades já esta sexta-feira.

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A decisão de fechar os estabelecimentos de ensino – algo que tem sido continuamente rejeitado pelo Executivo de António Costa – surge após uma reunião entre o primeiro-ministro, o ministro da Educação, a ministra da Saúde e a ministra da Presidência na quarta-feira após Costa ter voltado de Bruxelas.

De acordo com o jornal Públicotodo o sistema de ensino será encerrado, na sequência do aumento exponencial de novos casos de infecção e mortes por covid-19.

A ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, e a ministra da Saúde, Marta Temido, reuniram durante a tarde desta quarta-feira, por videoconferência, com “os peritos habitualmente auscultados nas reuniões do Infarmed para uma avaliação da actual situação epidemiológica”, segundo escreveu a Presidência do Conselho de Ministros no Twitter.

Segundo a nota, a reunião foi fundamental “para perceber e analisar a evolução recente da pandemia, nomeadamente no que respeita à presença da nova estirpe da covid-19, tendo em atenção possíveis medidas a adotar para inverter o crescimento acelerado da infecção”.

Depois desta reunião, as ministras reuniram com Tiago Brandão Rodrigues e com António Costa.

Depois da reunião, numa entrevista à RTP3, Marta Temido confirmou que o encerramento total das escolas é um dos cenários que vai estar em cima da mesa esta quinta-feira.

À agência Lusa, uma fonte do Governo confirmou o encerramento de todos os estabelecimentos de ensino, do Básico ao Superior, com efeitos a partir de sexta-feira.

“A informação que o Governo recebeu na quarta-feira, após reunião com epidemiologistas, foi considerada muito relevante e determinante para a decisão, tendo em conta o crescimento da variante britânica do novo coronavírus em Portugal“, salientou a mesma fonte.

O objetivo principal do Governo “é isolar todo o sistema escolar”, já que, “não havendo aulas, evita-se que as pessoas sejam forçadas a sair de casa”.

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Já o semanário Expresso alerta que a decisão “não está formalmente tomada”. Fonte do Governo avançou ao Expresso que a decisão está “sujeita a análise de detalhes” e que só é “eventualmente tomada esta quinta-feira em conselho de ministros”.

O Governo vai discutir se o calendário escolar pode ser ajustado com esta decisão, eventualmente prolongando-o por um período semelhante ao do encerramento que for decretado.

O encontro com epidemiologistas no Infarmed, que estava prevista para a próxima terça-feira, não se realizará, uma vez que a discussão foi antecipada para esta quarta-feira.

O primeiro-ministro admitiu esta terça-feira, no Parlamento, que pode avançar para o fecho destas instituições se estirpe inglesa, que é mais contagiosa, se tornar dominante.

“Neste momento é adequado proteger e garantir a educação desta geração. Quando a sobrevivência desta geração depender do encerramento das escolas é isso que será feito”, disse o primeiro-ministro António Costa.

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Fechar as escolas “é uma boa solução”

Presidente da República e recandidato ao cargo, Marcelo Rebelo de Sousa, considera que o encerramento das escolas “é uma boa solução, se for essa que for adotada no Conselho de Ministros”.

Questionado sobre essa possibilidade no final de uma entrevista no Porto Canal, Marcelo respondeu: “Como imagina, eu já tinha uma noção de que poderia acontecer. Eu penso que é uma boa solução, se for essa que for adotada no Conselho de Ministros, e pelos vistos a senhora ministra anunciou”, reagiu o chefe de Estado e candidato presidencial.

Segundo Marcelo, “é uma boa solução” encerrar as escolas porque “não é fácil distinguir entre ciclos e fechar A, não fechar B, fechar C, não fechar D” e porque “a disseminação social está a entrar nas escolas”.

“O número de turmas que estão em casa aumentou muito substancialmente nos últimos tempos, e alguns dos testes que começaram a ser feitos nas escolas parecem apontar para a prudência desse tipo de medidas. Mas está a dar-me a notícia. Eu não era suposto sabê-la e muito menos comentá-la aqui antes de o Governo decidir”, acrescentou.

Tiago Petinga / Lusa

Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República

Durante uma ação de campanha na Escola Secundária Pedro Nunes, em Lisboa, Marcelo disse que o Governo iria ponderar entre esta quarta e quinta-feira o eventual encerramento das escolas.

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“É uma questão que se vai colocar entre hoje e amanhã [quinta-feira] – não foi antes porque o primeiro-ministro não está em território português”, adiantou.

Pressão sempre a subir

A pressão para o Governo fechar as escolas tem subido nos últimos dias.

O presidente do PSD, Rui Rio, pediu esta quarta-feira ao primeiro-ministro, António Costa, que encerre as escolas, já a partir desta quinta-feira, como forma de conter a epidemia de covid-19.

“Faço-lhe um apelo público para que determine o encerramento das escolas” a partir de quinta-feira, escreveu Rui Rio, em comunicado.

Também os autarcas de Norte a Sul do país têm pressionado o Governo a decretar o encerramento dos estabelecimentos de ensino.

De acordo com o Diário de Notícias, na noite de quarta-feira, o presidente da Câmara Municipal de Cascais Carlos Carreiras incentivou no Facebook “todos os encarregados de educação” a não deixarem os jovens “frequentar aulas presenciais”.

Segundo o autarca de Cascais, “a situação está grave e não se perspetiva que melhore nos próximos dias”, pelo que “não devemos perder tempo”. Carlos Carreiras deu o exemplo da filha mais nova, que “amanhã já não vai às aulas”. Já a filha mais velha foi aconselhada pelo autarca a não deixar os seus netos “irem à escola a partir de amanhã”.

Já o Sindicato de Todos os Professores (STOP) marcou, segundo o Expresso, uma greve para 1 de fevereiro a exigir o encerramento das escolas num momento “gravíssimo” que o país atravessa com a pandemia.

“O Governo insiste nesta atitude irresponsável de manter as escolas abertas, o que é um sério risco para todos os profissionais das escolas, docente e não docente, os alunos e as suas famílias, e não queremos ser carne para canhão“, disse André Pestana, coordenador do STOP. “Se não é bom para os alunos perderem quatro ou seis semanas de ensino presencial, o que está em causa é pior se o Sistema Nacional de Saúde colapsar”.

Uma sondagem da Universidade Católica para o Público e para a RTP revela que 54% dos inquiridos concordam com a suspensão das aulas presenciais. No entanto, 38% disseram não estar de acordo com a mudança.

  Maria Campos, ZAP //

11 Comments

  1. Gostava de ter um governo que não andasse sempre a correr atrás do prejuízo. Confinou bem da primeira vez. A partir daí desconfinou mal, foi zigzagueante, com muitas medidas avulsas e contraditórias, sem rumo ou com rumo mal definido, apesar dos avisos e das previsões, com uma retórica política que não reconhece o erro e, por isso, os culpados são sempre os outros. Mau demais. É uma pena. À boa maneira portuguesa, cá vamos nós outra vez num “mais vale tarde do que nunca” e “depois de casa roubada trancas à porta”. Parece que não conseguimos melhor.

    • Verdadeiramente não confinou bem na primeira vaga. Se se recordar bem, foram os Portugueses que se barricaram em casa. O governo inicialmente era contra o confinamento. Apenas o adotou porque já era uma realidade no país.
      Os dicursos atuais pretendem alterar a verdade. Não foi graças a este governo que a primeira vaga correu bem. Foi graças aos Portugueses!

  2. Ora agora é que fizeram a bonita…Lá vamos ver os papás e as mamãs a passear com os meninos/as e andar de bicicleta….É para isso é que exigiram o fecho das escolas!
    Para não terem de levantar cedo para colocar os filhos na escolinha,e assim também não têm trabalho de os ir buscar…Já podem ficar mais tempo com o cú na cama…já podem passear á vontade com os filhotes…Uma salva de palmas a este Governo da Tanga!
    As escolas não são risco de contágio!Quem é risco de contágio é os ADULTOS!
    Os adultos que andam em todo o lado!
    O LUGAR DAS CRIANÇAS É NA ESCOLA!NÃO EM CASA!Se pensam que isto vai diminuir com o fecho das escolas…Estão muito enganados…Agora é que vão andar com as crianças para todo o lado!
    Já para não falar,que o ano lectivo anterior foi uma palhaçada!!!O que é que as crianças aprenderam???NADA!!!E já estamos a ir pelo mesmo caminho!Tristeza….

      • Você deve ser daquelas galdérias qie andam em todo o lado… Pois é…
        Você é que devia meter enfiar cabeça na mer**a por ter uma mentalidade de caca.
        É mais uma das que andam à boa vida.
        Tenho uma sugestão para si….Em vez de responder aos comentários das outras pessoas… Vá trabalhar! Só lhe faz é bem, e ainda faz algo de útil para a sociedade.
        E só mais uma coisa… Vá estudar para a escolinha… Porque você nem sequer sabe o verdadeiro significado de “Fanfarrona”… Ahahah… Se quiser eu ensino lhe. Eheheheh

  3. Ah muito bem!…Quem é mãe solteira e trabalha em geriatria(Idosos) ou supermercado,onde vai deixar os filhos se não se pode deixar com os avós(Aqueles que têm)??
    Vão dizer á entidade patronal que as escolas fecharam e têm de levar os filhos para o trabalho??Quem vai dar apoio a essas mães e ás crianças???
    Ah pois é….É só exigir o fecho das escolas e não se lembram dos outros!Só se lembram do próprio umbigo!

  4. Ganhou a pressão dos pseudo Técnicos, comentadores ofendidos por o Governo não atender à suas sapiência que por eles confessadamente nada sabem do Covid 19, os Açores de Rui Rio e André Ventura tem as Escolas fechadas e não melhora, mas um dia teremos de Pagar todas estas Piolhisses de Oposição de Políticos e “Técnicos” Armados em comentadores.

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