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Governo suspende atividade não urgente nos hospitais de Lisboa. Mais de 60 mil cirurgias urgentes estão em atraso devido à pandemia

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Giuseppe Lami / EPA

Numa altura em que o número de casos de covid-19 não pára de aumentar, são muitos os hospitais que estão prestes a pisar a linha vermelha. O Governo já tomou medidas.

Portugal registou ontem 10.027 novos casos de infeção com o novo coronavírus, o valor diário mais elevado desde o início da pandemia, e 91 mortes relacionadas com a covid-19, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS).

Neste sentido, o Governo suspendeu a atividade não urgente nos hospitais de Lisboa. O objetivo é que os hospitais da região de Lisboa e Vale do Tejo elevem os planos de contingência para o nível máximo.

A ministra da Saúde, Marta Temido, enviou uma circular para a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo com indicações para que se suspenda de imediato toda a atividade não urgente dos hospitais.

A decisão surge após a recomendação da Comissão de Acompanhamento da Resposta Nacional em Medicina Intensiva para a covid-19, na sequência de uma reunião realizada na terça-feira para analisar a situação epidemiológica e a ocupação de camas nesta região.

Segundo avança o DN, o Centro Hospitalar Lisboa Norte está a avaliar o reforço da sua capacidade, uma vez que tem 140 doentes internados, sendo que a capacidade máxima é de 160 camas.

De acordo com dados oficiais, o Centro Hospitalar Lisboa Central (CHLC)tinha na tarde desta quarta-feira 204 internamentos, estando assim perto da capacidade máxima, que é de 219 camas.

Marta Temido admitiu ontem no parlamento, durante o debate sobre o novo estado de emergência, que a situação epidemiológica atual mostra necessidade de “medidas excecionais”.

Também no Hospital de Évora, o afluxo de doentes com covid-19 subiu 40% entre o início e o fim de dezembro e deverá agravar-se, alertou hoje a responsável hospitalar, apelando ao transporte só de infetados que efetivamente necessitem.

“O apelo” é para que, “quem está positivo, mas que não necessita de cuidados hospitalares”, permaneça na sua residência, seja domicílio privado, seja lar, “até efetivamente ter sintomas que justifiquem a necessidade de vir à Urgência do hospital”, afirmou a presidente do conselho de administração do Hospital do Espírito Santo de Évora.

Mais de 60 mil cirurgias em atraso

Segundo o Jornal de Notícias, o número de cirurgias em atraso tem vindo a aumentar nos últimos meses, sendo que se registaram em outubro 67.121 utentes a aguardar operação já fora do tempo recomendado, o que equivale a um terço do total de 209.385 operações em lista de espera.

De acordo com os dados do Portal da Transparência do Sistema Nacional de Saúde (SNS), 20,5% dos doentes esperavam por operação fora dos prazos recomendados em janeiro de 2019, enquanto que em outubro do ano passado a taxa subiu para os 32,1%.

Contudo, é preciso recuar quatro anos para encontrar um valor tão baixo de inscritos para cirurgias, fruto da diminuição das cirurgias programadas.

“Os recursos não são elásticos e foram redimensionados para a covid-19, o que teve efeito no atraso da atividade cirúrgica, além de que tudo hoje se faz mais lentamente: proteções individuais, circuitos alterados, testes aos utentes”, explicou Alexandre Lourenço, presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, ao JN.

Lourenço alerta para a urgência de reabilitar os cuidados de saúde primários, que não estão a referenciar doentes para cirurgias, o que se reflete no baixo número de operações marcadas. “Não estão a ser diagnosticadas patologias que seriam depois referenciadas para os hospitais para plano terapêutico, incluindo cirurgia”, explica.

  Ana Moura, ZAP //

5 Comments

  1. Como é possivel não ver mais longe??
    quantos cancros vao ficar por diagnosticar nas consultas de rotina, quantos seguimentos de doença não serão feitos e mais uma vez adiados!
    O Covid é um problema mas não é o unico. Fala-se muito mas tudo fica na mesma. Depois os politicos falam que assumem toda a responsabilidade mas isso são palavras vazias.

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