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“Se manifestar vontade, o CDS não lhe cortará as pernas”. Assunção Cristas apontada à Câmara de Lisboa

O líder do CDS Francisco Rodrigues dos Santos vai encontrar-se até ao final deste mês com a ex-líder do partido para saber se Assunção Cristas está disponível para avançar pela Câmara de Lisboa nas eleições autárquicas de 2021.

Em entrevista à TVI, Francisco Rodrigues dos Santos tinha adiantado que chamaria à sede nacional os antigos líderes do CDS, bem como os principais rostos da chamada oposição interna, para discutir o presente e o futuro do CDS.

O semanário Expresso relata que não haverá convites diretos a ninguém, mas apenas uma tentativa de aferir quem aceitará dar a cara pelo partido nas próximas autárquicas.

Segundo o mesmo jornal, um desses encontro será com a anterior presidente do partido Assunção Cristas. Francisco Rodrigues dos Santos já tinha garantido que Assunção Cristas terá o “apoio incondicional” do CDS se quiser ser candidata à Câmara Municipal de Lisboa e afirmado que a ex-líder do partido seria um “peso pesado” para enfrentar Fernando Medina.

“Se a Assunção manifestar essa vontade, o CDS não lhe cortará as pernas”, garantiu um membro da Comissão Executiva, o órgão de decisão mais restrito dos centristas, em declarações ao Expresso.

Dentro do partido, o leque de escolhas é reduzido e o tempo não estica. Após Paulo Portas ter afastado essa hipótese e de Francisco Rodrigues dos Santos ter dito que não pretende ser um “omnipresidente”, há poucas opções para além de Cristas.

Coligação com PSD para derrotar Medina

Francisco Rodrigues dos Santos quer fazer uma coligação com o PSD para tentar derrotar Fernando Medina. Porém, não deverá ser fácil convencer Rui Rio a abdicar do lugar de cabeça de lista numa eventual coligação com CDS e permitir que seja Cristas a encabeçar a aliança.

Por outro lado, uma fonte garantiu ao Expresso que Cristas pode ser uma carta mais valiosa para o CDS jogar nas negociações da coligação com o PSD devido aos resultados obtidos em 2017. Há quatro anos, o CDS ficou em 2º lugar com 20,59% dos votos, enquanto que o PSD, com Teresa Leal Coelho, não foi além dos 11,22%.

 

Mas isso pode não ser suficiente. Um membro da direção de Rui Rio minimizou a relevância do CDS, dizendo que o que aconteceu em 2017 foi um “epifenómeno” e avisando que o “princípio geral” para entendimentos é que o PSD fique com o primeiro nome das listas.

Para complicar, Rui Rio tem estado em silêncio sobre os nomes para as autárquicas de 2021.

Em dezembro, o Jornal de Notícias avançou que Pedro Santana Lopes poderia estar de volta ao partido de Rui Rio, após um jantar num restaurante de Lisboa com o líder cor-de-laranja. O JN avançou que o PSD estaria a equacionar o antigo primeiro-ministro para cabeça de lista por Lisboa nas eleições autárquicas de 2021.

No entanto, o atual líder do PSD e o seu antigo presidente negaram que o encontro entre os dois tenha tido algum intuito relacionado com as eleições autárquicas de 2021. Santana Lopes assegurou que não houve qualquer convite sobre autárquicas ao jantar e disse ainda não querer ser candidato.

No dia seguinte, o semanário Expresso adiantou que Gonçalo Reis, presidente do Conselho de Administração da RTP, será o preferido da direção do PSD para candidato à Câmara Municial de Lisboa.

Para o Porto, segundo o Público, o eurodeputado social-democrata Paulo Rangel é um dos nomes com mais apoio nas estruturas do partido.

Segundo o Observador, o encontro com Cristas insere-se numa série de reuniões que Francisco Rodrigues dos Santos quer ter com figuras do universo democrata-cristão. Além de Cristas, o líder do CDS vai chamar os antecessores Adria­no Moreira, Manuel Monteiro, Paulo Portas, José Ribeiro e Castro, e outros quadros do partido como Adolfo Mesquita Nunes, João Almeida, Telmo Correia, Cecília Meireles, Nuno Melo, Diogo Feio e Francisco Mendes da Silva.

  Maria Campos, ZAP //

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