“Salvator Mundi” poderá não fazer parte da grande exposição do Louvre por dúvidas de autenticidade

Justin Lane / EPA

A pintura Salvator Mundi pode não vir a fazer parte da grande exposição de outubro do Museu do Louvre, em Paris, que comemorará os 500 anos do seu alegado autor, Leonardo da Vinci.

Em causa não estará, ao contrário do que se possa imaginar, o súbito desaparecimento da obra, cujo paredeiro se desconhece. O problema será a autenticidade do quadro, que levanta dúvidas entre os curadores do Louvre.

A revelação foi feita ao The Guardian pelo historiador de arte Ben Lewis, autor de The Last Leonardo, sobre a história do Salvator Mundi. O escritor, afirmou no festival literário de Hay, no País de Gales, que, segundo lhe contaram as suas fontes no museu parisiense, “não há muitos curadores no Louvre a acreditar” que a pintura foi feita por Leonardo.

Por essa razão, se esta for de facto incluída na exposição de outubro, como está previsto, terá de ser descrita como um trabalho da oficina do artista. Mas, segundo Lewis, é muito pouco provável que tal venha a acontecer.

“O dono não a pode emprestar”, afirmou o historiador, lembrando que o valor do Salvator Mundi desceria se não fosse apresentado como uma obra de Leonardo da Vinci.

Apesar das aparentes dúvidas dos curadores do Louvre de Paris, alguns dos principais especialistas na obra de Leonardo da Vinci não hesitam em considerar a pintura verdadeira. É esta a opinião de Martin Kemp, da Universidade de Oxford, e de Frank Zöllner, autor do mais completo livro sobre as obras do artista florentino.

Zöllner já havido declarado que o Salvator Mundi foi certamente desenhado “por Leonardo, executada pela sua oficina e possivelmente retrabalhada por si”. Sobre o seu súbito desaparecimento, o especialista alemão defendeu que tudo não passava de “uma campanha de desinformação para tornar o quadro ainda mais interessante”.

A pintura, que se acredita ter sido executada total ou parcialmente por Da Vinci, foi vendida por um valor recorde de 400 milhões de euros em 2017. Depois de esta ter sido comprada por Bader bin Abdullah bin Mohammed bin Farhan al-Saud, parente afastado da família real da Arábia Saudita, foi anunciado que a pintura de Cristo seria a estrela do novo Louvre de Abu Dhabi, que abriu portas em novembro desse ano.

Apesar de se acreditar que Leonardo da Vinci esteve envolvido na produção do quadro, vários especialistas continuam a questionar e a pôr em causa a sua autoria, que chegou a ser atribuída a Bernardo Luini, que fazia parte do círculo do pintor florentino. Esta teoria voltou a ser defendida muito recentemente pelo historiador de arte Matthew Landrus.

A exposição organizada pelo Louvre para celebrar os 500 anos do nascimento de Leonardo está agendada para outubro. A data que foi avançada pela instituição parisiense é 24 de outubro, sendo que, se tudo correr como planeado, poderá ser visitada até 24 de fevereiro do próximo ano.

Até lá, o museu espera conseguir reunir o maior número de obras do artista possível, de modo a apresentar uma “retrospetiva sem precedentes da carreira de pintor” de Leonardo da Vinci. Esta “ilustrará como ele dava a maior importância à pintura e como a sua investigação do mundo, à qual ele se referia como a ciência da pintura era o instrumento da sua arte, que tinha por objetivo nada mais do que dar vida às suas pinturas”.

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