Salgado acrescenta nova versão sobre pagamentos a Zeinal Bava

Manuel De Almeida / Lusa

Ricardo Salgado , ex-presidente do BES, à saída do Tribunal Central de Instrução Criminal

O antigo presidente do Banco Espírito Santo (BES) Ricardo Salgado apresentou ao juiz de instrução criminal da Operação Marquês Ivo Rosa uma nova versão sobre os pagamentos feitos ao então presidente da PT Zeinal Bava. 

De acordo com o jornal Observador, que avança a notícia esta terça-feira, Salgado disse que a transferência de 6,7 milhões de euros feita em dezembro de 2007 visava financiar a entrada de Bava no capital da PT, que era na altura a maior empresa portuguesa.

Anteriormente, recorda o diário, o banqueiro tinha dito que as transferências para Bava tinham como objetivo convencê-lo a não se transferir para a concorrência depois de ter ido para o Brasil em 2013 para liderar a operadora Oi em representação da PT.

Estes 6,7 milhões de euros fazem parte de uma de três tranches que foram transferidas entre 2007 e 2011 para Bava. Ao todo, o antigo líder da PT recebeu 25,2 milhões de euros do Grupo Espírito Santo. O primeiro pagamento foi de 6,7 milhões (2007), o segundo de 8,5 milhões (2010) e o terceiro de 10 milhões (2011).

Durante a audição desta segunda-feira, Ricardo Salgado explicou pela primeira vez a primeira tranche transferida, alegando que quando foi constituído arguido, em janeiro de 2007, não se lembrava o pagamento em causa tivesse sido feito.

Perante Ivo Rosa, escreve ainda o Observador, Salgado negou que receasse vir a ser envolvido em investigações criminais por ter feito transferências para Bava. “Isso foram adiantamentos de pagamentos fiduciários”, afirmou. Na prática, os fundos pertenciam ao GES mas estavam à guarda de Bava numa conta bancária propositadamente aberta para o efeito na Union des Banque Suisses (UBS), em Singapura, em nome de uma sociedade offshore controlada pelo gestor da PT.

Quando Salgado foi constituído arguido, em janeiro de 2017, ligou as transferências de 18,5 milhões de euros à ida de Zeinal Bava ao Brasil. Agora, alterou a versão, dizendo que a transferência de 6,7 milhões de euros realizada nada tem a ver com a ida de Bava para o Brasil. Essa transferência visava sim garantir que Bava continuava na PT ao financiar a entrada de Bava no capital da empresa.

Esta mesma versão foi apresentava por Bava quando foi ouvido há cerca de duas semanas. O antigo líder da PT disse a Ivo Rosa que queria ser um acionista de revelo da PT, pretensão que transmitiu a Salgado, que se disponibilizou, segundo contou, para lhe emprestar o dinheiro. “Todo o dinheiro utilizado serviu para comprar ações da empresa”.

Salgado revelou ainda que Bava queria um valor a rondar os 15 milhões de euros mas o ex-líder do BES disse-lhe que a disponibilidade daquele momento apenas permitiria transferir um valor entre 5 e os 7 milhões de euros.

À saída do tribunal, Salgado garantiu ontem que foi chamado para falar sobre estas transferências, dizendo não ter sido interrogado sobre José Sócrates. Após o interrogatório, que durou cerca de uma hora e meia, o antigo banqueiro disse ainda que “não há discrepâncias”  entre o seu depoimento e o de Bava.

Nunca na minha vida corrompi ninguém”, afirmou à saída, citado pela agência Lusa.

ZAP //

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3 COMENTÁRIOS

  1. O Ricardo tem sérios problemas de memória. Há um tempo esqueceu-se de declarar uma prenda de 14 milhões. Agora afinal lembou-se da “verdadeira” razão pela qual fez estas transferências. Como contribuinte sinto-me “encornado” com tamanhas e tão frequentes faltas de memória…

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