Apenas cinco dos 18 ministros de Passos Coelho estão na política

Volvidos três anos do término do governo liderado por Pedro Passos Coelho, apenas quatro dos seus ministros se mantiveram ativamente na vida política. Por onde andam e o que fazem os restantes membros do controverso mandato?

Líder da oposição durante um ano antes de se tornar primeiro-ministro, Passos Coelho assumiu o XIX Governo Constitucional em junho de 2011, com o apoio de Paulo Portas, então líder do CDS-PP, mantendo-se quatro anos à frente de um governo controverso, marcado pela subida de impostos e pela austeridade. Hoje em dia, afastado da esfera política, leciona na Universidade Lusíada de Lisboa.

Mas não foi só o ex-primeiro-ministro que deixou de exercer cargos políticos. A verdade é que apenas quatro dos 18 ministros que compuseram o Governo entre 2011 e 2015 mantêm-se ativamente na vida política. Os restantes dividem-se entre o ensino e a vertente empresarial, com uma parte significativa a ocupar cargos em instituições nacionais e internacionais de relevo.

Paulo Portas – ex-líder do CDS-PP, foi ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros e, de seguida, vice-primeiro-ministro do governo de Passos Coelho. Retirou-se da política em junho de 2016, passando a dirigir o Conselho Internacional da Mota-Engil. Atualmente, é vice-presidente da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa (CCIP) e comentador semanal na TVI.

Rui Machete – o advogado e um dos fundadores do PSD substituiu Paulo Portas como ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros. Em 2018, presidiu a Comissão Nacional da candidatura de Santana Lopes nas eleições para a liderança do PSD. Continua como conselheiro sénior na sociedade de advogados CMS Rui Pena & Arnaut.

Vítor Gaspar – economista e professor universitário, foi ministro do Estado e das Finanças do governo de Passos Coelho até 2013, altura em que se demitiu. É, correntemente, diretor do departamento dos Assuntos Orçamentais do FMI.

Maria Luís Albuquerque – economista e professora universitária, assumiu funções de ministra de Estado e das Finanças. Atualmente, a também deputada do PSD é administradora não executiva do grupo inglês Arrow Global, que detém empresas de gestão de carteiras de crédito e imobiliário.

José Pedro Aguiar-Branco – o advogado, que liderou a pasta da Justiça no governo de Santana Lopes (2004-2005), foi ministro da Defesa Nacional durante o mandato de Passos Coelho. É, na atualidade, coordenador da área de prática de arbitragem e mediação na JPAB – José Pedro Aguiar-Branco Advogados, sociedade da qual é fundador.

Miguel Macedo – assumiu a pasta da Administração Interna, entre junho de 2011 e novembro de 2014, demitindo-se na sequência da Operação Labirinto. O advogado foi acusado pelo Ministério Público, em 2015, pela prática de prevaricação de titular de cargo político e tráfico de influências. A 21 dezembro deste ano ouvirá a decisão sobre o acórdão, arriscando-se a uma pena não superior a cinco anos.

Anabela Rodrigues – a professora universitária foi a primeira mulher a tornar-se ministra da Administração Interna, ocupando o cargo após a demissão de Miguel Macedo. Integra o Conselho Científico da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, que presidiu antes de subir ao governo.

Paula Teixeira da Cruz – advogada, foi ministra da Justiça no governo de Passos Coelho, sendo, atualmente, deputada do PSD.

Miguel Relvas – antigo secretário-geral do PS, foi ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares no governo de Passos Coelho até 2013, pedindo a demissão no seguimento do escândalo que envolveu a Universidade Lusófona. Em junho de 2016, viu anulado o seu grau de licenciado. Hoje em dia, é diretor de Política e Sustentabilidade na empresa norte-americana Dorae, especializada em blockchain.

Miguel Poiares Maduro – professor universitário, foi ministro Adjunto e do Desenvolvimento Regional. É, por esta altura, diretor da School of Transnational Governance do Instituto Universitário Europeu e colunista.

Luís Marques Guedes – foi secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, até abril de 2013, data em que subiu a ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, após a saída de Miguel Relvas. É deputado do PSD.

Álvaro Santos Pereira – economista, jornalista e romancista, foi ministro da Economia e do Emprego até junho de 2013. No ano seguinte, tornou-se diretor de estudos específicos do departamento da OCDE. No início de 2018 subiu a economista-chefe interino, cargo que, entretanto, deixou de ocupar em junho.

António Pires de Lima – o economista e empresário foi ministro da Economia entre junho de 2013 e outubro de 2015. Fundou, em 2016, a Best Anchor Capital & Services, sendo, agora, parceiro de operações e conselheiro de vários grupos empresariais. Paralelamente, é administrador não executivo da Fundação Serralves e da Media Capital.

Assunção Cristas – jurista e professora, foi ministra da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território. É presidente do CDS-PP desde março de 2016. Candidata à Câmara Municipal de Lisboa, conseguiu, nas autárquicas de 2017, o melhor resultado de sempre para o partido (em coligação com o MPT e o PPM), com 20,57% dos votos.

Jorge Moreira da Silva – engenheiro eletrotécnico e escritor, foi ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, durante dois anos, até ao fim do mandato. É, na atualidade, diretor-geral de Desenvolvimento e Cooperação da OCDE.

Paulo Macedo – antigo Diretor-Geral dos Impostos (entre 2004 e 2007), foi ministro da Saúde do governo de Passos Coelho durante o seu governo. Ocupa, desde 2016, o cargo de diretor executivo da Caixa Geral de Depósitos (CGD).

Nuno Crato – o matemático ocupou o cargo de ministro da Educação e Ciência, mantendo, atualmente, as funções de escritor, colunista e professor na Universidade de Lisboa.

Pedro Mota Soares – advogado e professor na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, foi o ministro da Solidariedade e da Segurança Social. Em outubro de 2017 foi eleito presidente da Assembleia Municipal de Cascais, sendo também deputado do CDS.

Além dos cinco ministros que se mantiveram como deputados, seis ocupam altos cargos em entidades públicas ou privadas – como o FMI, a OCDE e a CGD -, dois fazem parte da administração de grupos empresariais e um está à frente de um instituto europeu de ensino superior.

Taísa Pagno , ZAP //

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