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PSD tentou coligação com Rui Moreira (mas autarca recusou-se a integrar lista)

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Fernando Veludo / Lusa

O Presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira

O vice-presidente do PSD, Salvador Malheiro, encontrou-se esta quinta-feira com o autarca independente do Porto, Rui Moreira, para lhe propor uma coligação na eleições autárquicas, mas o Presidente da Câmara terá recusado a investida.

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O jantar entre Salvador Malheiro, vice-presidente do PSD, e o atual autarca portuense Rui Moreira juntou ainda Francisco Ramos, antigo líder da Concelhia do PSD/Porto. Segundo uma fonte do partido liderado por Rui Rio, citada pelo semanário Expresso, o objetivo do encontro foi propor para Rui Moreira ir a votos numa coligação de centro direita, formada pelo PSD, CDS e o Movimento Independente.

No entanto, segundo o Expresso, Rui Moreira terá recusado o convite para concorrer nas listas sociais-democratas, mas não repudiou um eventual apoio do maior partido da oposição.

O objetivo do PSD era que Rui Moreira, mesmo mantendo o estatuto de independente, fosse a votos com o símbolo do partido nos cartazes de campanha e no boletim de voto – que o autarca não quer por poder perder a aura de independência partidária, com a qual conquistou o Porto em 2013, sem maioria, e, em 2017, com maioria absoluta no executivo, mas não na Assembleia Municipal.

Em declarações ao semanário, Salvador Malheiro não comentou o encontro com o autarca, admitindo apenas que mantém “uma relação muito estreita” com Rui Moreira, com quem está “amiúde”.

Já José Silvano não confirmou nem desmentiu as conversações com os independentes.

Após Paulo Cunha ter defendido o apoio dos sociais-democratas ao autarca, os deputados municipais do PSD Pedro Duarte, Luís Osório e Alberto Lima enviaram uma carta ao líder da Comissão Política do PSD/Porto, Miguel Seabra, a preconizar uma aliança de centro-direita, alegando que o eleitorado do partido “tem dificuldade em entender o que impede a conjugação de esforços em nome do interesse da cidade” entre independentes e sociais-democratas.

“O nosso eleitorado deseja ver o PSD com uma palavra nos destinos do Porto e com a força que sempre o caracterizou numa cidade que foi simbolicamente um seu baluarte”, defendem.

Ao Expresso, Luís Osório argumentou que “zangas pessoais não se podem sobrepor aos superiores interesses da cidade do Porto”, advertindo que o eleitorado independente é social-democrata, que deixou de votar PSD por não se rever, em 2013, na candidatura de Luís Filipe Menezes, que levou à desfiliação e transferência de militantes para a candidatura de Rui Moreira.

A eventual aliança também seria vista com agrado pela concelhia local do CDS, uma vez que os centristas têm apoiado sempre as candidaturas de Rui Moreira e manifestaram de novo apoio à sua recandidatura.

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Miguel Seabra não descarta o diálogo com a Iniciativa Liberal, uma vez que o candidato presidencial Tiago Mayan Gonçalves foi militante do PSD antes de apoiar Rui Moreira, rejeita o Chega e não recusa o diálogo com os independentes do “Porto, O Nosso Partido”

“A decisão final será de Rui Rio”, notou Seabra, que manifesta “desagrado” por Paulo Rangel não ter manifestado “disponibilidade para concorrer ao Porto”.

Apesar deste impasse, José Silvano garantiu, em declarações ao jornal Público, que “os sociais-democratas vão apresentar uma candidatura própria à Câmara do Porto. No Porto, o PSD terá sempre uma candidatura própria seja em coligação ou sem coligação.”

Com a pandemia de covid-19, além dos nomes a lançar para as listas, Rui Rio tem outra “batata quente” nas mãos. O líder do PSD estará a ponderar um cenário de adiamento das eleições autárquicas de dois meses, tendo em conta os objetivos previstos no plano de vacinação da população portuguesa, mas a proposta ainda não está fechada. Se a data for alterada para novembro, implica com a gestão política do próximo Orçamento do Estado.

  Maria Campos, ZAP //

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