Profissionais, equipamentos e vagas. Portugal já pediu ajuda a dois países europeus

Mário Cruz / Lusa

O primeiro-ministro, António Costa, e a ministra da Saúde, Marta Temido

O Governo solicitou apoio internacional para reforçar o Serviço Nacional de Saúde (SNS) nos cuidados aos doentes infetados pela covid-19. Para já, Portugal pediu ajuda a dois países europeus.

O semanário Expresso avança esta quarta-feira que os contactos entre o Governo português e dois países europeus foram iniciados no passado domingo. Até à conclusão de todos os procedimentos, estes países não serão identificados.

Portugal pediu profissionais para reforçar as equipas de enfermagem e de médicos intensivistas, equipamentos onde se verificam falhas pontuais, como seringas e ventiladores não invasivos, e vagas hospitalares para transferir doentes para fora do país.

Segundo o mesmo jornal, a hospitalização internacional, que já tinha sido admitida pela ministra da Saúde, está a ser ponderada para doentes críticos em cuidados intensivos, mas também para internamentos em enfermaria. Neste caso, equacionam-se transferências em grande número.

Uma fonte disse ao Expresso que o maior problema é a falta de profissionais, sobretudo enfermeiros, para abrir camas em Unidades de Cuidados Intensivos e em enfermaria. O setor privado também tem camas por abrir por não ter as equipas necessárias.

Um dos países foi escolhido por iniciativa da própria ministra da Saúde Marta Temido e outro pela Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos.

Este processo foi confirmado esta quarta-feira pelo secretário de Estado, António Lacerda Sales, que disse que “está a ser equacionado” o recurso a um pedido de ajuda internacional para o combate à covid-19, mas “ainda não formalizado completamente”.

“Enquanto formos tendo respostas e capacidade de responder às necessidades dos portugueses, vamos respondendo”, disse. “Obviamente que equacionamos cenários e planeamos sempre a possibilidade de acionar mecanismos de cooperação europeu.”

A ministra da Saúde, Marta Temido, assumiu numa entrevista à RTP que o Governo estava a “equacionar” pedir ajuda internacional para eventualmente transferir doentes com covid-19 para hospitais de outros países “O Governo português está a acionar todos os mecanismos de que dispõe, designadamente no quadro internacional, para garantir que presta a melhor assistência aos utentes”, afirmou a governante.

“Estamos num extremo de uma península e, portanto, com maiores constrangimentos geográficos, mas de qualquer forma, há mecanismos e há formas de obter auxílio e de enquadrar formas de colaboração e, naturalmente, que as estamos a equacionar“, admitiu, acrescentando que é preciso ter a “consciência de que a situação europeia é toda ela preocupante”.

Na terça-feira, o jornal espanhol La Voz de Galicia adiantou que Portugal estava a explorar a hipótese de enviar doentes para Vigo. Segundo o Correio da Manhã, Alemanha e Espanha ofereceram esta quarta-feira ajuda a Portugal na luta contra a pandemia, que se traduz na transferência de doentes e reforço de equipas médicas.

Enfermeira no Luxemburgo pronta a receber doentes

Em declarações ao Jornal de Notícias, Catarina Fernandes Ribeiro, enfermeira-chefe do serviço de doenças infeciosas do Centro Hospitalar do Luxemburgo, disse que, se Portugal decidir enviar doentes covid-19 para outros países europeus, o Luxemburgo os acolherá.

“Tenho contactos com colegas de hospitais de Lisboa e Porto e o que sei é que estão a viver momentos dramáticos. Isso causa-me uma angústia muito grande”, disse a profissional de saúde de 40 anos.

Apesar de nunca ter trabalhado em Portugal, Catarina Fernandes Ribeiro disse ao JN estar recetiva a receber doentes portugueses se essa for a decisão política. “É um ato de solidariedade entre países europeus e entre dois países que têm boas relações”, disse. “A comunidade portuguesa é a maior do Luxemburgo e isso conta neste apoio mútuo”.

Segundo a enfermeira, a situação no Luxemburgo está mais controlada do que em Portugal. “Talvez estejam a pagar por alguns excessos na semana das festas mas aqui as regras foram muito restritivas e, no Natal, foram muito apertadas. A situação no Luxemburgo está para já mais controlada. Ainda estamos longe do período de alarme”.

Maria Campos, ZAP //

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78 COMENTÁRIOS

  1. Antes de pedir ajuda internacional o governo devia proceder à mobilização geral – sob disciplina militar – de todos os médicos e enfermeiros em Portugal, mesmo reformados, até à idade de 70 anos. Asim como de todas as instalações e equipamentos de saúde em Portugal. Talvez isso permitisse resolver o problema sem ter de recorrar a pedidos que, por causa da pandemia, serão difíceis de satisfazer por parte de outros países.

    • Nos nossos dias as forças armadas estão subordinadas ao poder político e não constituem ameaça para ninguém. Porquê desconfiar delas para garantir a boa utilização dos recursos disponíveis? Pedir por favor ao sector privado é que não dá…

  2. Então o P.P.Coelho não disse aos enfermeiros e outros, que não fossem piegas e saíssem da sua zona de conforto e emigrassem para procurar emprego. Agora aproveitem e digam-lhe que vá a inglaterra e outros países europeus pedir aos enfermeiros e médicos que retornem a Portugal e aceitem trabalhar por salários de miséria! E ,já agora, o actual governo, que se diz pejado de verdadeira luminárias, não conseguiu prever que isto iria acontecer? bastava terem perguntado aos matemáticos que eles logo lhes apresentavam os cálculos precisos.
    O esquisito é os portuguese continuarem a votar nesta criaturas para nos governarem!!!

    • Mas desde essas palavras, já saíram anulamente muitos médicos e enfermeiros, e estes governantes que caminham no segundo mandato, nada fizeram para os manterem cá. Tiveram tempo e mais que tempo, após o 1.º confinamento, para preparar esta 3.ª vaga que já era prevista em meados da 1.ª vaga. Prometeram mundos e fundos, e afinal foi só conversa, porque manteve-se tudo igual à espera que nada disto acontecesse, para poupar dinheiro para pagar a tanto querida TAP. É triste brincarem com a vida das pessoas.

      • Bem querem ludibriar os portugueses, mas a TAP não tem qualquer hipótese de sobrevivência. Só se esfolarem ainda mais o contribuinte e enterrarem lá toneladas de dinheiro. Com aquela estrutura pesadíssima e comidos pela concorrência, nem por milagre a TAP subsistirá.

        • O valor das exportações de serviços por parte da TAP é muito superior ao que a TAP possa custa ao contribuintes, é por isso vital salvar a TAP.

            • Em exportações, a TAP rende tanto ou mais do que a Auto Europa. Acabar com a TAP seria o mesmo que acabar com a Auto Europa, sem contar com o acréscimo nas importações de serviços, pelo facto dos portugueses serem então obrigados a viajar em companhias estrangeiras. Era bom que as pessoas conhecessem os números antes de opinarem…

          • Olha, este gosta de contribuir para os milhões e milhões a enterrar na TAP! Este Cardoso deve estar bem da vida. Ainda alinha nestas desgraças para preencher algo do seu ego comunistoide.

      • Foi?
        E sabes quantos médicos entraram?
        Também te faltou referir um “pormenor”: a maioria dos médicos saiu do SNS para reforma!..

        • Foi?
          E sabes quantos médicos não entraram?
          Também não te faltou referir um “pormenor”: a maioria dos médicos saiu do SNS para os hospitais públicos!…

          • Novos médicos e enfermeiros era tudo a procurar emprego no Reino Unido. Costa, ainda lhe prometeu uns rebuçados (coisa em que é especialista), mas eles gozaram-no, não ligaram a essa provocação. Também o desgraçado Centeno deixou o SNS na penúria ao deixar de nele investir tanto em pessoal como em equipamentos (alguns destes até se encontravam inoperacionais por falta de reparação). O objetivo deste patife era arranjar um défice baixo, cortando em tudo, a torto e a direito. Agora com a pandemia estamos a pagar, em parte, por essa miserável patetice.

    • O esquisito é os portugueses continuarem a votar neste governo corrupto e incompetente do PS. Só nestes cinco anos de governo de Costa, já saíram do país mais de 400.000 portugueses, para procurar emprego (e não temos cá a Troika). Mesmo oferecendo redução de impostos a esses portugueses, Costa não conseguiu que eles voltassem. Até o governo inglês oferece 2.000 euros a cada um deles para saírem do país e mesmo assim (com boas benesses) eles não querem vir, porque eles sabem que com Costa, aqui, agora, é um paraíso!

    • Então e o Costa não disse no seu primeiro governo que iria retornar para o país parte desses profissionais quando ninguém sonhava sequer com uma pandemia e já vai no segundo governo e onde estão eles afinal?

  3. Quanto a profissionais, não sei, mas acredito que o que os enfermeiros fazem em termos de cuidados com as pessoas que estão com covid mas não estão internadas em UCI, não seja um trabalho assim tão complicado ao ponto de não pudermos ter outras pessoas, que não estão ligadas a enfermagem, a ajudar os enfermeiros.
    Em relação a camas, porque não usar: Instalações das câmaras municipais, instalações militares, pavilhões gimnodesportivos, pousadas da juventude, pensões, residenciais e até mesmo hotéis?. Estamos na época baixa do turismo e com uma pandemia, certamente a hotelaria estaria disponível para ajudar e com isso manter-se à tona e não afundar de vez. Em vez de darem “ajuda”, crédito a fundo perdido ou não, usavam-se as instalações da hotelaria.
    Quanto ao equipamento, se temos capacidade de mão de obra para fabricar ventiladores a sério, porque razão não fabricamos também ventiladores não evasivos e as seringas?. E já agora porque não fabricarmos o raio da vacina e acabar com isto num mês?. Há assim tão pouca vontade dos governantes?.

  4. Boas,

    No contexto que estamos a viver se não querem que vamos todos c/crlho, há que tomar decisões muito agressivas SIM, e mais já tenho certas duvidas que o Português funcione em Democracia, se calhar com a mentalidade de que tudo é fácil, e há que viver á grande e á Francesa, não chegaram á conclusão que somos o melhor País do Mundo, mas pela negativa, a limpar Vidas como nunca antes foi visto, é muito triste que só se vejam novelas, e a merda que passam nas TV’s para terem audiências, e não vejam a realidade que está a acontecer, que os olhos e a mente sejam abertos/a, está em curso uma limpeza geral, sejamos Civilizados ao menos uma vez na Vida.

    Gostem ou não gostem, é esta a realidade, e deixem-se de politiquices, e rezem para estar cá para a semana que vem e seguintes.

    Obrigado.

  5. Fico estupefacto, como há pessoas que brincam com coisas tão sérias! Quando o nosso País passa por um momento terrível, com milhares de mortes e infetados, alguns brincam com coisas muito sérias e graves….
    Neste momento, fosse qual fosse o governo, não faria mais, nem menos, para salvar os Portugueses.
    Deixemo-nos de clubites, que é aquilo que se verifica na maior parte dos comentários que aqui aparecem e vamos pedir aos Seres Supremos que tenham piedade de nós!

    • Não, meu caro António Soares. Estes governos Costa têm desinvestido atrozmente na saúde, em equipamentos. E enfermeiros têm fugido aos milhares para o estrangeiro. Se Costa não tivesse alinhado na paranoia de Centeno, hoje estaríamos em muito melhores condições para atacar esta pandemia.

  6. E que tal fazermos uma petição para um referendo sobre se os Portugueses querem ou não ser governados diretamente por Bruxelas, dispensando assim a atual corja política nacional?

    • Bélgica: 11,4 milhões de habitantes e mais de 20 mil mortos por Covid – é só o dobro de Portugal e, já no ano passado “exportavam” doentes!!
      É evidente que precisas de ajuda para te governares!..

      • Está bem demonstrado nos teus comentários que não percebes a diferença entre a União Europeia e a Bélgica…enfim… o palerma de sempre…

        • Já muito me ri. Ele não atingiu a ideia. Não forces muito, caso contrário aquilo ainda queima. Ele vai lá chegar, embora pareça que vá demorar um pouco.

        • Pois não, tontinho… então, na EU correu tudo bem; na Bélgica é que correr mal!…
          E, parece-me que na capital da EU também não correu muito bem…

          • O caso é ainda mais grave! O homem nem escrever sabe!!!! Escreve como o Jorge Jesus fala: “na Bélgica é que correr mal!…” brilhante! 🙂
            Um conselho: deixa-te ficar por Viana do Castelo :):):):):)

            • O que tens Paulinho?!
              O meu erro ortográfico fez doi-doi, foi?
              Nota-se que minha vida é muito importante para ti, mas, já não vou a Viana à algum tempo…

            • E é que não sabe mesmo escrever!!!!
              “…já não vou a Viana à algum tempo…”
              E que tal: já não vou a Viana há algum tempo?!
              O Eu! é o Jorge Jesus dos comentários 🙂
              Ó pá… faz um favor a ti próprio e interna-te!

            • Caro Eu!, não se exponha mais. Ao responder novamente, deu outra calinada…não é “à algum tempo” e sim “há algum tempo”. Tente utilizar os tempos verbais correctos. Não tenho por hábito corrigir que escreve mal a nossa língua mas no seu caso, há merecimento porque os seus comentários a este artigo foram sempre provocatórios e “incendiários”, aliados a uma ignorância claramente arrogante.

  7. Não será melhor perguntar aos portugueses se querem ou não ser governados? E no caso de vencer o “sim” , perguntar também como querem ser governados? Desde 1380 que os portuguses não são ouvidos sobre o seu próprio destino!

  8. Se bem me recordo Passos Coelho ter-se-ia referido a professores e não a médicos e enfermeiros que estes, nos últimos anos e Portugal sob o domínio da geringonça fugiram de cá aos milhares e que agora fazem muita falta!

  9. Que isto está a ficar vergonhoso e complicado para todos não tenho dúvidas, que o governo nem sempre tem andado bem também não e que a todos compete colaborar e nem todos assim entendem, nem praticam também não! Não vale a pena pensarmos que só poderá acontecer aos outros e que só a eles compete cumprir, sem disciplina não vamos lá!

  10. E a Helena Ferro Gouveia disse que a “variante inglesa foi sequenciada em setembro” (TVI24, 23h02).
    Ótimo. E porque é que o governo (” “) não mexeu os cordelinhos nessa altura??

  11. Eu só vejo aqui criticas aos governos… e… onde está o civismo da população, que arranja sempre formas de contornar as regras do confinamento (até animais se aluga ou se passeia apenas com uma trela para não cumprir com o confinamento!)? Apesar de have um relaxamento das medidas no Natal, o governo pediu na mesma cuidado e uso de máscaras, quem é que cumpriu com esse pedido? Os governos cometem erros (e muitos!), mas a população também não é a que mais cumpre à face da terra… Vamos todos fazer a nossa parte e cumprir com o confinamento e apenas sair de casa quando realmente assim se justifique! Sem isso, não há milagres… Para vencer um inimigo, ainda por cima invisível, temos que nos unir todos por um bem comum!…

      • Eu já desconfiava que o Eu! era membro do governo, só não o quer é assumir!
        Não estou de lado de ninguém, mas culpar apenas o governo e assobiar para o lado quando é pedido mais civismo e cumprimento de regras por parte da população, não vai resolver a pandemia actual…

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