Encerrar escolas só se “estritamente necessário”. Portugal decide esta quarta-feira

Paulo Novais / Lusa

António Costa

O Conselho Nacional de Saúde Pública (CNSP) analisa esta quarta-feira se as escolas devem ou não encerrar para mitigar a propagação do coronavírus.

O Conselho Nacional de Saúde Pública (CNSP) reúne-se esta quarta-feira para discutir medidas de contenção do surto de Covid-19, doença que tem 41 casos confirmados em Portugal, como a possibilidade de antecipação das férias escolares da Páscoa. O possível encerramento dos principais museus está também na agenda da reunião do Conselho.

Esta terça-feira, António Costa disse que seja qual for a posição que o CNSP tomar, “generalizar o encerramento das escolas” ou manter a opção de apenas encerrar aquelas onde “há focos de infeção e riscos de contaminação”, o executivo tomará “imediatamente” essa medida.

“Adotaremos as medidas que os técnicos considerem ser justificado adotar. Não podemos ter cada um a sua opinião. Estamos a falar de uma matéria que não é de opção política. É uma questão em que os políticos devem agir em função da melhor informação técnica disponível”, disse o primeiro-ministro.

O Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) e o Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) tornaram pública a posição de que irão aguardar e agir em conformidade com as decisões do CNSP sobre um eventual encerramento de estabelecimentos de ensino superior.

A ministra da Saúde, Marta Temido, adiantou, em conferência de imprensa na terça-feira que a reunião do CNSP servirá também para avaliar a evolução epidemiológica das infeções com o novo coronavírus, que provoca a Covid-19. Antes da reunião do CNSP, Temido será ouvida na comissão parlamentar de Saúde em audição regimental sobre Política Geral de Saúde.

Portugal regista 41 casos confirmados de infeção. A DGS comunicou também que em Portugal se atingiu um total de 375 casos suspeitos desde o início da epidemia, 83 dos quais ainda a aguardar resultados laboratoriais. Há ainda 667 contactos em vigilância pelas autoridades de saúde.

Face ao aumento de casos, já foi também decretada a suspensão temporária de visitas em hospitais, lares e estabelecimentos prisionais na região Norte, até agora a mais afetada.

Além disso, foram também encerrados alguns estabelecimentos de ensino, sobretudo no Norte do País, assim como ginásios, bibliotecas, piscinas e cinemas e foi recomendada a suspensão de eventos em espaços abertos com mais de 5.000 pessoas.

O Governo português decidiu ainda suspender todos os voos com destino ou origem nas zonas mais afetadas pela Covid-19 em Itália, o país europeu onde o surto assumiu maiores proporções, tendo já provocado mais de 600 mortos.

A epidemia de Covid-19 foi detetada em dezembro, na China, e já provocou mais de 4.200 mortos. Cerca de 117 mil pessoas foram infetadas em mais de uma centena de países, e mais de 63 mil recuperaram.

Só se “estritamente necessário”

António Costa considerou que, ao mesmo tempo que se previne a expansão do novo coronavírus, é preciso “assegurar a maior normalidade possível” na vida, defendendo que só se deve encerrar escolas na margem do “estritamente necessário”.

“Ao mesmo tempo que temos que prevenir a expansão desta epidemia temos que assegurar a maior normalidade possível da vida de todos nós. Sabemos bem que encerrar uma escola tem um efeito muito perturbador na vida das famílias. Só podemos e só devemos fazer na margem que for o estritamente necessário”, apontou.

“Temos que fazer este esforço que é procurar viver com a maior normalidade possível uma situação de exceção. Tanto mais, como disse uma das minhas colegas nesta videoconferência hoje, que nós temos que ter em conta que não sabemos se estamos a tomar medidas para três semanas ou para vários meses”, avisou.

“Esta situação já tem o grau de incerteza suficiente para não acrescentarmos ansiedade àquela que já é a ansiedade natural. Amanhã reunirá o Conselho Nacional de Saúde Pública e nós agiremos em conformidade com o que for a posição. Porque devemos agir não em função do ‘achismo’ de cada um, mas em função da melhor informação técnica disponível”, sublinhou.

CDS pressiona Governo

O grupo parlamentar do CDS-PP pediu ao Governo que “antecipe o período de férias escolares da Páscoa” como medida para prevenir a propagação da epidemia de Covid-19, comunicando “imediatamente às escolas” a alteração do calendário letivo.

O projeto de resolução vai ser entregue esta quarta-feira na Assembleia da República. Os centristas consideram que a “ameaça de esta epidemia” evoluir para uma “pandemia é cada vez mais real”.

De acordo com o Expresso, o grupo parlamentar liderado por Telmo Correia sublinha que, devido à “transmissão tremendamente rápida” que a Covid-19 está a ter, é justificada a antecipação “com urgência” do período de férias escolares da Páscoa.

Fatores de risco associado à morte por Covid-19 em hospitais

Uma nova investigação, publicada na The Lancet, identifica os fatores de risco associados às mortes pelo surto de Covid-19. A investigação debruçou-se sobre 191 pacientes internados em dois hospitais de Wuhan, todos eles maiores de 18 anos e com uma idade média de 56 anos.

Do grupo de pacientes, 54 acabariam por morrer; os outros, segundo o Observador, tiveram alta antes de 31 de janeiro. Metade dos doentes sofriam de outras patologias, como hipertensão (30%), diabetes (19%) e doença coronária (8%).

Segundo o estudo, idade avançada, problemas de coagulação do sangue e sinais de septicemia são os três principais fatores de risco que podem levar à morte na sequência do contágio por Covid-19.

Os dados concluem que se verificou um aumento de 10% do risco de morte num hospital por cada ano a mais que o paciente tem.

A mesma investigação sugere que os pacientes graves disseminam o vírus durante mais tempo do que o que se pensava. Assim sendo, o vírus pode ser espalhado durante uma média de 20 dias: entre 8 e 37 dias. Todas as pessoas analisadas estavam hospitalizadas, pelo que é preciso cautela a interpretar os resultados.

Entre o surgimento dos sintomas até ao momento da alta hospitalar passaram-se, em média, 22 dias. No caso dos pacientes que morreram, o tempo médio até à morte foi 18,5 dias. A média de duração da febre foi de aproximadamente 12 dias e 45% dos sobreviventes ainda tinham tosse no dia em que receberam alta hospitalar.

ZAP // Lusa

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