Portimão “revoltado” com atraso no desconfinamento. Autarca do PS encosta Governo à parede

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A presidente da Câmara de Portimão, Isilda Gomes

A presidente da Câmara de Portimão, Isilda Gomes.

Portimão é um dos municípios forçados a um retrocesso no desconfinamento devido ao número de novos casos de covid-19 e a presidente da Câmara local, a socialista Isilda Gomes, não se conforma, criticando a “falta de respeito” pelos residentes e fazendo exigências ao Governo.

“O castigo que é imposto a Portimão e aos portimonenses é injusto, incompreensível e inaceitável”. As palavras são de Isilda Gomes, em declarações durante uma conferência de imprensa, onde revelou que tem recebido muitas queixas de cidadãos “revoltados”.

A autarca diz que é “uma enorme falta de respeito para com os empresários que lutam no seu dia-a-dia” e “para com todos aqueles que trabalham, afincadamente, para fazer face às dificuldades que têm e que são muitas”.

“O vírus não está nas esplanadas”, diz ainda Isilda Gomes, notando que o aumento de casos em Portimão está relacionado com “surtos que estão perfeitamente identificados, controlados e acompanhados”.

A presidente da Câmara situa nas escolas os principais focos de disseminação do vírus e critica o facto de os estabelecimentos de ensino continuarem abertos enquanto as esplanadas fecham.

O primeiro-ministro anunciou, no final da semana, o retrocesso do desconfinamento em quatro concelhos, designadamente Portimão, Moura, Odemira e Rio Maior, por terem um número de casos de covid-19 superior a 240 por cada 100 mil habitantes.

Assim, estes municípios ficam obrigados a recuar na abertura da economia, com novo encerramento das esplanadas e o retorno das vendas só ao postigo.

“Algarve contribuía com 4% do PIB nacional”

Perante este cenário, a presidente da Câmara de Portimão “exige” que o Governo implemente várias “medidas extraordinárias” no município, nomeadamente apoios à restauração e ao comércio, o reforço do policiamento e da fiscalização da ASAE e também o reforço da vacinação.

“Tenho visto, muitas vezes, o primeiro-ministro e a ministra da Saúde a visitarem centros de vacinação. Era altura de os dois poderem vir visitar o nosso centro de vacinação e também dizer aos portimonenses porque é que têm de recuar“, salienta Isilda Gomes.

A autarca diz que “ninguém compreende, no Algarve, o atraso na vacinação“, considerando que “há municípios do centro do país com um quinto da população [da região] com o mesmo número de vacinados”.

“Ou somos uma região turística ou não somos”, aponta ainda Isilda Gomes, lembrando que “o Algarve contribuía [antes da pandemia], no âmbito do turismo, com 4% do PIB nacional”.

Assim, a presidente da Câmara de Portimão deixa o desafio ao Governo, ameaçando tomar as devidas ilacções caso as suas exigências não sejam cumpridas. Contudo, a autarca não revela o que pretende fazer.

Isilda Gomes é membro da Comissão Política Nacional do PS e vice-presidente da Associação Nacional de Municípios.

“Porque fechar esplanadas quando risco está controlado?”

O atraso no desconfinamento anunciado pelo primeiro-ministro já motivou as críticas de outros autarcas, alguns dos quais lamentam que os critérios do Governo “prejudicam” os municípios menos populosos.

O médico de Saúde Pública Bernardo Mateiro Gomes é da mesma opinião, considerando que “o uso de indicadores como a incidência ou o Rt deve ser complementado com dados qualitativos”, conforme declarações ao Observador.

Porque se hão-de fechar esplanadas, espaços ao ar livre, quando o risco está controlado?”, questiona o médico.

O Governo anunciou que vai fazer uma avaliação quinzenal dos números, para ir avançando ou atrasando no plano de desconfinamento por concelhos.

A Direcção Geral de Saúde divulga todas as semanas os dados que servem de base às decisões do Governo. Se a situação fosse avaliada todas as semanas, o número de concelhos com retrocesso no desconfinamento aumentaria, conforme a análise feita pelo Observador.

Ora Bernardo Mateiro Gomes entende que é preciso avaliar a situação de forma mais qualitativa do que apenas em função da quantidade de casos, notando que é preciso ver se “as medidas restritivas vão ter um valor acrescentado” em cada concelho atingido.

A título de exemplo, o Observador cita o caso de Odemira, onde há surtos associados a trabalhadores sazonais. Neste caso, o médico questiona a validade de encerrar esplanadas.

Susana Valente Susana Valente, ZAP //

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4 COMENTÁRIOS

  1. Oh D. Isilda Gomes, deixe-se lá de lamúrias e faça-se à vida!
    Se o turismo já não dá vá semear favas, plantar amendoeiras ou apanhar berbigão na Ria de Alvor.
    Não pode é pretender ter um tratamento de excepção, apenas, por ser do partido que está no governo.
    Parece que nesta situação não pode furar a fila como o fez para apanhar a vacina à frente dos seus munícipes.

    • Em termos de eleições ela já deve estar de saída do PS e não me admira se o episódio da vacina precoce tivesse algo a ver com isso. Mas, se cada buraco nas ruas pudesse votar, ela seria reeleita de certeza. E obra feita, o circuito da F1 não deve ter buracos.

      O retrocesso tem componentes positivos para a população em geral que assim podem continuar a saborear os pratos cozinhados em casa e brincar com os filhos.

      Com as escolas com portas abertas, na prática, Portimão vai, para efeitos Covid, estar como na 2ª fase, enquanto a Grande Lisboa com os seus transportes públicos, irá regressar rapidamente para o nível de confinamento absoluto. Até me admira que a capital passa para a 3ª fase. Erro linguístico entre contagem e contagio?

  2. Se a Autarca falasse assim aos seus Munícipes, o seu Concelho estaria de certeza no Verde, como o costume é os Autarcas nunca assumirem nada, é como teremos eleições brevemente para as autárquicas Há que chutar para a frente, só que chutar para o governo não resolve o problema da Pandemia Local, Felizmente que ainda não tinha confirmado a estadia das férias.

  3. As regras foram atempadamente estabelecidas e agora foram aplicadas. Dúvidas??

    Siga!

    Nota: Se esta senhora tivesse vergonha na cara, escondia-se num buraco bem fundo e só saía quando a pandemia acabasse.

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