DGS retifica “erro de contagem”. Beja já pode avançar para a 3.ª fase de desconfinamento

Esta quinta-feira, o primeiro-ministro, António Costa, anunciou que Beja era um dos sete concelhos que não passavam para a terceira fase do desconfinamento. Paulo Arsénio, presidente da Câmara Municipal de Beja, disse que os dados estavam errados e a DGS corrigiu-os esta manhã.

Paulo Arsénio, presidente da Câmara Municipal de Beja, afirmou esta quinta-feira que houve “um erro de contagem” e que o município devia avançar para a terceira fase do desconfinamento, noticia o Observador.

Após o anúncio do primeiro-ministro, António Costa, o autarca disse, em declarações à SIC Notícias, que “os dados de que a autarquia dispõe colocam-nos claramente abaixo dos 120 casos por 100 mil habitantes nos últimos 14 dias”. “Beja não está a pedir nenhum favor especial, a fórmula é matemática, precisa”, afirmou.

Esta sexta-feira, pelas 11h, a Direção-Geral da Saúde (DGS) anunciou que “procedeu a uma retificação da incidência cumulativa de covid-19 a 14 dias por 100 000 habitantes, no concelho de Beja, para o período de 31 de março a 13 de abril de 2021″.

Assim sendo, a incidência cumulativa “é de 107 casos por 100 000 habitantes”, o que significa que Beja pode prosseguir para a terceira fase do desconfinamento, avança o Diário de Notícias.

António Costa anunciou que Beja era um dos sete concelhos que continua acima dos 120 casos por 100 mil habitantes e, portanto, não passaria para a terceira fase do desconfinamento. No entanto, o autarca socialista garantiu que o município tem apenas 107 casos por 100 mil habitantes.

“Entendemos que estamos na presença de um erro, os erros acontecem, são 308 municípios.” De acordo com os últimos dados, Beja tem apenas 24 casos ativos e, por isso, o autarca disse ter a “expetativa de que esta decisão seja revertida” – o que acabou, de facto, por acontecer.

Critérios “prejudicam” municípios menos populosos

Há sete concelhos que não transitam para a terceira fase do desconfinamento e quatro onde será preciso dar um passo atrás já na próxima segunda-feira, 19 de abril.

Filipe Santana Dias, autarca de Rio Maior (um dos concelhos deste último grupo que irá recuar), está preocupado com a economia do município, principalmente com as pequenas e médias empresas que vivem “da caixa registadora e que a cada dia que passa têm menos condições de venda”.

“Temos 33 casos ativos e importa que possamos não perder o foco, mas não perder também o discernimento porque, em fevereiro, este concelho tinha 647 casos ativos. Num concelho com 21 mil habitantes, 33 casos, sendo preocupante, não é o fim do mundo. E, no entanto, o concelho fecha, o que é, na nossa opinião, injusto, mas rácios são rácios e que eles tinham que ser estabelecidos ninguém tem dúvida”, disse ao Público.

Álvaro Azevedo, autarca de Moura, outro dos concelhos que vai recuar para o nível 1 do desconfinamento, confessou que já esperava que esta medida fosse anunciada.

“Temos vindo a alertar para esse facto. Tínhamos consciência de que estávamos numa situação sensível, mas compará-la com a situação de outras cidades com esta forma de cálculo é completamente absurdo”, disse, em declarações à RTP3.

“Quem ouve isto pensa que a situação está descontrolada em Moura, o que não é verdade. Hei de repetir isto vezes sem conta: esta fórmula de cálculo é altamente prejudicial para os municípios menos populosos. Tivemos um surto entre 17 e 30 de março num estabelecimento de ensino e isso, obviamente, fez subir exponencialmente a taxa de incidência”, justificou o autarca, à Lusa.

Além de Rio Maior e Moura, Odemira e Portimão também fazem parte do grupo de quatro concelhos que recuarão para o primeiro nível do plano de desconfinamento por terem registado, em duas avaliações consecutivas, um índice de transmissibilidade superior a 1 e uma incidência de novos casos por 100 mil habitantes superior a 120.

João Grilo, presidente da Câmara de Alandroal – um dos sete municípios que ficam, pelo menos durante mais duas semanas, no segundo patamar do plano – acha “injusto e penalizador” o seu concelho não passar à fase seguinte, defendendo que deviam ser refletidos “os dados mais recentes”.

Neste concelho, foram registados, nos últimos 14 dias, “quatro casos” de covid-19. “Poderíamos ter ficado de fora” da manutenção das restrições da segunda fase de desconfinamento “se fosse tido em conta os dados mais recentes”.

José Rolo, autarca de Albufeira, afirma que vai ser iniciada a testagem massiva à população para tentar deter surtos no concelho e conseguir avançar no processo de desconfinamento daqui a 15 dias.

Além de Alandroal e Albufeira, Carregal do Sal, Figueira da Foz, Marinha Grande e Penela não vão avançar para a terceira fase de desconfinamento.

Liliana Malainho, ZAP // Lusa

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