Com 24 infetados, bastam nove para Moura passar a linha vermelha. “Forma de cálculo é vergonhosa”

Mário Cruz / Lusa

O concelho de Moura tem 24 casos ativos. Bastam apenas nove infetados para que seja ultrapassada a linha vermelha estabelecida pelo Governo. 

Álvaro Azedo, presidente da câmara de Moura, disse à TSF que a forma de cálculo para o desconfinamento é vergonhosa e não faz justiça aos esforços dos pequenos municípios.

“Temos 24 casos ativos à data de hoje, ainda não sabemos o que a Páscoa nos trouxe. Para ficarmos numa situação difícil, o amarelo, faltam 16 pessoas. Para ficarmos no vermelho faltam-nos 33. Esta forma de cálculo é vergonhosa e a forma como tratam os municípios mais pequenos coloca-nos num patamar onde não devíamos estar“.

Segundo o autarca, o concelho tem feito de tudo e tem cadeias de transmissão plenamente identificadas. Para Álvaro Azedo, problema não é a testagem, é a forma de cálculo.

“Fazemos testagem desde sempre, só por conta da câmara já fizemos uns quatro mil testes. Fez-se a testagem que se tinha de fazer, identificaram-se as cadeias de transmissão, quem tinha de ficar em casa ficou em casa, quem teve de fazer tratamento fez tratamento”, afirmou.

O autarca lembrou que, se o concelho não conseguir avançar no desconfinamento, o efeito da pandemia vai ser ainda mais devastador.

“Que impacto é que tem na economia se não evoluirmos, um município pequenino como o de Moura, que vive do pequeno comércio e das suas microempresas? Tem sido devastador. É preciso olhar para o país de uma forma diferente porque também lutamos contra a pandemia de uma forma diferente, de uma forma muito mais organizada do que outros municípios de maior dimensão”, acrescentou.

Na semana passada, o primeiro-ministro, António Costa, reuniu-se através de videoconferência com os presidentes de câmara dos sete concelhos do país que apresentam maior taxa de incidência de covid-19. Em causa estavam os concelhos de Alandroal, Carregal do Sal, Moura, Odemira, Portimão, Ribeira de Pena e Rio Maior.

Na altura, já a Câmara Municipal de Odemira admitia aplicar uma cerca sanitária no concelho para evitar novos casos se as autoridades de saúde não mudarem a forma como calculam a taxa de incidência que define as linhas vermelhas do Governo.

Também o presidente da Câmara de Alandroal disse que os critérios de risco devem ser revistos, porque podem induzir em erro. João Nunes, presidente da Câmara de Barrancos, concordou. Este município tinha, na semana passada, quatro casos de covid-19. Se tivesse mais dois contágios, era atingido o limite estabelecido pelo Governo.

Maria Campos Maria Campos, ZAP //

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1 COMENTÁRIO

  1. É… É bem vergonhoso… Ou talvez não! Se calhar se tivessem mais cuidado e prevenissem em vez de reagir e queixar-se, talvez os “cálculos injustos” não fossem necessários!. Mas mais vergonhoso é o comportamento do povo que se continua a desleixar á espera da altura em que se tenha de dizer… “Outra vez confinamento?” Isso sim é bem mais vergonhoso que qualquer forma de cálculo!

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