Ministério Público saudita pede pena de morte no caso da morte de Khashoggi

Erdem Sahin / EPA

O Ministério público saudita pediu pena de morte para cinco dos 11 suspeitos envolvidos na morte do jornalista saudita Jamal Khashoggi.

O procurador do Ministério Público da Arábia Saudita, Saud al-Mojeb, pediu a pena de morte para cinco dos 11 suspeitos envolvidos na morte de Jamal Khashoggi, correspondente do The Washingthon Post. O anúncio foi feito esta quinta-feira, pelo próprio, numa conferência de imprensa.

Os cinco indivíduos para os quais é pedida pena de morte são suspeitos de terem ordenado que Khashoggi fosse drogado e desmembrado, depois de uma conversa que, segundo o Observador, não terá corrido da melhor forma dentro do consulado na Turquia.

Na conferência de imprensa, Saud al-Mojeb adiantou ainda que as investigações revelaram que “o príncipe saudita não tinha conhecimento” da ordem para matar, poucos dias depois de as autoridades turcas terem admitido a gravação pode comprometer o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman.

No entanto, o conselheiro de segurança nacional nos Estados Unidos, John Bolton, diz que a gravação não indica nenhuma ligação ao príncipe saudita. Donald Trump tem referido várias vezes a importância das relações comerciais com a Arábia Saudita, o maior comprador de equipamento militar. Além disso, Jared Kushner, genro de Trump, tem uma relação próxima com o príncipe Salman.

Jamal Khashoggi, jornalista saudita crítico do regime, foi morto no dia 2 de outubro no consulado saudita em Istambul, na Turquia.

A Arábia Saudita começou por assegurar que o jornalista tinha saído do consulado vivo, mas depois mudou de versão e admitiu que foi morto na representação diplomática numa luta que correu mal. Segundo a investigação turca, Khashoggi foi morto por um esquadrão de agentes sauditas que viajaram para Istambul com esse fim.

O Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, disse por várias vezes que a ordem para matar Khashoggi “foi dada ao mais alto nível do estado” saudita.

Explicações do MP saudita são insuficientes

A Turquia considerou esta quinta-feira “insuficientes” as explicações do Ministério Público da Arábia Saudita sobre a morte do jornalista, insistindo no caráter premeditado da operação. “Todas estas medidas são positivas, mas também insuficientes”, disse o chefe da diplomacia turco, Mevlüt Cavusoglu, acrescentando não “estar satisfeito” com algumas informações.

Segundo explicações de Riade, o plano para assassinar Khashoggi foi posto em marcha a 29 de setembro, três dias antes da morte do jornalista, e foi o chefe-adjunto dos serviços de informações sauditas, general Ahmed al-Assiri, que ordenou o regresso forçado de Khashoggi à Arábia Saudita.

A ordem para matar o jornalista foi dada pelo chefe da equipa de “negociadores”, segundo o Ministério Público saudita. “Dizem-nos que foi morto porque se teria oposto a regressar ao seu país, mas na verdade, a morte, como já dissemos anteriormente, foi planeada com antecedência”, disse.

O desmembramento do corpo não foi espontâneo. Tinham levado as pessoas e os equipamentos necessários para o fazer. Ou seja, tinham planeado como o matariam e como o desmembrariam”, acrescentou.

A diplomacia turca apelou ainda para que sejam revelados os “verdadeiros mandantes” da operação, depois de o MP ter ilibado o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman. “Este caso não pode ser encerrado desta forma”, disse Cavusoglu, assegurando que a Turquia fará tudo “o que estiver ao seu alcance para fazer luz sobre todos os aspetos desta morte”.

ZAP // Lusa

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