Partidos concordam com o alívio no Natal (mas plano de vacinação não satisfaz Marcelo)

André Kosters / Lusa

Com o voto favorável do PSD assegurado, o Parlamento vai aprovar, esta sexta-feira, o decreto presidencial com a segunda renovação do estado de emergência desta segunda fase da pandemia.

Depois da reunião no Infarmed, Marcelo Rebelo de Sousa recebeu em Belém os representantes dos partidos para lhes dar conta da intenção de renovar o estado de emergência. À saída, Rui Rio, líder do PSD, anunciou o voto favorável do partido.

O consenso foi geral: os partidos concordam com a diferença entre a quadra natalícia e a passagem de ano e com um Natal menos condicionado. Ainda assim, PCP e Os Verdes opõem-se ao estado de emergência.

Mariana Silva, do PEV, que confirmou o voto contra do partido, afirmou que não será possível estar “permanentemente em estado de emergência”.

“Não vamos estar permanentemente em estado de emergência, por isso é que consideramos que não é a figura do estado de emergência que define e faz com que os portugueses se retraiam também nos seus comportamentos. É sim explicar aos portugueses que estes comportamentos podem fazer baixar os números”, disse a deputada, citada pelo Observador.

O PCP continua contra o recurso ao estado de emergência e quer que o Governo esclareça a população sobre a vacina. Jerónimo de Sousa, secretário-geral do partido, disse que “os portugueses esperam muito pela vacina, mas querem saber as condições em que será aplicada. Esse sentimento de tranquilidade tem que ser dado com um esclarecimento por parte das autoridades de saúde e do Governo”.

A 20 de novembro, o Governo não contou com o PCP, PEV, Chega, Iniciativa Liberal e a deputada não inscrita Joacine Katar Moreira, e o cenário deve repetir-se esta sexta-feira, uma vez que o alívio das restrições no Natal não é suficiente para convencer estes partidos a votar a favor.

O Bloco de Esquerda ainda não divulgou o sentido de voto, mas já apontou “duas preocupações” em relação à renovação do estado de emergência.

Segundo o Observador, o partido quer que o decreto de emergência seja acompanhado por medidas de apoio aos setores mais afetados e, em segundo lugar, uma “explicação ao país, às famílias, a toda a gente” sobre “o que é o vírus e como se propaga”.

“É muito importante que haja uma adequada comunicação do risco à população e que haja uma pedagogia sobre a forma como o vírus se propaga para que cada pessoa possa tomar as melhores decisões para zelar pela sua saúde e de quem lhe é querido”, justificou Catarina Martins.

Já o CDS fala numa abstenção “em protesto solene”. “A abstenção significa isto: um protesto solene face à falta de transparência do Governo e de diálogo com a oposição, mas, ao mesmo tempo, uma afirmação exigente de que as medidas sejam certeiras, sejam eficazes, e que haja uma compensação económica para os setores mais afetados”, disse Francisco Rodrigues dos Santos.

Por sua vez, o PAN, que diz ainda não conhecer o documento, “tende para a abstenção”. “Determinaremos o sentido de voto depois de lermos o texto final, mas a tendência neste momento é para abstenção, na medida em que concordamos, de facto, que se mantenha alguma contenção, para se evitar levantamentos drásticos destas medidas!, afirmou André Silva.

Plano de Vacinação não satisfaz Marcelo

O Expresso avança, esta sexta-feira, que o Presidente da República está descontente com o plano de vacinação, apresentado pelo Governo esta quinta-feira.

Na conferência com os partidos, Marcelo revelou algumas dúvidas e incómodas, sendo que uma delas se prende com o facto de preferir que a administração da vacina não fosse um exclusivo do Serviço Nacional de Saúde (SNS), e que fosse também aberta aos prestadores de saúde privados.

De acordo com o semanário, o Presidente teria optado por envolver o setor privado no plano de vacinação, tendo como principal objetivo aliviar os centros de saúde. O chefe de Estado acredita que isso aceleraria as várias etapas do plano de vacinação e permitiria um regresso mais célere à normalidade.

Mas há outras reservas, nomeadamente em relação ao número de doses que vão estar disponíveis para inoculação, aos locais onde a vacina vai ser dada e, sobretudo, às metas e ao calendário do Governo. No fundo, Marcelo Rebelo de Sousa teme que os prazos e os objetivos sejam demasiado ambiciosos.

  ZAP //

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7 COMENTÁRIOS

  1. Desta vez o Marselfie está cheio de razão, A vacinação deveria ser no mais curto espaço de tempo e os privados poderiam contribuir para acelerar a vacinação. Concentrar tudo no Estado, é mais uma “pancada” extremista da Marta Temido.

    • Esta senhora tem um “quid pro quo” contra tudo o que é privado, faz um bom trio com o BE e o PC.
      Assentando toda a vacinação no público em dezembro do ano que vem ainda não vacinámos metade da população!? Se for uma vacina anual, como a da gripe, já estão os de 2020 a cair em cima e ainda falta metade para vacinar a primeira vez!!!
      Vai ser giríssimo e muito eficiente 🙂

  2. Interessante! O Covid diferencia o Natal?

    As consequências irão aparecer imeditamente em Janeiro; as manobras políticas e a falta de uma política robusta, seguimento das regras, e aplicação eficaz da lei é incoerente, ilógica; parece que muda ao favor do vento.

    Quanto ao plano de vacinação, basicamente vamos estar 6 (seis) meses em para, arranca, sendo que com o “derrapanço”, que é prática comum, para o próximo Natal teremos tudo concluído — claro que espero estar 100% errado.

    Vejamos!

    • Lamento informar mas, embora a minha vida/opinião seja assim tão importante para ti, a tua existência é completamente irrelevante!…

      • Tu também vais para debaixo da terra, portanto, não tentes jogar ao jogo da supremacia. Debaixo da terra, todos são iguais, e em cima dela, também.

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