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Ordem dos Médicos diz que não pode fazer auditoria ao surto em lar de luxo no Porto

A Ordem dos Médicos disse que não pode fazer uma auditoria clínica ao surto de covid-19 no lar de luxo Residência Montepio, no Porto, porque não recebeu qualquer queixa de falhas nos cuidados prestados na instituição.

A Residência do Montepio, no Porto, registou 48 casos positivos, 29 utentes e 19 profissionais. O surto neste lar de luxo levou à morte de 16 pessoas, havendo ainda mais três pacientes internados no hospital.

Em declarações ao jornal Público, o presidente da Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos, António Araújo, explicou que, para fazer uma auditoria clínica semelhante ao que foi feito no caso do lar de Reguengos de Monsaraz, “teríamos que ter uma participação feita por alguém”.

“Não tendo a Ordem dos Médicos recebido nenhuma queixa, seja de doentes, familiares ou médicos, relativa ao lar mencionado, ou informações sobre alguma desconformidade no processo, não tem competência para desencadear uma auditoria autónoma, como a que aconteceu em Reguengos de Monsaraz”, referiu a Ordem dos Médicos, numa resposta escrita.

A OM garantiu manter “total disponibilidade para colaborar com as autoridades competentes no que entendam como necessário”, disse que vai “questionar diretamente as autoridades competentes sobre as investigações em curso” e sublinhou a necessidade de “um verdadeiro plano de inverno que dê resposta a várias questões, muito em particular aos lares”.

Por outro lado, a Direção-Geral de Saúde (DGS) e a Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte garantiram, numa resposta conjunta, que a situação deste lar “teve a adequada intervenção das autoridades de saúde locais”.

Lar justifica óbitos com idade média de 90 anos

Em comunicado, a empresa que detém as oito residências de luxo garantiu que a taxa de letalidade se ficou pelos 22%, percentagem que diz ser “considerada baixa, atendendo à média de idade dos residentes – 90 anos”.

A Residências Montepio disse ainda ter feito tudo para prevenir a proliferação do novo coronavírus, não tendo conseguido evitar o desfecho que ocorreu. “Apesar de tudo ter sido feito no sentido de prevenir a propagação do vírus e combater a pandemia não foi possível evitar a situação de contágio identificada na Residência Porto Breiner e que resultou no falecimento de 16 residentes, ocorrência que lamentamos profundamente”, afirma a empresa.

O grupo garantiu que elaborou um plano de contingência para a covid-19 e que este foi “complementado” com medidas específicas no âmbito da higiene, limpeza, desinfecção, gestão de resíduos, distanciamento social, concentração de pessoas e ventilação dos espaços.

A Residência Montepio “garantiu o envio de informações periódicas e atualizadas sobre as situações em causa à direção clínica do Centro Hospitalar do Porto e à Unidade de Saúde do Porto, garantindo articulação próxima com os diferentes intervenientes no processo”.

O lar assegurou ainda que os seus profissionais são testados “com elevada periodicidade, no sentido da identificação de casos positivos o mais precocemente possível”. Entre os colaboradores infetados, sete já se encontram recuperados e seis destes já retomaram funções.

  ZAP //

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