OMS reage à decisão de Trump. “Única preocupação” é salvar vidas

unisgeneva / Flickr

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS)

Depois de os Estados Unidos terem anunciado a suspensão do financiamento à OMS, o diretor-geral da organização disse que a sua “única preocupação” é ajudar os países na luta contra a pandemia de covid-19 e “salvar vidas”.

“Não há tempo a perder. A única preocupação da OMS é ajudar todas as pessoas a salvar vidas e acabar com a pandemia de covid-19″, escreveu Tedros Adhanom Ghebreyesus no Twitter, sem mencionar a decisão do Presidente norte-americano.

Entretanto, numa conferência de imprensa online, o diretor-geral da OMS lamentou  a decisão do Presidente dos Estados Unidos, mas não disse, apesar da insistência dos jornalistas, que impacto terá o corte do apoio norte-americano.

O responsável disse apenas que a OMS vai estudar esse impacto e a melhor maneira de compensar a falta desse dinheiro, podendo trabalhar com outros parceiros para “tentar preencher a lacuna financeira”, para que o trabalho continue sem interrupções.

Quanto às críticas feitas por Donald Trump de má gestão, Ghebreyesus disse que essa matéria será objeto de análise em tempo oportuno e que agora o foco “é parar o vírus e salvar vidas“.

Afirmando que os Estados Unidos têm sido um “amigo generoso” da OMS, o responsável lembrou que a organização não luta apenas contra a covid-19 e enumerou várias doenças que fazem parte do seu trabalho.

E acrescentou: “No momento oportuno, o desempenho da OMS na luta contra a pandemia de covid-19 será analisado pelos Estados membros da OMS e pelos órgãos independentes existentes para garantir transparência e responsabilidade”.

Esta terça-feira, Donald Trump anunciou que os Estados Unidos vão suspender a contribuição do país para a OMS, justificando a decisão com a “má gestão” da pandemia de covid-19 pela agência da ONU.

“Ordeno a suspensão do financiamento para a Organização Mundial da Saúde enquanto estiver a ser conduzido um estudo para examinar o papel da OMS na má gestão e ocultação da disseminação do novo coronavírus”, disse Trump.

O Presidente republicano referiu que os EUA contribuem com “400 a 500 milhões de dólares por ano” (entre 364 e 455 milhões de euros) para a OMS, em oposição aos cerca de 40 milhões de dólares (mais de 36 milhões de euros), ou “ainda menos”, que disse ser o investimento da China naquela organização.

A China já reagiu, manifestando “profunda preocupação” com a decisão de Washington e considerando que “enfraquecerá as capacidades da OMS e prejudicará a cooperação internacional contra a epidemia”.

Chuva de críticas

A decisão do chefe de Estado norte-americano já gerou muitas críticas, como seria de esperar, desde as Nações Unidas à União Europeia.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou que “este não é o momento de reduzir o financiamento das operações da Organização Mundial da Saúde ou de qualquer outra instituição humanitária que combata o vírus”.

“A minha convicção é que a Organização Mundial da Saúde deve ser apoiada por ser absolutamente essencial aos esforços do mundo para ganhar a guerra contra a covid-19″, salientou.

Por sua vez, numa mensagem publicada na sua conta oficial no Twitter, o Alto Representante da UE para a Política Externa, Josep Borrell, deplora a medida anunciada pelo presidente norte-americano, sustentando que “não há razão que justifique esta medida, numa altura em que os seus esforços são mais do que nunca necessários para ajudar a conter e mitigar a pandemia covid-19″.

“Apenas juntando forças podemos superar esta crise que não conhece fronteiras”, completou o chefe da diplomacia europeia.

“Devemos trabalhar em estreita colaboração contra a covid-19. Um dos melhores investimentos é reforçar as Nações Unidas, em particular a OMS, que está subfinanciada, por exemplo, para o desenvolvimento e a distribuição de testes e vacinas”, escreveu no Twitter o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Heiko Maas.

Também o vice-ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Riabkov, afirmou que a decisão dos EUA é “muito alarmante”. “É a manifestação de uma abordagem muito egoísta das autoridades norte-americanas em relação ao que está a acontecer no mundo”.

O representante russo reforçou que “este golpe” visando neste momento específico esta organização “é uma abordagem que merece ser denunciada e condenada”.

Portugal: “Não é tempo de enfraquecer” a OMS

“A luta contra a pandemia covid-19 exige o trabalho de todos e o reforço das organizações multilaterais”, lê-se numa mensagem publicada na conta oficial do Ministério dos Negócios Estrangeiros português no Twitter.

“Não é tempo de enfraquecer a Organização Mundial de Saúde, mas sim de apoiá-la”, acrescenta o texto.

A pandemia de covid-19 já provocou quase 127 mil mortos e infetou mais de dois milhões de pessoas em 193 países e territórios.

Os Estados Unidos são o país que regista atualmente o maior número de mortes, 25.757, e de casos de infeção, mais de 600 mil.

ZAP // Lusa

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2 COMENTÁRIOS

  1. Se o objectivo da OMS é ajudar os países na luta contra a pandemia de covid-19 e “salvar vidas”, não se deviam ter deixado ser controlados pela China. Quando foram a China deviam de ter ido falar com os médicos que estavam presos quando tentaram divulgar sobre a covi-19. Mas quando a corrupção entra todo e possível. Organizações como estas não haviam de existir, e pena ser Donald Trump o único que está a fazer alguma coisa.

    • No entanto, o Trump não espere por magia a OMS faça desaparecer o vírus… Até porque, o Trump também não tem feito grande coisa para minimizar a pandemia no seu próprio pais.
      É verdade que a decisão tardou, mas decidiram, assim como as decisões de cada governo, do respectivo pais, pecaram pelo tardio. Mas o mal está feito, e agora é trabalhar para que o dano seja minimizado o melhor que se consegue.

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