Ao contrário do que foi dito pela DGS, o número de testes caiu. Rastreio a contactos de baixo risco arranca amanhã

Guillaume Horcajuelo / EPA

Uma semana após entrar em vigor a nova estratégia de testes à covid-19, que alargou o rastreio a todos os contactos dos infetados e a um conjunto de setores, o número de testes feitos em Portugal caiu para menos de metade em relação ao pico da pandemia.

Segundo os dados oficiais da Direção-Geral da Saúde, na semana passada realizaram-se em média 33 mil testes por dia, sendo que no pico da pandemia, em janeiro, essa média foi de 70 mil testes. Assim, a semana que passou foi a semana de 2021 em que se realizaram menos testes à covid-19.

“Bastante menos. Tendo em conta o que se passou até ao fim de janeiro, em que cheguei a ter 10.200, 10.400 testes por dia”, confirmou à Rádio Observador o médico Germano de Sousa, que lidera um dos principais grupos de laboratórios do país. “Desde o começo de fevereiro, os testes têm vindo a baixar e esta semana, particularmente, os testes reduziram-se para metade ou até menos de metade.”

O ex-bastonário da Ordem dos Médicos diz que não é por falta de capacidade dos seus laboratórios e acrescenta que até já avisou “quem de direito” que as suas instalações podem fazer mais. “Os meus laboratórios, se fossem precisos, estariam já a fazer 12, 13 mil testes por dia e, se necessário, com esforço, em oito dias passaríamos para 15 mil, dando resultados em 24 horas.”

A nova regra de testagem, que entrou em vigor no dia 15 de fevereiro, alargou a realização de testes à covid-19 a todos os contactos de um infetado, incluindo os de baixo risco. Em paralelo, foi alargada a realização de rastreios em escolas, prisões, fábricas ou na construção civil nos concelhos de maior risco.

São apontados vários fatores para explicar a redução no número de testes, incluindo a diminuição significativa do número de casos devido ao confinamento ou a limitação às deslocações para o estrangeiro. No entanto, também se verifica um atraso em fazer sair do papel a nova norma da DGS.

Um dos setores onde o aumento da testagem era mais aguardado é o da construção civil, mas representantes do setor dizem à Rádio Observador que isso ainda não aconteceu. “A aplicação direta dos testes à luz da norma, penso que não terá havido nenhuma evolução”, disse o presidente da Associação de Empresas de Construção, Ricardo Gomes.

No setor da educação, os testes arrancaram, mas em número reduzido. “Temos conhecimento que esses testes já estão no terreno, são testes realizados periodicamente, mas a um número muito pequeno de funcionários e professores“, lamenta Filinto Lima, o presidente da Associação Nacional de Diretores de Escolas Públicas.

Já nas prisões, a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais confirmou ao Observador que estão a ser realizados testes regulares, mas não adiantou números.

De acordo com o Público, há a garantia de que amanhã arrancam os testes aos contactos de baixo risco.

Quem o diz é a Direção-Geral da Saúde ao Público, depois de o jornal ter constatado que a Linha SNS24 ainda não o estava a fazer para os contactos de baixo risco de um infetado. Até à atualização da estratégia estas pessoas não eram testadas, ficando apenas em vigilância passiva durante 14 dias.

A DGS justifica o atraso da concretização das novas regras com o facto de ter feito uma nova atualização a uma outra norma, que determina como se faz o rastreio dos contactos e que medidas são obrigadas a tomar as pessoas que estiverem em contacto até 48 horas antes do início de sintomas com um infetado ou, no caso dos que não apresentam sintomas, até dois dias antes da data da colheita da amostra que veio a detetar a infeção com o novo coronavírus.

A Direção-Geral da Saúde garante que os novos algoritmos – que acompanham as novas regras e que implicam uma adaptação da plataforma informática que orienta os passos dos profissionais de saúde que atendem a Linha SNS24 – já estão validados, o que permitirá que as novas orientações comecem a funcionar na próxima terça-feira.

400 farmácias a fazer testes à covid-19

Há quase quatro centenas de farmácias envolvidas na testagem à covid-19 em Portugal e o número pode triplicar caso haja necessidade.

Em entrevista à Antena 1 e Jornal de Negócios, Paulo Cleto Duarte, presidente da Associação Nacional de Farmácias (ANF), diz ainda acreditar que o Governo vai avançar com uma linha de testagem rápida nestes estabelecimentos.

O representante setorial afirma ainda que a situação financeira das farmácias se agravou, apontando que 25% da rede está em sofrimento financeiro e que há mais de 40 farmácias em processo de insolvência, ou sujeitas a planos de recuperação.

Sobre a vacinação contra a covid-19, o presidente da ANF concorda que as farmácias só sejam chamadas a fazer parte da cadeia numa próxima fase, visto que, nesta altura, não há vacinas em quantidade que justifique o alargamento da rede.

Cleto Duarte assegurou, por fim, que as farmácias não querem ter lucro com este processo de vacinação, mas apela a que sejam cobertos os custos.

Ana Isabel Moura Ana Isabel Moura, ZAP //

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8 COMENTÁRIOS

  1. Agora é que são elas…
    Resta saber se os casos não detetados deram ou darão origem a muitos mais.

    Acabou a vaga, acabaram-se os testes. Esta lógica do martelo não tem lógica.

  2. Como houve menos testes foi por isso que subiu os internados, os cuidados intensivos e até mais mortes.
    E já agora porque será que Os comentaristas, bastonários e outros que passam a vida a falar mal de tudo e todos são de uma certa área política?
    Será coincidência?

  3. até dá para rir estas noticias…
    com pompa e circunstancia vieram dizer que iam arrancar os testes em massa em setores como escolas, industria, construção civil, etc…
    que os testes iam ser alargados contactos de baixo risco…
    e o que se vê: afinal os testes cairam a pique e ainda não se sabe nada como se vai processar os testes em larga escala na industria ou na construção por exemplo…

    é como a noticia que dá mesmo para rir que saiu hoje: os cirurgiões estão em teletrabalho…
    será que o doente fica em casa deitado e o médico faz a operação atravês do PC!

    Andam é a brincar com o zé povinho…

  4. Isto deve-se com o facto de os infetados não identificarem as pessoas com quem tiveram contacto, para não lhes “atrapalhar a vida, com estes a terem de ficar em casa 14 dias, no caso de dar. negativo. Isto passou-se comigo.

  5. Que miséria! Então os testes eram para atingir, de imediato, os 100.000 diários e, em vez, disso vieram para menos de 30.000 ! Ah, já percebo: é que éramos os piores do mundo em infetados e é necessário um estratagema rapidíssimo para encobrirmos isso e mostrarmos que, afinal, somos bons! A Classe política é de uma imaginação muito fértil ! E o povo é que tem que aguentar estas patifarias.

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