Em África, milhões de pessoas não têm água ou sabão. Lavam as mãos com cinzas

No continente africano, cerca de 258 milhões de pessoas não têm acesso a água e sabão. Para higienizar as mãos, usam-se cinzas.

A falta de condições sanitárias, sobretudo no sudoeste asiático e na África subsariana, é de tal forma grave que, em 2008, foi instituído o Dia Global de Lavar as Mãos, que se celebra a 15 de outubro.

Ivo Saruga, da AMI – Assistência Médica Internacional, estima que o número de pessoas que “não tem acesso a dispositivos para higienizar as mãos na África subsariana é de 258 milhões”.

O responsável disse ao Expresso que, na falta de água e sabão, e quando existe lixívia, “pode ser substituído por uma diluição feita na proporção certa, apesar de não ser tão eficaz quanto o sabão”.

Lavar as mãos é um passo fundamental para nos protegermos de qualquer infeção. Numa altura em que o mundo está a braços com a pandemia de covid-19, a higienização das mãos ganha outra proporção, principalmente nesta zona do globo, onde o transporte de água é muitas vezes feito à cabeça, numa tarefa que cabe quase sempre às mulheres.

A OMS – África estima que o novo coronavírus possa provocar 190 mil mortes neste continente, este ano. “Oitenta e três mil a 190 mil pessoas em África poderão morrer de covid-19, e 29 a 44 milhões poderão ser infetadas no primeiro ano da pandemia se as medidas de contenção falharem.”

Ao mesmo semanário, Cláudia Conceição, do Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade Nova de Lisboa, lembrou que utilizar cinzas para lavar as mãos não tem eficácia comprovada na prevenção da infeção por coronavírus, mas é o método utilizado na falta de “dispositivos para lavar as mãos”.

Aliás, o Expresso adianta que o site do Ministério da Saúde de Moçambique tem dois vídeos onde explica de forma detalhada como se devem lavar as mãos utilizando cinzas quando não há sabão.

A prática é uma recomendação “da OMS, que a menciona num guia publicado a 23 de abril”, disse ao matutino a médica pneumologista Elisabete Nunes, do Hospital Central de Maputo. O site do Ministério da Saúde de Moçambique disponibiliza ainda uma ferramenta interativa de auto-avaliação, “com perguntas a que as pessoas devem responder para avaliar a sua condição de saúde”.

A médica lembra que as autoridades de saúde moçambicanas tomaram “medidas muito cedo para retardar a transmissão do vírus e organizar os serviços de saúde a nível hospitalar: sensibilizámos a população para ficar em casa, ter cuidado com a higiene das mãos, usar máscara, manter a distância social e proteger os mais velhos”.

ZAP //

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5 COMENTÁRIOS

  1. E para lavar os dentes usa-se pedaços de madeira já em carvão e mantêm os dentes mais brilhantes do que muitos por cá!

  2. Se não têm sabão podem usar lixívia. E se não têm pão comam brioches. Peçam responsabilidades aos comunistas que foram os responsáveis pelas guerras de África e hoje está tudo muito pior. Excepto para os cabecilhas.

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