Medina segura Manuel Salgado e critica as campanhas de “casos e casinhos” dos adversários

Manuel de Almeida / Lusa

O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina

Fernando Medina reitera a confiança em Manuel Salgado depois do caso da construção do hospital CUF e critica os “casos e casinhos” usados durante a campanha, como o contrato com uma empresa de fornecimento de kits para os centros de vacinação que tinha ligações ao PS.

Em entrevista ao Observador, o Presidente da Câmara da Lisboa e candidato do PS respondeu a várias polémicas que têm sido debatidas durante a campanha para as autárquicas.

Sobre o caso do ex-vereador Manuel Salgado, que foi constituído arguido no âmbito da construção do hospital CUF Tejo, Medina refere que “não houve uma avaliação adequada do impacto visual daquela construção”, mas mantém a confiança em Salgado, afirmando que a cidade “teve um grande salto” durante a sua gestão.

“Continuarei a ouvir Manuel Salgado”, defende Medina. O autarca de Lisboa acusa também o CDS de “fraqueza política” por estar a causar o reaparecimento de “processos perto das eleições autárquicas”.

Em Junho, a Câmara de Lisboa assinou um contrato com a empresa Sogenave para o fornecimento de kits para quem está no recobro nos centros de vacinação, que incluem uma peça de fruta, um pacote de bolachas de água e sal e uma garrafa de água.

A autarquia pagou 425 mil euros em ajuste directo e o presidente do conselho fiscal da empresa é José Cardoso Silva, ex-vereador socialista no primeiro mandato de António Costa na Câmara da capital.

Sobre o possível conflito de interesses, Medina diz não conhecer o processo e a empresa e defende-se dizendo que o mercado do fornecimento de refeições “está profundamente oligopolizado” e que só existem “dois grandes grupos”.

“Essa história mostra o quão negativa e tóxica se está a tornar a nossa vida pública, em que temos uma campanha feita de casos, de casinhos, de insinuações, de tentativas de manchar o nome e a honorabilidade das pessoas na praça pública”, remata.

Medina acrescenta que não sabe de a empresa concorrente tem militantes do PS ou de outros partidos e acusa os adversários de recorrerem a polémicas na campanha em vez de “afirmarem uma visão alternativa” para a cidade.

O autarca concorda que o ajuste directo não é a melhor opção e que os concursos públicos são preferenciais, mas que demoram muito tempo e a CML queria ter tudo pronto no arranque da vacinação.

Já sobre a secção do PS na Carris, que já cresceu o suficiente para ser uma das maiores estruturas do partido, Medina achou a “história divertida” e que se riu das acusações de “caciquismo político” por querer atrair mais trabalhadores para a militância socialista.

“Arrisco-me a dizer que o grande motor da simpatia dos trabalhadores da Carris, quer pelo PS, mas também por outros partidos à esquerda, decorreu aliás do combate que estes partidos sempre fizeram contra uma operação que iria redundar na destruição prática da empresa”, afirma, e diz que estaria mais surpreendido se os trabalhadores se juntassem ao PSD ou ao CDS.

Sobre o uso de fotografias tiradas pelo fotógrafo da CML no Instagram da campanha de reeleição, o autarca diz que se conforma com o que a Comissão Nacional de Eleições decidir que considere razoável.

“Aquilo que não me parecer razoável, recorrerei ao Tribunal Constitucional. E que o TC disser, eu acatarei sem reservas”, reforçando que as estruturas da autarquia e da campanha estão separadas.

No caso do relatório sobre os festejos do Sporting, Medina admite que não correram bem, mas diz não estar arrependido de ter concordado com o modelo, já que ou haveria festejos minimamente organizados ou seriam “completamente espontâneos”.

Fernando Medina integrou também a Comissão de Honra de Luís Filipe Vieira. Desde então que rebentaram os casos na justiça que envolvem o ex-presidente do Benfica, mas o autarca explica que o seu apoio “foi a título pessoal, não foi institucional” e não descarta a possibilidade de voltar a manifestar no futuro a sua preferência sobre quem quer que dirija o seu clube.

O socialista tinha também prometido a atribuição de 6000 casas de renda acessível, mas o número ficou-se pelas 800. Medina admite que não iria conseguir cumprir a promessa mesmo que a pandemia não tivesse acontecido e explica que as concessões a privados para fazerem as construções atrasaram o processo devido à intervenção do Tribunal de Contas.

Medina reitera também o apoio à recandidatura de António Costa à liderança do PS e deixa claro que vai exercer o mandato até ao fim “se merecer de novo a confiança dos lisboetas para ser presidente da Câmara de Lisboa”.

  ZAP //

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1 COMENTÁRIO

  1. tanto caso que é uma vergonha a sua candidatura!
    O caso da russia
    O caso das ecopistas
    O caso dos pilaretes assim num momento lembrei-me de mais 3!

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