O sufixo do legado de Costa chama-se “maioria reforçada”. Mas nem sempre que o homem sonha, a obra nasce

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Mário Cruz / Lusa

O primeiro-ministro, António Costa, com o Ministro das Finanças, João Leão, depois de a proposta de Orçamento do Estado para 2022 ter sido chumbada no Parlamento

O primeiro-ministro, António Costa, com o Ministro das Finanças, João Leão

O Orçamento do Estado para 2022 foi chumbado esta quarta-feira. A crise política já começou e António Costa está preparado para o que aí vem. Nas eleições, o objetivo é caçar os votos da esquerda “frustrada” e atingir a maioria absoluta.

Já antes de a proposta orçamental esbarrar no Parlamento, António Costa ensaiava a retórica, afirmando que era com o PS e com a esquerda que havia estabilidade governativa.

No discurso de encerramento, viria a fazê-lo de novo, pedindo uma “maioria reforçada, estável e duradoura numa próxima sessão legislativa”.

De acordo com o Expresso, falou dos “dois milhões, setecentos e quarenta mil” votos que a esquerda teve, toda junta, em 2019, para começar, desde já, a caça ao voto útil em busca de uma maioria absoluta.

“Não excluiremos os partidos da nossa esquerda das responsabilidades que também têm de não serem só partidos de protesto, mas serem também partidos de solução para os problemas nacionais”, afirmou António Costa, no púlpito, sem ser clara a nova configuração da geringonça.

À noite, em entrevista à TVI, Augusto Santos Silva foi mais claro e explicou que, para governar, o PS admite três cenários: maioria com ou sem PAN, maioria de direita ou uma nova geringonça.

Se, por um lado, o PS quer roubar votos à esquerda e alcançar a segunda maioria absoluta, também sabe, por outro, que poderá ter de vir a negociar com estes partidos.

A esquerda desmoronou no hemiciclo

Catarina Martins culpou o Governo pelo desfecho desta quarta-feira, criticando o PS por não ter dado resposta na saúde, no investimento, nos aumentos salariais e nas pensões.

A coordenadora bloquista salientou que as escolhas do Executivo “não têm nada de esquerda nem são resposta aos problemas do país”. Foi ainda mais longe, ao afirmar que Costa “preferiu abrir uma crise política, rompeu todas as pontes, recusou todas as propostas e preferiu voltar ao infeliz discurso da campanha autárquica embalado para eleições antecipadas”.

Já o PCP, sem abordar o sentido de voto contra, disse que não estava nas suas mãos “dar a resposta que só o Governo podia dar”.

Recusámos e recusaremos substituir esse debate por um guião de passa-culpas para ver quem é mais ou menos responsável pelo desfecho da votação deste Orçamento. Isso pode até render um bom guião para as disputas eleitorais em 2023 mas não é isso que resolve os problemas do povo e do país”, reagiu João Oliveira.

A troca de argumentos continuou até António Costa ter enfatizado o “orgulho” que sente pelos seis anos que passaram: foram “um período superior” a governos de alianças entre o PSD e o CDS, frisou.

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“Sim, fomos mais estáveis“, lembrou, num argumento que levará, certamente, para eleições.

Nas mãos do Presidente

Marcelo Rebelo de Sousa recebeu, na noite passada, o Presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, e o primeiro-ministro, António Costa, num jantar-reunião depois do qual não foram feitas declarações aos jornalistas.

No sábado, reúne com os partidos com assento parlamentar. Apesar de já ter o calendário definido para as eleições antecipadas, o Presidente só o poderá revelar depois do Conselho de Estado, que reúne a 3 de novembro.

O capítulo que se segue – de possível dissolução do Parlamento e eleições antecipadas – está nas mãos de Marcelo, que já prepara o futuro.

  Liliana Malainho, ZAP //

2 Comments

  1. 2.700.000 … Quer dizer que cerca de 7.300.000 não votaram em vocês. Deixem isso chegar bem aos vossos neurónios … Aos dois!

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