Itália em alerta. É o quarto país com mais casos de coronavírus (e o europeu com mais mortes)

Andrea Fasani / EPA

O número de pessoas infetadas em Itália já chegou aos 132, com quatro casos mortais. Apesar dos esforços, o surto do coronavírus continua a disseminar-se, com cada vez mais casos espalhados pelo mundo – e mais perto de Portugal.

Em 48 horas, a Itália assistiu a um aumento exponencial de casos positivos de coronavírus. Até sexta-feira, contabilizavam-se apenas três pessoas infetadas com o vírus, mas esta segunda-feira contam-se 203 pessoas infetadas, quatro das quais morreram, entre cerca de 3.000 situações que causaram suspeitas.

Segundo o Público, na sexta-feira faleceu um homem de 78 anos, em Véneto, seguindo-se uma mulher de 75 anos na cidade de Codogno (Lombardia), no sábado, e uma mulher idosa no domingo, em Crema (Lombardia). Esta segunda-feira, foi confirmada a quarta morte: a vítima é um homem de 84 anos que estava internado no Hospital Papa João XXIII, em Bergamo, Lombardia.

Com estes quatro casos mortais, sobem para cinco as mortes em solo europeu relacionadas com o surto: a primeira ocorreu em Paris, quando um turista chinês não resistiu a uma pneumonia resultante da infeção.

Itália é o país europeu com mais mortes devido ao coronavírus, e o quarto a nível global, depois da China, Irão e Coreia do Sul.

Em Itália, as regiões mais críticas são Véneto, Piamonte e Lombardia. A Áustria, país vizinho, chegou a suspender as ligações ferroviárias, depois de terem sido detetados dois passageiros com febre num comboio que cruzava a fronteira de Brennero, na região do Tirol.

Entretanto, o alerta foi levantado, depois de os testes de diagnóstico efetuados nos dois casos suspeitos se terem revelados negativos, indicou em comunicado o ministério austríaco do Interior.

Em Itália, a maior parte dos casos regista-se na pequena localidade de Codogno, na Lombardia, com cerca de 15 mil habitantes. O primeiro doente identificado com o novo coronavírus em Itália era desta povoação: um homem de 38 anos, que no fim de janeiro tinha jantado, juntamente com a sua mulher grávida, com um amigo que tinha regressado da China.

Segundo o La Repubblica, as análises realizadas  ao homem vindo da China não encontraram anticorpos ao vírus, pelo que não se confirma a suspeita de que teria sido ele a transmitir a infeção ao amigo que continua internado, mas estável.

Assim sendo, as autoridades italianas informaram que ainda não encontraram o chamado “paciente zero“, ou seja, a fonte da propagação. Este domingo de manhã, quando fazia a descrição dos casos identificados, o responsável da proteção civil, Angelo Borrelli, disse que a ausência do “paciente zero” tornava difícil avançar com cenários sobre a difusão da doença.

Número de mortos na China sobe para 2.592

O número de mortos devido ao coronavírus Covid-19 subiu esta segunda-feira para 2.592 na China continental e foram reportados 409 novos infetados, quase todos na província de Hubei, enquanto a maioria do país não contabilizou novos casos.

Segundo a atualização diária emitida pela Comissão Nacional de Saúde da China, 150 pessoas morreram até à meia-noite desta segunda-feira (16:00 de domingo em Lisboa). Entre os novos casos, 398 foram reportados pela província de Hubei, onde várias cidades estão em quarentena desde 23 de janeiro, numa medida que afeta cerca de 60 milhões de pessoas.

O número de pacientes em todo o país fixou-se, no total, em 77.150. No entanto, apenas sete entre as 34 províncias e regiões autónomas da China continental reportaram novos casos diários.

A Comissão Nacional de Saúde indicou que, no total, a China soma 9.915 casos graves de infeção, enquanto 24.734 pessoas já estão curadas e receberam alta. A mesma fonte acrescentou que, até ao momento, 635.531 pessoas foram colocadas sob observação, após terem tido contacto próximo com os infetados, entre os quais 97.481 ainda estão a ser acompanhados.

Além dos mortos na China continental, morreram oito pessoas no Irão, quatro no Japão, duas na região chinesa de Hong Kong, sete na Coreia do Sul, três em Itália, uma nas Filipinas, uma em França, uma nos Estados Unidos e outra em Taiwan.

Irão torna-se a seguir à China o país com mais mortes

O Irão tornou-se neste domingo o país com o maior número de mortes provocadas pelo novo coronavírus fora da China, com oito vítimas fatais.

O ministério da saúde iraniano anunciou a morte de três novos pacientes infetados. O país tem agora 43 casos do novo coronavírus e oito mortes no total. O aumento do número de casos levou alguns países vizinhos a fechar as fronteiras ou a proibir viagens para o Irão.

Os primeiros casos e as duas primeiras mortes, que aconteceram na cidade sagrada xiita de Qom, foram anunciados na quarta-feira, dois dias antes das eleições legislativas. O facto levou o guia supremo iraniano a acusar a imprensa estrangeira de usar a epidemia como “pretexto” para prejudicar as eleições legislativas.

“A propaganda começou há alguns meses e intensificou-se à medida que as eleições se aproximavam e nos últimos dois dias, sob o pretexto de uma doença e um vírus”, afirmou neste domingo Ali Khamenei, durante a sua aula semanal aos estudantes de Teologia em Teerão.

De acordo com o site oficial, o ayatola Khamenei denunciou a “grande nuvem (de desinformação) criada pela imprensa estrangeira, que não perdeu a oportunidade para dissuadir a população de votar”. “Apesar da propaganda, o guia da Revolução Islâmica aplaudiu grande participação da população nas eleições”, afirma o site.

O ministério do Interior deve anunciar em breve os resultados das eleições. De acordo com números preliminares, os conservadores lideram a disputa. O ministro Abdolreza Rahmani Fazli informou que o índice de participação na votação de domingo foi de 42,57%, a menor taxa registada em eleições legislativas desde a proclamação da República Islâmica, em 1979. Nas 10 legislativas anteriores, a participação superou sempre os 50%.

Muitos analistas previram um elevado índice de abstenção, depois de as candidaturas de muitos candidatos reformistas e moderados terem sido rejeitadas.

O Irão foi o primeiro país do Oriente Médio a registar mortes provocadas pelo novo coronavírus. As duas primeiras vítimas fatais eram idosos, segundo as autoridades. A nacionalidade dos outros mortos ou infetados não foi divulgada.

Como “medida de prevenção“, o governo anunciou o fecho de escolas e universidades, cinemas, teatros e outros centros culturais em 14 das 31 províncias do país, incluindo Teerão. Os eventos culturais e artísticos foram proibidos durante uma semana nas regiões afetadas.

O ministro da Saúde, Said Namaki, anunciou que o tratamento da doença será gratuito. Um hospital de cada cidade dedicar-se-á exclusivamente a “atender, examinar e tratar os casos de coronavírus”.

Na capital Teerão, cidade com mais de oito milhões de habitantes, onde foram registados quatro dos 15 novos casos anunciados neste domingo, a autarquia ordenou o fecho das fontes de água e dos postos de vendas de doces no metropolitano.

Gholamreza Mohammadi, porta-voz da autarquia, afirmou que as carruagens do metro e os autocarros estão a ser desinfetados. “Se o número de pessoas infetadas aumentar em Teerão, toda a cidade será colocada em quarentena“, declarou Mohsen Hashemi, presidente do Conselho Municipal da capital.

ZAP // Lusa

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