Covid-19 em Itália. Cidades sob quarentena, mais de 100 infetados e Carnaval de Veneza suspenso

Frank Kovalchek / Wikimedia

Carnaval de Veneza, em Itália

O Governo italiano anunciou, este sábado, o isolamento de uma dezena de cidades, em particular na Lombardia, após serem detetados mais de 100 casos do novo coronavírus e confirmadas duas mortes.

“Nas zonas consideradas como de surto, não será autorizada nem a entrada nem a saída, à exceção de autorização particular”, declarou aos media o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte.

O chefe de Governo anunciou ainda o encerramento de empresas e escolas nessas zonas, e a anulação de todos os eventos públicos (carnavais, competições desportivas, excursões escolares, entre outros).

O principal surto do novo coronavírus encontra-se em redor de Codogno, a 60 quilómetros de Milão. Nesta cidade e em nove localidades vizinhas, todos os locais públicos (bares, câmaras municipais, bibliotecas, escolas), à exceção das farmácias, estão encerrados desde a noite de sexta-feira.

Em conselho de ministros, o Governo aprovou um decreto-lei que na prática isola esta zona onde se concentram mais de 50 mil habitantes. Conte indicou que vão ser instalados postos de controlo e que, se necessário, enviará o exército e todas as forças de segurança.

Um segundo foco de contágio foi detetado na povoação de Vo’ Euganeo, na região de Veneza. Era desta região o primeiro cidadão italiano, e europeu, (78 anos) que morreu após um teste positivo ao novo coronavírus.

No total, 132 pessoas foram contaminadas em Itália pelo vírus, com um balanço de duas mortes, quando uma mulher de 77 anos, que habitava perto de Codogno, não resistiu à doença durante a noite.

A maioria dos casos regista-se na Lombardia, com 89 infetados, seguida de Veneto, com 24 casos, dois dos quais na cidade de Veneza. Em Piacenza, na região de Emilia Romanha, há nove casos confirmados, em Piemonte seis e na Lácio dois, neste caso turistas chineses.

As autoridades italianas ordenaram a suspensão do Carnaval de Veneza para tentar travar a propagação do coronavírus. O governador da região de Veneto, Luca Zaia, disse que a suspensão entra em vigor ao final da tarde de hoje.

Quatro mortos e 556 infetados na Coreia do Sul

De acordo com o Centro de Prevenção e Controlo de Doenças (KCDC) sul-coreano, um homem de 57 anos morreu no sábado, no hospital Daenam, em Daegu, onde estiveram hospitalizadas outras duas vítimas mortais.

No mesmo hospital, foram registados 111 contágios, levando as autoridades a considerar que este centro médico pode ser um foco secundário de infeção.

O KCDC indicou também existirem mais 123 casos de infeção com o coronavírus, o que eleva o total de infetados para 556.

Das 123 novas infeções, 75 são fiéis da seita Shincheonji que assitiram a missas em Daegu, a 230 quilómetros a sudeste de Seul, informou. Os membros da seita, que realizou este mês em que participaram mais de mil pessoas, visitavam regularmente o hospital Daenam para tarefas de voluntariado.

O KCDC mantém em quarentena mais de seis mil pessoas, numa altura em que a epidemia entrou numa fase de contágio local.

Irão encerra escolas. Número de mortos sobe para oito

As autoridades de Teerão anunciaram o encerramento temporário das escolas em várias províncias, incluindo na capital iraniana e em Qom, para prevenir a expansão do coronavírus, que causou já oito mortos no país.

Segundo fonte oficial do Ministério da Saúde iraniano, para além das oito mortes, o total de casos confirmados passou de 28 para 43.

As escolas permanecerão encerradas hoje e na segunda-feira nas províncias de Teerão, Qazvim, Golestão e Hamedã. Em Alborz apenas deverão ser fechadas hoje e em Gilão manter-se-ão encerradas até à próxima quarta-feira, segundo a agência espanhola EFE, que cita fontes oficiais iranianas.

Em Qom, onde foi registada a maioria dos contágios e mortes no país, para além das escolas, serão ainda encerrados durante os próximos dois dias as universidades e seminários.

De acordo com o porta-voz do ministério iraniano da Saúde, Kianush Yahanpur, a maioria dos casos detetados de coronavírus nos últimos dias diz respeito a residentes de Qom ou a cidadãos que estiveram recentemente nesta cidade.

Para além do encerramento das escolas, foram tomadas outras medidas especiais como a proibição de aglomerações, como concertos e outros eventos, previstas para os próximos dias. Os três próximos jogos da liga de futebol iraniana, incluindo o de hoje, vão decorrer à porta fechada, sem espetadores.

As autoridades iranianas criaram uma sede central de combate e prevenção do Covid-19 e habilitaram um total de 170 hospitais para tratar o vírus.

A Organização Mundial de Saúde manifestou a sua preocupação com o avanço do contágio com o Covid-19 no Irão e indicou que está a investigar a “extensão da epidemia, os seus meios de transmissão e o potencial de ocorrência de novos casos nos próximos dias”.

Entretanto, em Israel, o país alargou à Coreia do Sul e ao Japão as medidas de proibição de entrada no seu território no âmbito do combate contra o coronavírus. Estas medidas juntam-se às já em vigor aplicadas aos voos provenientes da China, Macau, Tailândia, Singapura e Hong Kong.

Número de mortos sobe para 2442 na China continental

O número de mortos de Covid-19 subiu para 2442 na China continental, com mais 97 vítimas mortais nas últimas 24 horas, anunciaram as autoridades. A Comissão de Saúde da China registou mais 648 novos casos de infeção para um total de 76.938.

Na província chinesa de Hubei, sobretudo na cidade de Wuhan, onde a epidemia surgiu em dezembro passado, foram registadas 96 novas mortes (menos dez do que no sábado) e mais 630 pessoas infetadas (264 mais) com o Covid-19.

Há um mês, as autoridades chinesas isolaram Wuhan e, em seguida várias cidades de Hubei, no centro do país, para tentar controlar a epidemia, medida que abrange cerca de 60 milhões de pessoas.

Mais de 80% dos casos confirmados na China continental encontram-se em Hubei, onde o número de mortos também é mais elevado do que no resto do país.

Além de 2442 mortos na China continental, morreram seis pessoas no Irão, três no Japão, duas na região chinesa de Hong Kong, duas na Coreia do Sul, duas em Itália, uma nas Filipinas, uma em França e uma em Taiwan.

Segundo o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), há mais de meia centena de casos confirmados na União Europeia e no Reino Unido.

ZAP // Lusa

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