“Isabel dos Santos é uma tremenda ladra”. Marido da angolana fala de “Armagedão” político e acusa hacker português

Isabel dos Santos / Instagram

Isabel dos Santos e o marido Sindika Dokolo no Dubai.

Ana Gomes não desarma e continua ao ataque a Isabel dos Santos, acusando-a de ser “uma tremenda ladra”, reforçada pela investigação Luanda Leaks que atribui à empresária o desvio de milhões da petrolífera estatal Sonangol. O marido da angolana sai em sua defesa e fala de um “Armagedão” com motivações políticas, sugerindo que os documentos foram obtidos por um hacker português.

Em entrevista à Radio France Internationale (RTF), Sindika Dokolo, o coleccionador de arte do Congo que é marido de Isabel dos Santos e que também surge implicado nos Luanda Leaks, acusa o Governo de Angola de querer “prejudicar” o casal, notando que até o timing deste inquérito é suspeito”.

Dokolo considera que o caso é um “Armagedão” do Governo angolano “em nome da luta contra a corrupção”, “mas não atacam os agentes de empresas públicas acusadas de peculato, apenas uma família que actua no sector privado”, critica na RTPF.

“Eles têm que ter muito medo politicamente da minha esposa para fazerem isto”, diz ainda, notando que a querem “responsabilizar por toda a corrupção e pela falência de Angola”. “Mas nós temos 20 mil empregados directos em Angola, milhares de outros trabalhadores nos pontos de venda da Unitel e da Zap, pagamos impostos na Europa e somos o primeiro contribuinte fiscal de Angola, trabalhamos muito e investimos muito neste país, mais do que qualquer outro”, diz ainda, concluindo que em 2019, o casal pagou “250 milhões de dólares de impostos” pelas suas “sociedades tributáveis” no país.

Dokolo lembra ainda que um dos gabinetes de advogados que representa Isabel dos Santos, a PLMJ, “já tinha sido hackeada em 2015″. “Sabíamos que várias das nossas outras empresas já tinham sido alvo de um hacker português, esses documentos foram guardados e são agora usados para se apossarem dos nossos activos no estrangeiro”, critica ainda, frisando que “servem-se da imprensa para manipular a opinião e os governos estrangeiros”.

O hacker Rui Pinto que  vai a julgamento por 93 crimes é suspeito do ataque informático à PLMJ Advogados.

“Sempre vivi com o medo dos ajustes de contas políticos”

Na entrevista à RTF, Dokolo explica ainda que a opção por “veículos financeiros” como empresas em paraísos fiscais para fazer negócios, nomeadamente para comprar um apartamento no Mónaco, resulta do facto de a sua família ter sido “espoliada por Mobutu em 1986”.

Mobutu Sese Seko foi o presidente do Zaire (actual República Democrática do Congo de onde Dokolo é natural, entre 1965 e 1997.

“Mobutu disse numa frase que permanece famosa na minha família: “Levem tudo. Deixem-lhe o carro e a casa”. Eu sempre vivi com o medo dos ajustes de contas políticos, infelizmente tão comuns em África. Aparentemente, eu estava certo. Desde que a nossa propriedade nos foi devolvida pela Conferência Nacional Soberana em 1991, a minha família sempre favoreceu montagens complexas de propriedades, a fim de se proteger o máximo possível da espoliação de poderes políticos”, frisa o marido de Isabel dos Santos na entrevista.

O coleccionador de arte acrescenta que o recurso a paraísos fiscais também se explica pelo facto de ser “muito difícil” a “alguém que vem de Angola ou da República Democrática do Congo, que são países completamente na lista negra nos mercados europeus, abrir contas em bancos em solo europeu”. “Se se for uma personalidade politicamente exposta desde 2001, é da ordem do impossível”, diz-

“Podem-me criticar por utilizar veículos financeiros alojados em paraísos fiscais, mas é ilegal?”, questiona ainda, notando que não recorre a eles “para investimentos na Europa”. “Uso-os apenas porque Angola não tem um sistema de dupla tributação. Não há razões para que eu pague os meus impostos duas vezes”, sublinha.

Isabel dos Santos já veio contestar a investigação dos Luanda Leaks, organizada por um Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, que analisou 715 mil documentos que ilustram o alegado esquema que terá permitido à empresária desviar milhões de euros da empresa estatal Sonangol para paraísos fiscais como o Dubai, contando com o contributo de várias personalidades portuguesas.

Numa publicação no Twitter, Isabel dos Santos questiona a autenticidade dos documentos e critica o Procurador Geral da República de Angola por prestar declarações na reportagem da SIC.

“É bonita, esperta e educada, mas também uma tremenda ladra”

Ana Gomes que já assumiu, por diversas vezes, declarações muito duras relativamente à empresária angolana, acusando-a de corrupção, volta a reforçar as suas críticas em declarações no habitual espaço de comentário na SIC Notícias.

Não tenho nada de pessoal contra ela. Acho-a bonita, esperta e educada. O problema é que é também uma tremenda ladra“, considera a diplomata portuguesa que também já acusou o Banco de Portugal, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e a Procuradoria-Geral da República portuguesa de serem “coniventes” com os esquemas alegadamente fraudulentos da empresária.

“Obviamente que as autoridades não podem continuar não só cegas, mas coniventes, porque é isso que tem acontecido. Sucessivos governos e governantes, alguns, em particular o Banco de Portugal e a CMVM, autoridades políticas e judiciais deveriam ter actuado”, analisa Ana Gomes, citada pela Lusa, realçando que as “autoridades portuguesas não podem continuar a ser vistas como cúmplices por omissão“.

“É completamente imoral, a título pessoal ou no quadro de empresas, que portugueses colaborem” na transformação de Portugal numa “lavandaria da criminalidade que rouba Angola”, acrescenta ainda.

O activista angolano Luaty Beirão também já veio notar que a investigação dos Luanda Leaks é “muito mais” do que apenas a Isabel dos Santos, “o seu pai “patriota” e a lambança que promoveram à custa de incalculáveis mortes prematuras”. “É a vergonha do sistema financeiro e político global no expoente máximo da sua hipocrisia”, considera, referindo-se às ramificações internacionais dos alegados esquemas da empresária.

ZAP //

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6 COMENTÁRIOS

  1. Já se conhece a desbocada da Ana Gomes que revela alguns problemas de origem:
    1. É feia como o raio, 1º motivo de inveja;
    2. Queria ser mnistra do Negócios Estrangeiros do PS, mas o partido não achou que ela tivesse qualidades para isso;
    3. Acabou a mama dos dinheiros europeus e agora precisa de ir dizendo umas javardices que alimentam polémicas para sobreviver, como foi a questão com o Benfica, daí o ódio que nutre por aqueles que estãoo bem na vida.

      • Obrigado pela gentileza. Fiquei muito sensibilizado. Tão sensibilzado que queria até, com toda a defrência, retribuir. Mas à última hora pensei que se calhar não valesse tanto à pena uma vez que o original é sempre melhor do que a cópia e podia assim estar a atirar pérolas aos porcos quando, na verdade, estes até se contentam só com as bolotas. Pois, é interessante comentar as notícias, agora comentar os comentários pode ser um bocado enfadonho. Um grande abraço meu irmão/irmã.

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