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Na altura de reavaliar o plano, o Governo mostra-se confiante com desconfinamento pós-Páscoa

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António Cotrim / Lusa

Primeiro-ministro António Costa anuncia plano de desconfinamento e matriz de risco

Com a “matriz de risco” na zona verde, Portugal vai passar à próxima fase do plano de desconfinamento já a partir de 5 de abril. Desta forma mais alunos irão regressar à escola, haverá lojas abertas e as esplanadas dos cafés reabrem.

Chegou o dia de o Governo decidir que medidas vão vigorar a partir de segunda-feira, dia 5 de abril, no rescaldo do fim de semana da Páscoa.

As opções do Executivo deverão ser anunciadas pelo primeiro-ministro numa conferência de imprensa após a reunião semanal do Conselho de Ministros.

António Costa admitiu, durante a declaração em que anunciou o envio para o Tribunal Constitucional dos diplomas aprovados no Parlamento à revelia do Executivo, que o Governo se prepara para confirmar a nova fase no plano de desconfinamento.

No Palácio de Belém, o primeiro-ministro salientou que, “se tudo correr bem”, o Governo dará luz verde para que a segunda fase do plano de desconfinamento avance.

Costa lembrou que os números da pandemia estão a diminuir, com o plano de desconfinamento a concretizar-se, mas sustenta que “estamos numa fase muito inicial do ano”. “Infelizmente, a pandemia pode agravar-se”, alertou.

Números dão confiança

O Governo avisou desde cedo que o plano anunciado a 11 de março está permanentemente condicionado ao avanço da pandemia.

No entanto, a “matriz de risco” mostra-se favorável.

Este índice combina o Rt – índice de transmissão, ou seja, quantas pessoas são contagiadas por um infetado – e a incidência pandémica (casos de infeção por cem mil habitantes). Ambos os valores estão dentro dos níveis de segurança, embora o Rt, atualmente de 0,94, esteja perto dos valores limite (que se situa no 1).

Já a incidência pandémica está em 65,3 (valor nacional), ou seja, a cerca de metade do valor tido como limite de segurança (120), divulga o DN.

Em paralelo, o Governo tenta acelerar o plano de vacinação, nomeadamente associando-o à progressiva reabertura das escolas – o que tem sido também uma das exigências do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

O outro fator ainda é pouco claro, mas deverá ser esclarecido pelo Governo esta quinta-feira: está previsto que possam ser adotadas medidas de caráter local, disse Mariana Vieira da Silva na semana passada.

Por isso, o desconfinamento português, daqui para a frente, pode tomar diferentes velocidades, à semelhança do que aconteceu no ano passado, depois do período do verão.

De acordo com o ECO, há, pelo menos, 32 concelhos portugueses com incidências da covid-19 superiores ao limite de 120, encontrando-se, por isso, na zona laranja da matriz de risco, acima do eixo horizontal.

Numa altura em que a Páscoa está à porta, os especialistas têm alertado que o comportamento dos portugueses será determinante para a evolução da pandemia nos próximos dias.

Um fim de semana que se prevê de maiores ajuntamentos, e violações das restrições, poderá atirar mais regiões do país para a zona laranja, o que implicaria um retardamento do desconfinamento, porém, é de recordar que os portugueses estão impedidos de sair dos respetivos concelhos de residência.

No pior dos cenários, se entrar na zona vermelha, o Governo diz que não hesitará em voltar a encerrar estabelecimentos e apertar as medidas.

Para já, ao abrigo do plano inicial, apresentado a 11 de março, a intenção do Governo é a de retomar na segunda-feira o ensino presencial dos 2.º e 3.º ciclos, reabrir as lojas com até 200 m2 e porta para a rua, e permitir que cafés e restaurantes abram as esplanadas.

Enquanto os portugueses prosseguem com a reabertura, os países vizinhos estão, pelo contrário, a fechar. França e Itália, por exemplo, têm registado subidas expressivas no número de novos casos.

  Ana Isabel Moura, ZAP //

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