Portugal entra em confinamento (outra vez). Governo admite manter restrições até à primavera

José Sena Goulão / Lusa

Quase 10 meses depois, Portugal volta a entrar em confinamento obrigatório. As medidas de restrição, que incluem o dever de recolhimento domiciliário, terão a duração de quinze dias, mas há diferenças em relação a março: escolas mantêm-se com o ensino presencial e as cerimónias religiosas serão permitidas.

A principal alteração relativamente ao primeiro confinamento geral aplicado em março e abril é a continuação do ensino presencial em todos os níveis de ensino.

Entre as medidas que estarão em vigor até 30 de janeiro estão restrições à circulação da população, obrigatoriedade do teletrabalho e encerramento do comércio, com exceção dos estabelecimentos de bens e serviços essenciais.

As regras gerais passam por ficar em casa, limitar os contactos ao agregado familiar, reduzir as deslocações ao essencial, usar máscara de proteção, manter o distanciamento físico, lavar as mãos e cumprir etiqueta respiratória.

Ao contrário do que ocorreu em março e abril de 2020, na primeira vaga da pandemia, desta vez vão manter-se abertos os consultórios médicos e os dentistas, assim como as farmácias, mas terão de encerrar os cabeleireiros e barbearias, equipamentos culturais, ginásios e termas.

Governo admite manter restrições até à primavera

Quando anunciou o novo confinamento, o primeiro-ministro António Costa afirmou que há um grande consenso para que as medidas de confinamento geral a decretar tenham um horizonte de um mês.

Porém, de acordo com o semanário Expresso, o Governo está preparado para estender as restrições até à primavera. A ideia é que o confinamento seja, para já, de um mês para depois ir faseando as medidas, como aconteceu no ano passado, de forma “muito lenta”, segundo adiantou uma fonte do Governo ao Expresso.

A equipa de Costa começa a preparar-se para a possibilidade de 30 dias de confinamento não chegarem. Os especialistas deram uma previsão de evolução da pandemia, que pode demorar oito semanas até regressar a alguma normalidade.

Assim, estas medidas estão pensadas até meados de fevereiro, na esperança que, nas próximas semanas, se reflitam nos internamentos e depois nos óbitos. As medidas serão reavaliadas aos poucos, mas já se admite que possam ter de continuar em vigor durante mais algum tempo.

“Se em fevereiro conseguirmos dois grupos imunizados que pressionam o SNS, já aliviará. Podemos chegar à primavera com menos pressão”, disse a fonte.

“Este é o momento de maior pressão para o Governo: estamos no pico da pandemia, da gripe, do inverno e em campanha eleitoral, a dividir atenções com a presidência portuguesa da União Europeia. A oportunidade para a oposição nos atacar é agora”, rematou a fonte governamental ao Expresso.

Marcelo concordou com confinamento “menos duro”

Para este novo confinamento, Costa contou novamente com o aval de Marcelo Rebelo de Sousa. O Presidente da República considera que as medidas acabaram por ser “adequadas e equilibradas” e acredita que, “por serem menos duras”, serão “pacificamente aceites pela opinião pública”.

Para Marcelo, a decisão de não fechar as escolas também é correta.

Além das escolas, o Presidente também deu cobertura à manutenção das missas, que tem sido bastante criticada. Os serviços religiosos são uma das exceções em relação ao decidido para março. A proibição poria em causa o direito à liberdade religiosa, segundo fonte do Governo.

O Presidente parece estar alinhado com o Governo e compreende o atraso no anúncio das medidas pela necessidade de ter uma perceção atualizada dos números e de os usar como matéria de evidência para justificar a necessidade de voltar a fechar o país.

  Maria Campos, ZAP //

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3 COMENTÁRIOS

  1. Pode até manter até ao Verão que, com escolas abertas e ensino presencial, não irá servir de nada.
    Triste desgoverno o que temos..

  2. Não entendo o que o governo (mundial) quer.
    Confinamento para conter o vírus já está provado que não resulta;
    Fecho dos restaurantes e turismo para conter o vírus também está provado que não resulta;
    Máscaras, álcool-gel e distanciamento social para conter o vírus é mais do mesmo, não resulta;
    Restrições até resultam, mas apenas para acabar com o comércio e tornar as pessoas mais tristes;
    O afastamento dos familiares dos idosos até resulta, para deprimir e ajudar a matar os idosos;
    Agora esta “prisão domiciliária” vai dar grandes resultados, é o empurrão que faltava para o povo entrar em depressão profunda, para o pequeno comércio chegar à falência, para as mortes incrementarem e folgarem as contas da aposentação, para que a fome e o desemprego se instalem nas classes mais desfavorecidas e, de seguida, às classes seguintes.
    E tudo isto com a conivência do povo.
    Estamos presos durante semanas, excepto nos dias das votações? Que é isto, apanham o Covid19 distraído nesses dias e não haverá infecções? Já negociaram esse tratado?
    Quando é que o povo aprende a pensar pela sua própria cabeça? Já era tempo…

  3. sendo que o covid, um coronavirus, tal como a gripe (influenza) são sazonais, como tal o truque dos tiranetes é bom, fecham isto até à primavera e depois dizem que foi por isso que os supostos casos baixaram quando na realidade baixaram naturalmente….sazonalidade!

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