Gazprom suspende mais um gasoduto que abastece a Europa. Rússia ameaça retaliar contra a Finlândia

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Alexei Danichev / Kremlin / EPA

A Comissão Europeia já está a desenhar um plano de emergência caso Moscovo corte repentinamente todo o fornecimento de gás à Europa. O Kremlin já reagiu à candidatura formal da Finlândia à NATO.

A gigante energética russa Gazprom anunciou na quinta-feira que vai deixar de fornecer gás à Europa através do gasoduto Yamal-Europe, que vai até à Alemanha.

O corte surge devido a um conflito do Kremlin com a empresa que controla o gasoduto na Polónia, escreve o Público, e a alemã Gazprom Germania Gmbh também vai ser alvo de uma redução em 3% no fornecimento de gás.

Na quarta-feira, Moscovo avançou com mais retaliações contra as sanções impostas pelo Ocidente e cortou as relações com mais 30 empresas. A Alemanha é o maior consumidor europeu de gás russo, mas esta diminuição não terá um grande impacto, segundo o Ministro da Economia, Robert Habeck.

Este corte surge depois da Rússia ter avançado no mês passado com um corte ao abastecimento de gás à Polónia e à Bulgária porque os dois países recusaram pagar a energia em rublos.

A União Europeia já se está a precaver contra um possível corte total e abrupto da energia russa. O plano da Comissão Europeia inclui uma diminuição do volume de gás à disposição dos estados-membros e deve ser aprovado no dia 18.

As medidas também antecipam uma resposta conjunta, com uma “redução da procura de gás nos Estados menos afectados em benefício dos mais afectados”, ou seja, países que dependem menos da Rússia, como Portugal ou Espanha, racionariam o gás para ajudarem os países de leste que sentiram um grande impacto com o corte.

Zelenskyy aberto a diálogo com Putin

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse ontem durante uma entrevista televisiva que será transmitida em Itália, que está disponível para conversar com o seu homólogo russo, Vladimir Putin, “mas sem ultimatos“.

“Estou disposto a falar com Putin, mas sem ultimatos”, defendeu Zelensky na entrevista concedida ao canal público de televisão italiano RAI, a primeira a um meio de comunicação social de Itália desde o início da invasão russa, em 24 de Fevereiro.

Zelensky explicou que as negociações com Moscovo são complicadas porque “todos os dias os russos ocupam aldeias, muitas pessoas deixaram as casas, foram mortas pelos russos” e os cidadãos ucranianos estão a sofrer “torturas e assassínios”.

O Presidente ucraniano defendeu que o exército russo deve deixar o país o mais depressa possível e responder pelo que fez, rejeitando que deva ser procurada “uma saída para a Rússia”.

“Sei que Putin quer conseguir resultados. Mas ter de ceder alguma coisa para salvar a face do Presidente russo não é justo. A Ucrânia não vai salvar a face de ninguém pagando com os seus territórios”, argumentou Zelensky.

Nesse sentido, garante que em nenhum momento considerou “reconhecer a independência da Crimeia”, anexada pela Rússia em 2014, e sustenta que a Crimeia “sempre foi território ucraniano“.

“A Ucrânia quer a paz. Quer coisas muito normais como respeito pela soberania, integridade territorial, tradições do povo, língua. Podem ser coisas triviais, mas foram violadas pela Rússia e devem ser devolvidas”, insistiu o líder ucraniano.

Zelensky reconhece que o exército russo é “quatro vezes maior, o seu Estado é oito vezes maior”, mas diz que os ucranianos são “10 vezes mais fortes como povo”, porque estão no seu território.

“Para nós, a vitória é recuperar as nossas coisas. Para eles é roubar alguma coisa. Não estamos em pé de igualdade. A Rússia é mais forte, mas o mundo está connosco e sentimos que pouco a pouco estamos a avançar”, explicou o líder ucraniano.

A entrevista de Zelensky acontece depois de o grupo Mediaset, pertencente à família do antigo primeiro-ministro Silvio Berlusconi, ter transmido uma entrevista com o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, em 1 de Maio, a primeira num meio de comunicação social ocidental desde o início da invasão da Ucrânia.

A entrevista gerou grande polémica e foi criticada pelo atual primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, porque Lavrov fez declarações sem ser interrogado pelos jornalistas, tendo mesmo comparado o Presidente ucraniano ao ditador alemão Adolf Hitler pelas suas “origens hebraicas“.

Suécia deve confirmar pedido de adesão à NATO na próxima semana

Depois da Finlândia ter finalmente confirmado que vai pedir para aderir à NATO, a Suécia deve fazer o mesmo na próxima semana, depois de se mostrar mais hesitante com este avanço.

A Ministra dos Negócios Estrangeiros da Suécia já tinha dito que a decisão do país vizinho ia “afetar muito” a decisão de Estocolmo e voltou a reforçar essa ideia no Twitter, já após o anúncio de Helsínquia. “A Finlândia é o parceiro de segurança e defesa mais próximo da Suécia, e precisamos de ter em conta as suas avaliações”, escreveu Ann Linde.

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O parlamento sueco vai debater a adesão na segunda-feira e a primeira-ministra, Magdalena Andersson, vai convocar uma reunião especial onde a decisão final sobre a candidatura será formalizada. Caso se confirme, o pedido pode ser feito já na próxima semana.

Entretanto, a Rússia já reagiu à candidatura da vizinha Finlândia. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, considera que a decisão é “definitivamente” uma ameaça à Rússia e uma “razão para uma resposta simétrica“.

Moscovo está também preparada para “dar a resposta mais decisiva a qualquer lado que tente envolver-se na Ucrânia e dificultar a operação militar especial”, avisa.

Apesar das promessas do secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, de que a Finlândia e a Suécia seriam recebidas de “braços abertos” na aliança atlântica, esta entrada pode não ser garantida devido a uma disputa interna na Croácia entre o Presidente e o primeiro-ministro, que pode pôr em causa a unanimidade que é precisa entre todos os membros para a aprovação das candidaturas.

  Adriana Peixoto, ZAP //

11 Comments

  1. Espero que tanto a Finlãndia como a Suêcia entrem para a NATO. Anda aí o escroque do putin a ameaçar toda a gente . Agora nenhum país era soberano só por causa da paranoia senil do putin.

  2. O problema é que os países da NATO não são soberanos, estão às ordens de Washington. E obrigados a entrar em qualquer guerra se os americanos fizerem para tal. Por isso o Costa, a mando do pentágono, está a enviar armamento pesado para ajudar a destruir o que resta da Ucrânia. Obrigado Costa., em luta até ao último ucraniano. Bravo.

    • Desculpe?
      Invadem-lhe a casa, violam-lhe as filhas, matam-lhe os filhos. O que faz o Senhor? Sai para não ofender o agressor e evitar males maiores e vai viver para debaixo da ponte, certo?
      Mude lá a cassete e adira ao já velhinho MP3. É que as cassetes de tão ouvidas já estão gastas…

    • O JR anda a dar em coisa pesadíssimas… Ó homem, largue isso!
      Então essa tirada do: “Por isso o Costa, a mando do pentágono, está a enviar armamento pesado…” só pode ser para rir. Se os ucraniamos dependessem do nosso ARMAMENTO PESADO, coitadinhos deles. Mandamos para lá ferro velho e…

      • Portugal não tem armamento pesado para enviar mas enviou armamento ligeiro como as excelentes G3 modernizadas pedidas pela Ucrânia.

  3. Mas a Rússia (tirando as armas nucleares) assusta alguém?
    Há quase oitenta dias na Ucrânia e o que conseguiram? Ora se não conseguem tomar a Ucrânia só com uma frente, vão meter-se com suecos e finlandeses (de quem até já levaram nas ventas)? Só mesmo um louco. Putin, como Hitler a abrir várias frentes. O fim está próximo! Só que neste caso não há Plano Marshall que acuda aos russos ou integração europeia que os salve de várias gerações de isolamento e de expiação pelos actuais crimes!

  4. E está este gajo a ameaçar … Ele manda no país dele, na casa dele, não na casa do vizinho. Acabem mas é com ele a ver se esta novela acaba de uma vez.

  5. A Croácia não é um estado pro-russo tal como a Hungria?
    Estes países devem ser removidos das organizações como a União Europeia ou a Nato. São 5a colunas !

    Quem deixou-os entrar? Os Alemães? – que são os grandes responsáveis pelo acontecido na Ucrânia, pois são os mais beneficiados com o gas russo e ganhem muito dinheiro com isso

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