Europa passa a epicentro da pandemia e aperta o “cerco” com medidas mais rígidas

A Europa voltou a ser considerada o epicentro da pandemia do novo coronavírus. Todos os dias os países têm aplicado rígidas medidas para travar a disseminação do surto, numa altura em que o continente já contabiliza milhões de casos de infeções por covid-19.

Portugal não fugiu à exceção europeia, e António Costa apresentou oito principais medidas de combate à pandemia. Entre as medidas anunciadas está o alerta para estado de calamidade, a proibição de ajuntamentos de mais de 5 pessoas, limitação de eventos de natureza familiar, casamentos e batizados com o máximo de 50 pessoas e proibição de festas académicas.

Mas Portugal não está sozinho, e de acordo com o Sapo, por toda a Europa há medidas ainda mais apertadas, como o confinamento parcial ou encerramento de bares e cafés.

Na vizinha Espanha, no início de outubro, o governo declarou o estado de emergência em Madrid, como forma de travar o avanço da pandemia na capital. Este regime, que vai vigorar durante 15 dias, foi aprovado com as mesmas medidas que estavam em vigor, nomeadamente o bloqueio da capital e de outros municípios madrilenos com mais de 100 mil habitantes.

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, justificou a aplicação da medida com a necessidade de “proteger a saúde pública já”. A Comunidade de Madrid é atualmente a região com a taxa de infeção mais alta da Europa, com 850 casos por cada 100 mil habitantes.

Em França, entre as várias medidas aplicadas pelo Governo encontra-se o recolher obrigatório em grandes cidades, entre as quais se inclui Paris, entre as 21h e as 6h, anunciou o presidente francês Emmanuel Macron, numa entrevista transmitida pela televisão nacional.

Para além de Paris, também as cidades de São Ruão, Lille, Saint-Etienne, Lyon, Grenoble, Montpellier, Marselha e Toulouse deverão cumprir a nova regra. A medida vai estar em vigor durante quatro semanas.

No Reino Unido, o ministro da Saúde britânico, Matt Hancock, confirmou na quinta-feira que Londres e várias outras cidades de Inglaterra passam para o segundo nível de restrições num esforço, mas recusou declarar confinamento nacional. Além de Londres, as medidas aplicam-se a partir de sábado às áreas de Essex, York, Elmbridge, Barrow in Furness, nordeste de Derbyshire, Chesterfield e Erewash, distribuídas pelo norte, centro e sul de Inglaterra.

Esta semana, entrou em vigor o sistema “three-tier“, que pretende dividir o país em três níveis, sendo que em cada nível se aplicam medidas de restrição diferentes, consoante a situação epidemiológica. Assim, nas zonas de “muito alto risco” os bares estão fechados e os encontros familiares estão proibidos.

As restantes zonas são consideradas de médio risco, por isso são obrigadas a respeitar a legislação decretada pelo governo para a generalidade do país, como a proibição de ajuntamentos de mais de seis pessoas e a obrigatoriedade de os bares fecharem às 22h.

Itália aperta medidas

Itália tem conseguido travar de forma mais eficaz a segunda vaga da pandemia.

Ainda assim, esta semana, o governo decidiu que estão proibidas as festas e celebrações em espaços fechados ou abertos com mais de seis pessoas. Também os bares e restaurantes, que devem fechar à meia-noite, estão proibidos de servir bebidas alcoólicas a clientes que cheguem ao espaço depois das 21h.

“Estas medidas vão envolver mais sacrifícios, mas estamos convencidos de que que permitirão enfrentar a nova fase. O nosso objetivo é evitar que o país mergulhe num bloqueio generalizado”, referiu o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte.

Também a Alemanha anunciou a introdução de novas medidas mais restritivas. O número de participantes em eventos privados será limitado em regiões que registem mais de 35 novas contaminações por 100 mil habitantes em 7 dias.

Nessas áreas mais afetadas, as máscaras serão obrigatórias sempre que as pessoas estiverem próximas umas das outras. Os encontros serão limitados a 25 pessoas em estabelecimentos públicos e 15 em espaços privados.

Os Países Baixos entraram esta quarta-feira em “confinamento parcial”, o que inclui o encerramento de bares e restaurantes. Isto significa que estão proibidos ajuntamentos de mais de 4 pessoas, bem como a venda de álcool à noite.

As escolas vão permanecer abertas e os transportes públicos vão continuar a funcionar. As medidas vão vigorar durante quatro semanas, com uma revisão quinzenal.

Por fim, a Suécia prepara-se agora para aplicar medidas mais restritivas.

As recomendações das autoridades de saúde suecas são para que as pessoas pratiquem teletrabalho, caso consigam, lavem as mãos com regularidade, evitem encontros sociais, mantenham o distanciamento social e, se possível, usem outros meios de transporte sem ser os transportes públicos.

No entanto, na próxima semana as autoridades de saúde locais preparam-se para endurecer a medidas contra o novo coronavírus. Entre as medidas previstas estarão recomendações para evitar viagens desnecessárias, idas a centros comerciais e outros locais fechados que juntem várias pessoas.

Alemanha, França e Itália atingem recorde de novas infeções em 24 horas

A Alemanha registou 7.334 novas infeções pelo novo coronavírus nas últimas 24 horas, o que representa um novo máximo desde o início da pandemia, segundo os dados divulgados esta sexta-feira pelo Instituto Robert Koch (RKI) de virologia.

Assim, o número de infeções registadas desde o início da pandemia no país chega a 348.557, tendo sido contabilizados 9.734 óbitos e 284.600 pessoas recuperadas da covid-19. Na quinta-feira, o RKI tinha informado que a Alemanha havia excedido pela primeira vez as 6.000 novas infeções diárias.

No entanto, os números dificilmente podem ser comparados com os da primavera, porque o número de exames aumentou consideravelmente, sendo que através destes se descobrem mais casos de pessoas sem sintomas.

Também Itália e França atingiram novos recordes em novos casos.

A França ultrapassou os 30.000 novos casos de covid-19 nas últimas 24 horas, pela primeira vez desde o lançamento de testes em grande escala, de acordo com os dados da Saúde Pública francesa publicados esta quinta-feira.

O número de novas infeções é de 30.621, o que eleva o total de casos para os 809.684, especifica o órgão de saúde, acrescentando ainda 88 mortes nas últimas 24 horas, o que faz um total de 33.125 óbitos desde o início da pandemia. No país existem 1.586 fontes de contágio em investigação ativa, dos quais 130 foram localizadas no último dia.

Já Itália registou aumento de contágios de covid-19, ao contabilizar 8.804 novos casos nas últimas 24 horas, contra os 7.332 da véspera, o que constitui um novo recorde absoluto de infeções desde o início da pandemia.

Segundo os dados do Ministério da Saúde italiano, o total de novos contágios coincide com o aumento do número de estes de diagnóstico que, nas últimas 24 horas, ascenderam a quase 163.000. Com os novos casos diários de infeção, Itália acumula desde fevereiro 381.602 pessoas infetadas com o novo coronavírus.

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1 COMENTÁRIO

  1. “No entanto, os números dificilmente podem ser comparados com os da primavera, porque o número de exames aumentou consideravelmente, sendo que através destes se descobrem mais casos de pessoas sem sintomas.” Parabéns por sublinhar este facto, coisa que vejo extremamente pouco na comunicação social.

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