/

Encobrimento da morte do jornalista saudita foi “um dos piores da história”

Jim Lo Scalzo / EPA

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou esta terça-feira a Arábia Saudita, considerando que o país orquestrou o encobrimento da morte do jornalista Jamal Khashoggi e que a operação foi “um fiasco completo”.

“O conceito original deles era muito mau (…) e o encobrimento foi o pior da história dos encobrimentos”, disse Trump em declarações aos jornalistas na Sala Oval.

Depois de ter dito, na semana passada, que considerava credíveis as justificações dadas por Riade, o presidente norte-americano vem agora criticar a operação. Esta é a primeira vez que Trump expressa dúvidas relativamente às explicações prestadas pela Arábia.

Durante uma reunião que se seguiu com líderes militares norte-americanos, Donald Trump insistiu que “nada do que os sauditas fizeram naquela operação” correu bem. “Eu diria que foi um fiasco completo desde o primeiro dia”, reforçou.

Questionado sobre o que considerava um fiasco, se o alegado plano para assassinar Khashoggi ou o encobrimento, Trump respondeu que “nunca deveria ter havido uma execução [do plano] ou um encobrimento”.

Trump acrescentou que na terça-feira falou novamente ao telefone com o príncipe herdeiro saudita, Mohamed bin Salman, o qual afirmou categoricamente “que não tem nada a ver com isso, que foi feito a um nível inferior”.

O Presidente norte-americano declarou que tencionava pedir ao Congresso que lhe enviasse “recomendações” sobre possíveis respostas dos Estados Unidos, algo que aconteceu pela voz do secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, que anunciou uma primeira represália: a revogação dos vistos dos envolvidos na morte de Khashoggi.

DTrump reiterou, no entanto, que não está inclinado a travar as vendas de armas a Riade, porque a “Rússia, China e França aproveitariam rapidamente” essa oportunidade de negócio. Em sentido oposto, a chanceler alemã, Angela Merkel já anunciou a suspensão de vendas ao reino, tendo também o Canadá, pela voz do primeiro-ministro Justin Trudeau, admitiu fazer o mesmo após a confirmação da morte do jornalista.

União Europeia não pode compactuar

O presidente do Conselho Europeu instou esta quarta-feira a União Europeia a manter-se à margem de “qualquer jogo ambíguo” no caso de Jamal Khashoggi, defendendo que o único interesse europeu deve ser conhecer os detalhes da morte do jornalista saudita.

Discursando diante dos eurodeputados no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, onde debate nesta quarta-feira os resultados do último Conselho Europeu, Donald Tusk reservou o final da sua intervenção ao “assassinato chocante do jornalista saudita Jamal Khashoggi”.

“Foi um crime tão horrendo que até o mínimo rasto de hipocrisia nos envergonharia. Não é o meu papel revelar quem quer proteger os interesses de quem, mas sei uma coisa: o único interesse europeu é que todos os detalhes deste caso sejam revelados, independentemente de quem seja responsável por ele”, defendeu.

O presidente do Conselho Europeu apelou à “sensibilidade e determinação” dos eurodeputados, garantindo acreditar que estes não permitirão que “a Europa, os seus Estados-membros e instituições, se envolvam em qualquer jogo ambíguo”.

Khashoggi, um jornalista saudita crítico do regime de Riade, que vivia em Washington, foi assassinado a 2 de outubro, depois de se ter deslocado ao consulado do seu país em Istambul, na Turquia, para levantar alguns documentos que precisava para se casar com sua noiva turca.

  ZAP // Lusa

Deixe o seu comentário

Your email address will not be published.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE