Khashoggi. Líderes exigem investigação “credível”, Alemanha suspende venda de armas

Bagus Indahono / EPA

Jornalistas indonésios protestam contra a Arábia Saudita pelo desaparecimento de Jamal Khashoggi

Num comunicado conjunto, os governos de França, Reino Unido e Alemanha frisaram a “necessidade urgente de esclarecer” a morte “inaceitável” do jornalista saudita Khashoggi. Merkel, a chanceler alemã, foi ainda mais longe, suspendendo a venda de armas à Arábia Saudita.

Os líderes europeus não ficaram satisfeitos com as justificações da Arábia sobre a morte do jornalista saudita que desapareceu depois de ter entrado no consulado saudita de Istambul, na Turquia. As autoridades confirmaram este fim-de-semana, pela primeira vez, a morte de Jamal Khashoggi, afirmando que se tratou de uma “luta”.

“Registámos a declaração dos sauditas onde explicam as conclusões das suas explicações preliminares. Mas permanece a necessidade urgente de se fazer luz sobre o que aconteceu exactamente no dia 2 de Outubro, para além da hipótese avançada pela investigação saudita, que tem que ser corroborada por factos para ser considerada credível”, pode ler-se no comunicado conjunto citado pelo Público.

“Insistimos por isso que sejam feitos maiores esforços, necessários e desejáveis, para que se estabeleça a verdade de forma clara, transparente e credível”, acrescenta o texto.

Angela Merkel, chanceler alemã, tomou uma decisão mais dura, suspendendo a venda de armas ao reino saudita – o segundo maior cliente da indústria de armamento da Alemanha. “No que diz respeito às exportações de armas, não podem ter lugar nas atuais circunstâncias”.

Em igual sentido, Justin Trudeau, primeiro-ministro do Canadá admitiu cancelar um grande contrato de venda de armas à Arábia Saudita, na sequência da morte do jornalista.

Num programa de televisão transmitido no domingo, Trudeau disse que um contrato de 15 mil milhões de dólares canadianos (9,9 mil milhões de euros) para a venda de veículos blindados leves a Riade está dependente de “cláusulas que devem ser seguidas em relação ao uso do que lhes é vendido”.

“Se não seguirem estas cláusulas, definitivamente cancelaremos o contrato”, disse.

Também a União Europeia, pela voz da chefe de diplomacia Federica Mogherini, exigiu uma “investigação aprofundada” sobre a morte “extremamente perturbadora” do saudita Jamal Khashoggi, pedindo ainda que os autores sejam responsabilizados.

Por sua vez, Portugal revê-se na posição da UE e da comunidade internacional: “Temos pedido um apuramento de todas as responsabilidades”, através de uma investigação, defendeu o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

Países árabes manifestam apoio

Posição menos definida tem o governo norte-americano liderado por Donald Trump – país aliado da Arábia Saudita com negócios milionários em jogo. O presidente norte-americano disse, contudo, que as justificações dadas por Riade são “credíveis”.

Após a confirmação da morte do jornalista, os principais aliados árabes da Arábia Saudita mostraram apoio ao país, enquanto os líderes europeus e as Nações Unidas exigem mais esclarecimentos sobre o incidente.

Pouco depois da meia-noite de sábado, quando a Procuradoria da Arábia Saudita admitiu a morte, anunciando a detenção de 18 pessoas e a demissão de dois responsáveis de segurança, Egito, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Iémen e Jordânia apoiaram as autoridades sauditas.

Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Egito felicitou “o compromisso da Arábia Saudita para conseguir apurar a verdade do caso e para tomar as medidas legais contra as pessoas envolvidas”, além de “acompanhar o curso das investigações de forma transparente e no marco da lei”.

Já o governo dos Emirados Árabes Unidos, o principal aliado dos sauditas no Golfo Pérsico, elogiou “as decisões e diretrizes” adotadas pelo rei Salman bin Abdulaziz em relação ao incidente “lamentável que causou a morte” de Khashoggi, de acordo com a agência WAW.

ZAP // Lusa / EFE

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