Diretor do JN faz queixa por violação do segredo de justiça no caso Sócrates

José Sena Goulão / Wikimedia

Ex-primeiro-ministro e ex-líder do PS, José Sócrates

Ex-primeiro-ministro e ex-líder do PS, José Sócrates

O diretor do Jornal de Notícias, Afonso Camões, apresentou uma queixa à Procuradoria-Geral da República sobre violação do segredo de justiça no caso José Sócrates.

Num artigo publicado no JN esta segunda-feira, Afonso Camões conta que o diretor do Departamento Central de Investigação e Ação Penal, Amadeu Guerra, lhe disse que “não há política” no caso. O jornalista acusa o Correio da Manhã – ao qual se refere como “a Coisa” – de tentar denegrir o bom nome da concorrência com “mau jornalismo”.

O texto de opinião é uma resposta às notícias dos últimos dias do Correio da Manhã, que citava escutas a conversas entre José Sócrates e um dos seus advogados, Daniel Proença de Carvalho, sobre o negócio de compra da Controlinveste – o grupo que detém o Diário de Notícias, o Jornal de Notícias e a TSF. Nas conversas, Afonso Camões era também citado, sugerindo-se que terá sido o ex-governante a escolher o atual diretor do JN para o cargo.

O CM escreve ainda que Afonso Camões terá avisado o ex-primeiro-ministro de que estava a ser investigado, ainda em maio.

No artigo, Afonso Camões não nega esta informação, afirmando apenas que em maio não era diretor do Jornal de Notícias, mas presidente da administração da Lusa e por isso não atuava como jornalista, mas nega ter avisado José Sócrates como diretor do JN, dias antes da detenção, em novembro.

O diretor do JN acrescenta que “é verdade” que soube da informação de que José Sócrates estaria a ser investigado por um jornalista do Correio da Manhã. No entanto, mais do que isso, o diretor do JN alega que a informação do CM teria como fonte a “investigação, liderada pelo juiz Carlos Alexandre e pelo procurador Rosário Teixeira”.

“Erro maior, criminoso, é ser verdade essa possibilidade: que a fuga de informação veio dos agentes da justiça, ou seja, de onde menos podemos admitir que se cometam crimes de violação do segredo de justiça”, acrescenta.

Afonso Camões revela, no seu artigo, que foi queixar-se à Procuradora-Geral da República, Joana Marques Vidal, por violação de segredo de justiça e tentativa de condicionamento da sua liberdade, e acusa o Correio da Manhã de estar a levar a cabo uma guerra na imprensa: “Não podemos permitir que, a coberto de um caso mediático, empresas nossas concorrentes utilizem a mentira para tentarem ganhar vantagem”.

Na conversa com Joana Marques Vidal, na quinta-feira passada, na presença do seu diretor-executivo e do diretor do Departamento Central de Investigação e Ação Penal, Amadeu Guerra, que tutela a investigação ao caso Sócrates, Afonso Camões diz que mostrou “séria preocupação pela intentona em curso, lesiva e violadora dos meus direitos, liberdades e garantias, e, sobretudo, o gravíssimo atentado à credibilidade deste JN centenário, que atravessou regimes e revoluções, mas que não é nem nunca poderá ser utilizado como instrumento de uma qualquer guerra empresarial, na disputa pelo controlo dos média portugueses”.

Em resposta, Joana Marques Vidal terá dito que nada podia fazer.

Afonso Camões foi administrador da Agência Lusa desde 2005, depois da vitória de José Sócrates nas eleições legislativas. Na altura foi nomeado da parte da Controlinveste, a principal empresa privada no capital da agência de notícias. Em 2009, passou a presidente do Conselho de Administração da agência, de onde saiu para a direção do Jornal de Notícias em maio de 2014.

O Conselho de Redação do JN também já se manifestou contra a reportagem do Correio da Manhã, afirmando que “a guerra de audiências (…) não pode ser feita à custa de ataques pessoais, mentiras, meias verdades e manipulações que visam única e exclusivamente minar a credibilidade da concorrência. E, acima de tudo, não pode ser feita usando o bem maior que é a informação, servindo-a contaminada, distorcida e apresentada como factual, quando na realidade apenas serve objetivos empresariais”.

“O jornalismo sério não é isso”, concluem.

ZAP

PARTILHAR

4 COMENTÁRIOS

  1. Não entendo muito bem estas querelas entre jornalistas ,mas uma coisa consegui extrair desta noticia é que a senhora magistrada referida-e não é só neste caso-sacode sempre a agua do capote,como soe dizer-se .Só ainda não entendi bem,qual o “capote” que veste.Oxalá que seja quente e preparado para a chuva.

  2. A senhora Procuradora Joana Marques Vidal, é como o macaquinho: não sei, não vi, não ouvi. Curiosamente a senhora não foi nomeada pelo Pedrinho PC? No more coments.

  3. Basta ler e ouvir as notícias do JN do DN da TSF e da TVI, para entender o que estava em causa nas escutas de Aveiro, que os anteriores responsáveis da procuradoria e STJ mandaram destruir. Foi a tomada da comunicação social pelos socialistas, já tentado no passado no caso Emaudio do Soares, e colocação de testas de ferro do calibre do Sócrates a mandar… A linha editorial destes órgãos de comunicação é digna de mentecaptos!
    Não é por acaso que o JN e o DN, até há pouco os mais lidos do país por larga margem, não param de baixar as tiragens… passaram a ser só para socialistas, ou desatentos!

"Entretenimento saudável". Santa Casa desvaloriza estudo sobre raspadinhas

O Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa desvalorizou a investigação da Universidade do Minho que aponta para o vício das raspadinhas. Esta sexta-feira, um artigo científico publicado na The Lancet alertou para …

"Diga-lhe para ligar ao FBI". Autocarro com a cara do príncipe André circula em Londres

Um autocarro escolar, com a cara do príncipe André, andou a circular por Londres, esta sexta-feira, numa campanha da advogada Gloria Allred para pressionar o filho da Rainha a falar com o FBI. Esta sexta-feira, um autocarro …

Suspeito de terrorismo ouvido em tribunal (com o juiz a recusar ver os seus vídeos por não ter Internet)

O arguido Rómulo Costa, um dos oito portugueses acusados por financiamento ao terrorismo e recrutamento, adesão e apoio ao Estado Islâmico, foi interrogado, esta sexta-feira, na fase de instrução do processo que vai decorrer no …

FC Porto recorre do castigo de um jogo à porta fechada

O FC Porto vai recorrer do castigo de um jogo à porta fechada, aplicado pelo Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) por ofensa a um agente desportivo. "O FC Porto vai recorrer …

Moita Flores investigado por corrupção. Antigo PJ fala em "coincidência" com empréstimo aos filhos

Francisco Moita Flores, antigo inspector da Polícia Judiciária e ex-presidente da Câmara de Santarém, está a ser investigado por suspeitas de corrupção. Há transferências de dinheiro de uma construtora para empresas a que esteve ligado …

SOS Animal vai constituir-se assistente no processo contra João Moura

A SOS Animal anunciou, esta sexta-feira, que se vai constituir assistente no processo criminal contra o cavaleiro tauromáquico detido, na quarta-feira, por suspeitas de maus-tratos a cães em Monforte, no distrito de Portalegre. Em comunicado, a SOS …

SMS de Rangel revelam teia de corrupção na Relação de Lisboa. Juiz Vaz das Neves tem empresa contra a lei

O ex-presidente do Tribunal da Relação de Lisboa, Luís Vaz das Neves, que foi constituído arguido na Operação Lex, tem uma empresa que se dedica à arbitragem extrajudicial de conflitos, o que constitui uma violação …

Presidente da PwC esteve em Lisboa para controlar danos do Luanda Leaks

O presidente mundial da PricewaterhouseCoopers (PwC) esteve em Lisboa, há duas semanas, para controlar os danos provocados pelo caso Luanda Leaks. Bob Moritz, presidente mundial da PricewaterhouseCoopers (PwC), esteve em Lisboa, há duas semanas, para perceber até …

CM Lisboa vai negociar avenças em parques para moradores da envolvente da Baixa

O presidente da Câmara de Lisboa afirmou, esta sexta-feira, que a autarquia irá tentar acordar com os operadores dos parques de estacionamento da envolvente da Zona de Emissões Reduzidas da Baixa-Chiado a criação de "avenças …

Caso Marega. PGR tinha brigada anti-racismo no jogo de Guimarães

A equipa do Ministério Público estava de serviço, no jogo entre V. Guimarães e FC Porto, quando o jogador maliano decidiu abandonar o campo na sequência de cânticos racistas. De acordo com o semanário Expresso, a …