Argentina levanta restrições na capital. Rússia regista recorde de mortes diárias e aumenta contenção

Juan Ignacio Roncoroni / EPA

A Argentina prorrogou esta semana as medidas para combater a pandemia de covid-19 nas zonas mais afetadas do país, ao mesmo tempo que prossegue a reabertura na capital, onde os casos têm vindo a diminuir.

Desde o início da pandemia, o país contabilizou 1.102.301 casos confirmados de covid-19, com mais de 11 mil só nas últimas 24 horas, além de 29.301 vítimas fatais da doença, noticiou a agência Lusa.

Até há alguns meses, a área metropolitana de Buenos Aires era o principal foco de transmissão da doença no país, representando mais de 90% do total de casos, uma situação que agora afeta sobretudo as províncias de Córdoba e Santa Fé (centro), à medida que o número de infeções na capital continua a descer.

Dos 11.712 novos casos comunicados na segunda-feira pelo Ministério da Saúde argentino, só 35,9% correspondem a residentes na capital ou na província de Buenos Aires, enquanto os restantes foram diagnosticados no resto do país.

Nestes locais vão manter-se as principais restrições à circulação, como a utilização exclusiva de transportes públicos por trabalhadores considerados essenciais ou a limitação de reuniões sociais a espaços abertos.

A nova prorrogação das restrições, que o Presidente Alberto Fernández anunciou na sexta-feira e foi publicada na segunda-feira no Boletim Oficial, prolonga-se até 08 de novembro. Buenos Aires mantém o plano de reabertura económica dos últimos meses, incluindo o regresso dos estudantes de alguns cursos a aulas presenciais ou a abertura de museus.

Os restaurantes poderão servir clientes no interior (até agora, estavam limitados às esplanadas), podendo os ginásios reabrir, com números limitados. As atividades religiosas poderão reunir até 20 pessoas.

Com 44 milhões de habitantes, a Argentina é o sexto país com mais infeções a nível mundial, depois dos Estados Unidos, Índia, Brasil, Rússia e França, de acordo com a contagem independente da Universidade Johns Hopkins. Em termos de óbitos, está em 12.º lugar a nível mundial.

Rússia regista recorde de 320 mortes diárias

A Rússia registou 320 mortes pela covid-19 nas últimas 24 horas, o maior número de óbitos num dia desde o início da pandemia, levando as autoridades de saúde a imporem novas medidas para combater o vírus. Segundo as estatísticas oficiais, 16.550 novos casos positivos foram detetados, 4.312 em Moscovo – principal foco infecioso do país.

A capital russa acumula 405.352 casos de infeção e 6.503 mortes, 61 delas nas últimas 24 horas, levando as autoridades russas a anunciar um aumento das restrições para combater a pandemia, com a obrigação de usar máscara em locais públicos e recomendações para limitar a vida noturna, num cenário de agravamento da pandemia.

Estado australiano foco da pandemia está sem casos

O estado australiano de Vitória, epicentro da segunda vaga de covid-19 na Austrália, anunciou na segunda-feira o levantamento do confinamento a partir desta terça-feira, depois de não ter registado quaisquer novos casos nas últimas 24 horas.

Lojas, restaurantes e cafés em Melbourne, capital do estado de Vitória e segunda cidade mais populosa do país, reabrirão à meia-noite de terça-feira, e os habitantes serão autorizados a circular na cidade, anunciaram na segunda-feira as autoridades locais.

“Podemos dizer que agora é o momento de abrirmos”, disse o chefe de governo de Victoria, Daniel Andrews, visivelmente emocionado, numa conferência de imprensa em Melbourne, recordando que a última vez que o estado registou zero infeções foi em 09 de junho.

O confinamento foi decretado em julho, quando o número de novos casos era de cerca de 190 por dia, número que subiu para 700 em agosto. Daniel Andrews explicou que os quase cinco milhões de habitantes poderão sair às ruas por qualquer motivo a partir da meia-noite de terça-feira.

No entanto, o limite para deslocações num raio de 25 quilómetros, tal como a proibição de sair da cidade, vão manter-se até 08 de novembro, de acordo com a mesma fonte.

Apesar das medidas para conter a primeira vaga da doença causada pelo coronavírus, Melbourne sofreu um surto de casos no verão, sobretudo devido à negligência em hotéis onde as pessoas regressadas do estrangeiro cumpriram a quarentena obrigatória.

Os cinco milhões de habitantes de Melbourne foram sujeitos a severas restrições, incluindo um recolher obrigatório noturno que foi levantado no final de setembro, após quase dois meses. Os residentes foram obrigados a permanecer em casa e só podiam circular num raio de cinco quilómetros.

Daniel Pockett / EPA

Algumas restrições foram levantadas na semana passada, permitindo aos habitantes jogar golfe ou cortar o cabelo. A Austrália, com uma população de 25 milhões, teve cerca de 27.500 casos desde o início da pandemia e 905 mortes devido à covid-19.

Malásia põe em quarentena mais de 10 mil polícias

A Malásia colocou em quarentena mais de 10 mil agentes da polícia, cerca de 10% da força de trabalho, para travar a expansão da covid-19, depois de pelo menos 200 agentes terem sido infetados.

O ministro do Interior do país, Hamzah Zainudin, disse esta terça-feira que a elevada taxa de infeção entre os 100 mil agentes da polícia torna difícil o desempenho das suas funções, uma vez que têm de estar em contacto constante com a população.

“A expansão da epidemia de covid-19 está a tornar-se mais preocupante e muitos dos que estão na linha da frente estão expostos ao risco de contágio”, disse o ministro, segundo a agência noticiosa estatal Bernama. “Embora usem máscaras”, acrescentou, “o trabalho exige que comuniquem com as pessoas de perto”.

A medida foi anunciada numa altura em que a Malásia sofre a sua terceira vaga de covid-19, a mais agressiva, com quase 10 mil casos ativos. Desde que o primeiro caso foi relatado, em fevereiro, 236 pessoas morreram, mas um terço dessas mortes ocorreram no mês passado.

A Malásia anunciou em agosto a extensão das medidas de restrição devido à pandemia, incluindo a proibição de entrada de turistas estrangeiros até o final do ano. O primeiro-ministro, Muhyiddin Yassin, disse que os casos globais têm aumentado e que o país tem observado surtos esporádicos, embora a situação esteja sob controlo.

Muhyiddin garantu que as restrições não iam interromper as atividades diárias, visto que a maioria dos negócios e escolas estão a funcionar. Apenas estabelecimentos de diversão noturna permanecem fechados e eventos desportivos internacionais cancelados.

As fronteiras vão permanecer praticamente fechadas e aqueles que entrarem no país terão de se submeter a um período de isolamento.

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