Apoios “não serão suficientes”. 16% das empresas já não vão conseguir pagar salários de abril

As empresas têm-se queixado continuamente do mesmo: se as linhas criadas pelo governo para ajudar a ultrapassar o momento de confinamento que obrigou a fechar portas não produzirem efeitos, a economia vai morrer. 

De acordo com o terceiro barómetro da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa (CCIP) sobre os impactos da covid-19, as empresas poderão nem sobreviver à fase de confinamento.

Segundo o CCIP, 77,5% das empresas sentem o impacto mais negativo nas vendas no mercado nacional e mais de metade se queixam de falhas ao nível da tesouraria – 16,2% das empresas reconhece mesmo que já que não conseguirá pagar salários e impostos relativos a abril.

87% das empresas inquiridas no barómetro da CCIP pedem a diminuição das restrições para promover a retoma económica. 43,8% das empresas decidiram pedir o fracionamento do pagamento de impostos, 38,1% vão diferir os pagamentos à segurança social, 36,9% consideram recorrer às linhas de crédito e 30% ao lay-off simplificado.

Em causa estão, de acordo com o Diário de Notícias, o facto de terem sido obrigadas a fechar portas devido ao estado de emergência, não terem tesouraria suficiente para fazerem face às despesas, burocracia e o atraso nas linhas de apoio e em medidas como o lay-off simplificado.

“Estamos todos convencidos de que os apoios agora disponibilizados não serão suficientes para as necessidades das empresas e estamos também conscientes de que haverá muitos casos em que nem com estes apoios será possível salvar as empresas dos efeitos provocados por esta pandemia. Mas o mais importante é que os apoios que estão criados cheguem verdadeiramente às empresas quanto antes. Senão será demasiado tarde para garantir a sobrevivência”, disse Bruno Bobone, presidente da CCIP, em declarações ao DN.

“O Estado prevê que os apoios criados cheguem durante esta semana às empresas, o que já será tarde. Mas aquilo que sabemos do mercado e no que respeita ao lay-off, é que estão a ser realizadas inspeções às empresas que recorreram a este recurso com uma exigência tal de informação que acredito que vamos ter problemas enormes no recebimento destas verbas. E isso vai matar a economia e as empresas”, sublinha, ao DN.

Quanto à reabertura da economia, a CCIP antecipa dificuldades. “Será exigido aos gestores uma grande capacidade de inovação num contexto de mercado completamente diferente”, disse Bobone, para quem é necessário “promover uma abertura gradual mas responsável”.

“Qualquer outro cenário que não este vai colocar os trabalhadores numa situação muito difícil de gerir, sem poderem regressar ao trabalho e com as empresas a viver um período de asfixia financeira e enorme pressão.”

O presidente da CCIP considera fundamental que “o Estado dê garantias às seguradoras de crédito para que estas possam continuar a permitir a continuidade das exportações, essenciais para a sobrevivência da economia portuguesa”.

ZAP //

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3 COMENTÁRIOS

  1. Isto é tudo muito lindo mas andar a embrulhar os empresários e os desempregados para “chutar” para a frente o problema não me parece a solução. Isto foi assim em todas as medidas no âmbito da atual pandemia. Burocracias, documentos, papéis,… tudo serve para atrasar.

  2. No artigo não se esclarece que tipo de empresas se incluem nesses 16% que não conseguirão pagar os salários e impostos do mês de abril: se pequenas e médias e/ou grandes empresas.
    P. ex.: tendo em conta que o salário anual do CEO da Galp ultrapassou o 1,5 milhões de euros em 2019 (https://eco.sapo.pt/2020/03/24/ceo-da-galp-recebeu-mais-salario-ficou-perto-de-18-milhoes/), a se manter um vencimento destes, não me surpreende que a Galp se veja com dificuldades em pagar salários e impostos.

  3. Apoios ou propaganda governamental? É que pelos vistos o governo do Simplex apenas sabe aplicar medidas do Complex e o resultado parece ser uma enorme trapalhada burocrática que os empresários nada entendem, é preciso ter muito cuidado pois a situação é grave e caso não seja levada a sério poderá ditar o fim de muitas empresas.

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