Aga Khan distribui dinheiro por Pedrógão (mas prefere entregá-lo directamente)

António Cotrim / Lusa

As vítimas do grande incêndio de Pedrógão Grande começaram a receber os primeiros valores do apoio de 500 mil euros doado pelo príncipe Aga Khan, que ficou sensibilizado com a tragédia que matou 64 pessoas, no Verão passado.

O Expresso conta que Aga Khan, o milionário que é líder da comunidade ismaelita, começou a distribuir o meio milhão de euros que doou para apoiar as vítimas de Pedrógão Grande, através das contas bancárias directas das famílias afectadas.

Aga Khan preferiu não doar dinheiro para nenhum fundo de apoio às vítimas para que não houvesse dúvidas sobre a forma como iria ser usado”, refere o Expresso, notando que as verbas estão a ser entregues como bolsas de estudo e que cada aluno recebe 500 euros, directamente na conta bancária.

Os visados por este apoio foram seleccionados pelo Instituto da Segurança Social, depois de um processo de candidatura, que comunicou os seus dados à Fundação de Aga Khan.

Seguradoras entregaram mais de 5 milhões em indemnizações

A Associação Portuguesa de Seguradores (APS) informou estar a concluir a atribuição do seu fundo solidário para apoiar as vítimas do incêndio, tendo já sido entregues mais de cinco milhões de euros.

As compensações já atribuídas e pagas no âmbito deste fundo solidário (que totaliza 2,5 milhões de euros e se destina a apoiar os familiares das vítimas mortais e os feridos graves) ascendem até agora aos 2,096 milhões, refere a APS em comunicado.

No âmbito deste fundo das seguradoras, foram analisados processos relativos a 65 mortos, assim como os relacionados com 13 dos 14 feridos graves.

A lista de vítimas mortais da Procuradoria-Geral da República contempla 64 nomes, tendo sido remetida para outro inquérito a morte de uma mulher que morreu atropelada quando fugia do fogo. Em Julho, a Procuradoria informou que iria apurar ainda as circunstâncias de uma outra morte que não estava directamente relacionada com o incêndio.

Segundo a APS, foram pagas ou atribuídas compensações em 62 casos de mortes e nos restantes três, “aguarda-se ainda informação complementar”.

Em relação aos feridos foram já pagas e/ou atribuídas compensações em 13 dos 14 casos, “ainda que, nalgumas situações, o pagamento da respectiva compensação ao ferido esteja dependente da evolução da sua situação clínica”.

“Nalguns casos, foram feitos adiantamentos aos familiares mais directos, para poderem fazer face a despesas mais imediatas”, lê-se no comunicado.

Além dos 13 feridos, foram beneficiadas até ao momento, ao abrigo do fundo, 87 pessoas com “vínculos familiares às pessoas falecidas”: 40 filhos (cinco dos quais menores), 11 cônjuges/pessoas vivendo em união de facto, 24 ascendentes e 12 irmãos.

Por outro lado, “as empresas de seguro já pagaram também uma parte muito significativa das indemnizações devidas ao abrigo de contratos de seguro”, informou a associação, referindo que foram pagos mais de um milhão de euros de indemnização no âmbito de coberturas de morte, invalidez ou danos corporais.

Neste tipo de coberturas, “estão pendentes de pagamento mais de um milhão e meio de euros, devido à mecânica de funcionamento dos seguros de acidentes de trabalho, sempre sujeitos ao ritmo de funcionamento dos tribunais de trabalho por onde os processos têm obrigatoriamente que transitar”, explicou a APS.

A nível de seguros de bens e património foram já pagas indemnizações superiores a 2,6 milhões de euros para reparação de danos sofridos em 320 habitações, estando pendente o pagamento de mais cerca de um milhão de euros.

Foram ainda pagos 180 mil euros de indemnizações relativas aos danos próprios de viaturas destruídas.

ZAP // Lusa

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7 COMENTÁRIOS

  1. Aka Khan conhece bem os governos e autoridades portuguesas.
    Ele sabe que dinheiro entregue a instituições nunca chegam ao destino.
    E mesmo assim, será preciso ver se no meio dos coitados não há infiltrados armados em empreiteiros.

    Entretanto Kosta não consegue responder pela maior parte dos donativos feitos.
    Foi um Downburst…

    • A “maior parte dos donativos feitos” são geridos por empresas privadas. Por acaso o “Kosta” pode responder por privados? O fundo gerido pelo Estado é uma pequeníssima parte do total “prometido” por empresas e privados (muitos deles prometeram e ainda não cumpriram). É verdade que está a demorar a atribuir essa pequena parte, mas também é verdade que há muios portugueses que são muito “finos” (e não me refiro só ás vitimas e às “vitimas”) e tentam ganhar com a desgraça dos outros. Empreiteiros, por exemplo… Por isso (e por outras razões que desconheço e… não devia desconhecer) existe esta demora. Não digo que o Governo esteve bem, lidando com esta tragédia, mas é injusto acusá-lo quando os grandes valores não dizem respeito ao Estado (que ninguém sabe se alguma vez chegaram).
      Você responderia por outra “empresa” que não a sua (se tivesse uma)? Eu não.

  2. Algo não bate certo: 500,000 euros em bolsas de estudo de 500 euros cada, dá cerca de 1000 bolsas. Ora eu estava capaz de afirmar que entre Castanheira de Pêra, Figueiró dos Vinhos e Pedrógão Grande não há 1500 alunos, no total, e por isso não há 1000 alunos referenciados pela Segurança Social. Desculpem se estou enganado, mas a minha experiência diz-me que algo não bate certo. O donativo (a intenção) podia ser de 500,000 euros mas não conseguem distribuir nem metade, nestas condições.

  3. Família, leia bem o comentário do Rui. Tem todo o sentido.
    Para além disso os lesados devem queixar-se e não ter medo de saber como vai efectivamente ser distribuído o valor dos 500 000€. É só fazer contas……

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